Irmãos de arte - Diário de Santa Maria

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Coluna Cultura27/10/2017 | 14h16Atualizada em 27/10/2017 | 16h07

Irmãos de arte

Colunista fala sobre as perspectivas do trabalho artístico e os anseios de profissionais da área

Há alguns anos venho refletindo sobre a união de artes, perspectivas de projeção e qualidade de trabalho frente a públicos diversos...

A música continua sendo a mais "democrática" das artes, pois é a mais fácil de propagar, e a aceitação é sempre quase que imediata. Mas, as demais artes sofrem um pouco com a falta de espaços para ensaios, apresentações... 

Pensando nisso, gostaria de dividir com vocês a alegria em ter amigos/artistas que escolheram a arte da dança como forma de vida, e não só isso, estão buscando, através da pesquisa, leitura e experimentação com o corpo, uma nova forma de ver e sentir a dança. 

Santa Maria.
Há mais de 20 anos, conheci Verônica Prokopp, aluna de um projeto de dança em escola, um tanto fora dos padrões "bailarinísticos", porém com grande potencial – tanto artístico quanto crítico. Depois, conheci Daniel Aires, uma grande promessa da dança no interior do RS. Grandes! Ainda lembro da nossa viagem ao Festival de Joinville... 

Filipe, Daniel, Verônica e Richard, do Cubo1Foto: Reprodução

E, entre amizade, crescimento artístico e intelectual, se vão anos dividindo questões, ansiedades e compartilhando projetos por vir... 

Pois então!
Caminhos diferentes, faculdade em Artes Visuais, mestrados, pesquisas em arte, mas sem nunca esquecer da dança.... E nesses encontros e reencontros, no meio do caminho, Verônica conhece Richard Salles, bailarino e estudante de dança e, em 2015, eles criam a Cubo1 Cia de Arte, que se firma em proposta e conteúdo e colhe seus primeiros frutos em pouquíssimo tempo com mostras em Santa Maria, Porto Alegre, Brasília, Montevidéo e Buenos Aires. 

Em 2016, já residindo em Porto Alegre, os artistas Filipe Rezende e Daniel Aires se unem ao time. Ano que marca a seleção para participar do 7º Programa de Residência Artística da Sala 209, projeto com o apoio cultural de Eduardo Severino Companhia de Dança, Ânima Cia. de Dança, Coletivo de Dança Sala 209, Usina do Gasômetro, Projeto Usina das Artes e Secretaria da Cultura de Porto Alegre.

Foto: Laura Pompermeier / Divulgação

Nossa! Misto de orgulho e tristeza, pois foram um dos últimos grupos a residir no espaço de notoriedade em Dança em Porto Alegre, hoje extinto.

Mas os frutos continuaram a ser colhidos, pois a residência oportunizou a criação da primeira obra de maior porte da Cia. Vincent – Obra Contemporânea em Dança Performativa, a qual cumpriu temporada na Sala 209 (no ano de 2016) e cumpre, neste ano, a sua 2ª temporada nos dias 2 e 3 de dezembro, na Sala Álvaro Moreyra (20h), com direção geral de Verônica Prokopp e direção cênica de Daniel Aires. 

Orgulho só! 

E sempre tendo em mente que, apesar de Porto Alegre oferecer um cenário bastante amplo e dinâmico, não só em termos de oportunidades e espaços artísticos, mas também no que diz respeito ao âmbito acadêmico, os artistas continuam a caminhada que é árdua e a luta é diária. 

A Cubo1 Cia de Arte é uma companhia independente, composta atualmente por quatro artistas pesquisadores, e não conta com nenhum tipo de investimento, incentivo ou apoio financeiro.   

O mercado dos editais era uma luz no fim do túnel, porém, na atual conjuntura política, essa luz está quase apagada. Em função disso, segue em constante busca de alternativas de sobrevivência/resistência através de parcerias com demais artistas e trabalhadores da dança.  

"Desafios, conhecimentos, crescimento profissional, oportunidades, possibilidades e inserção no mercado de trabalho da dança foram algumas das motivações que nos trouxeram para a Capital do Estado. Enquanto artistas da dança, nos nutrimos com as trocas e ensinamentos proporcionados por profissionais ilustres como Eva Schul, Luciana Paludo - através do Mimese Cia de Dança-Coisa - do qual participamos enquanto bailarinos – e Airton Tomazzoni, ao integrarmos o Grupo Experimental de Dança (GED/2016). Ansiamos para que não tarde a oportunidade de compartilharmos com Santa Maria o que estamos construindo por aqui", explicou Verônica

Foto: Laura Pompermeier / Divulgação

Anseio meu, também, meus talentosos amigos. A luta segue. Em seguida, nos topamos nos palcos da vida.    

Viver de arte é possível, ainda mais quando nos despimos de vaidades e compartilhamos com pessoas nossos anseios e pensamentos. Trocamos vivências e aprendemos um com o outro.  

Esses são os irmãos de arte!

ARTISTAS
Daniel Aires: Bailarino, Coreógrafo, Artista Visual (UFSM), Especialista em Dança (UFRGS), Mestrando em Artes Cênicas (PPGAC/UFRGS).
Fellipe Resende: Bailarino, Instrutor do Método Pilates, Fisioterapeuta, Especialista em Dança (UFRGS), Mestrando em Artes Cênicas (PPGAC/UFRGS).
Richard Salles: Artista da Dança, Bailarino, Intérprete-Criador, Graduando em Dança/Bacharelado (UFSM) e Graduando em Marketing Digital (Anhanguera).
Verônica Prokopp: Intérprete-Criadora, Coreógrafa, Artista Visual (UFSM), Especialista em Docência do Ensino Superior (BM/SP), Graduanda em Licenciatura em Dança (UFRGS), Mestranda em Artes Cênicas (PPGAC/UFRGS). 

 

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