As paixões alegres - Diário de Santa Maria

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Coluna Cultura06/10/2017 | 16h41Atualizada em 08/10/2017 | 11h21

As paixões alegres

Em remix que envolve música, textos, comentários, posts, fotos e vídeo, colunista convida os leitores a ampliar horizontes

(este texto é para ser lido ao som da música Vigia de Paulo Miklos) 

O que está acontecendo?
O que está sendo fechado?
Ameaçado?
Embriague-se com tudo que flui para além do Eu.
Perca-se.
Performe-se.
Performance.*
Arte não é adjetivo.
É preciso pensar adiante, para frente, olhar ao que virá, como virá e como agiremos.

A arte que você não gosta, que lhe incomoda ou toca em questões desagradáveis, cumpre seu papel, que não é, definitivamente, há pelo menos 2 séculos, o de produzir qualquer efeito apaziguador ou anestésico sobre nossos ânimos.

Nós, sendo esse nós construído por todos os que não se renderam à massa histérica deformada, distorcida, sabemos que nem toda arte é de excelência e maestria; nem todo artista é um Da Vinci.

A performance, o quadro, a estátua... São nada mais que a performance, o quadro, a estátua... O resto é contigo, só contigo. Tenta primeiro absorver o que tu observa. A ARTE se dá no "entre". Deu medo? Repulsa? Odio? Tudo isso é humano, relaxa.

Não tenho forças ou disposição pra defender performance, uma novidade tão velha que essa indignação está uns 50 ou 70 anos atrasada, no mínimo.

Será que vivemos em um momento de competência intelectual limitada, onde pessoas só são capazes de entender como arte aquilo que combina com o sofá de suas respectivas casas?

Ou a arte é um enorme risco ao projeto de deformação induzida em andamento, sobretudo humana, e precisa urgentemente ser combatida?

Todas nossas explicações a posteriori não apagam o estrago que essas intervenções pontuais fazem no imaginário popular.

Aos que sentem que o final de uma civilização não é o fim do mundo; aos que veem a insurreição como uma brecha, sobretudo no reino organizado da estupidez, da mentira e da confusão; chegou a hora de darmos nossa modesta contribuição, nossas paixões alegres. Afinal, a gente mora no agora.

As soluções reais _ uma educação humanista de qualidade que inclua arte e filosofia, um aprendizado da leitura crítica, levariam uma geração pra acontecer. E não há nenhuma vontade política nesse sentido. Então, ficamos aqui apagando esses incêndios ridículos, dando explicações que não são entendidas (e provavelmente não se espalham além da bolha), enquanto o fosso se aprofunda.

Eu vou te pedir um favor, quando abrir a boca, fala mais de Amor pra gente.
A arte não fracassou!

*Performances são uma mídia difícil para quem não tem certo trânsito no universo da arte contemporânea. É fácil de ser confundida com bobagem por que exige um pouco mais de esforço, paciência e generosidade de quem a experimenta (e veja que se trata de uma experiência, e não de uma observação, o que dificulta ainda mais a coisa).

Observação
Esta coluna foi concebida por meio de processo performático de escrita. Ela é uma ação estética criativa via remixagem. O texto acima utiliza-se, única e exclusivamente, de fragmentos, frases e palavras dos links abaixo, e sua "com-posição" foi parcialmente realizada pelo colunista co-autor do texto. Afinal, a produção de sentido do encontro com o texto, obviamente além de partir do próprio colunista (remixador) e dos autores (originais) dos textos, vem dos leitores e suas subjetividades, que com-põem espaços de relação e tensão em seu processo de leitura/significação por meio de um dispositivo de profanação retroalimentador do conteúdo escrito. 

Observação 2
A escolha dos textos para remixagem nesta coluna apresentam dois pontos de destaque:
1- razões afetivas e admiração pelo posicionamento dos autores na questão artística.
2 - os textos selecionados conseguem apresentar pensamentos complexos capazes de traduzir em palavras, tudo o que o autor da coluna concorda e deseja falar em sua escrita sobre o tema abordado. Sendo assim, decidiu-se pela proposta de remix para ir além da homenagem, e sim, propor uma ação poética que dialogue com estes autores/textos como ação concreta e coletiva do pensamento de defesa à arte.   

Recomenda-se, portanto, a leitura dos textos originais, que além de conterem os devidos créditos, expressam na íntegra o pensamento de cada autor sobre o tema da coluna em questão.

Gotas de obviedade
A temática, a forma e processo de escrita dessa coluna de cultura foram escolhidos por razões óbvias, contemporâneas e auto-explicativas. 

Para ampliar o horizonte deste debate
https://www.facebook.com/rubens.velloso/posts/10213981032622652
https://www.facebook.com/rubens.velloso/posts/10213977703619429
https://www.facebook.com/alamo.drummond/videos/10155642679916768/
https://www.facebook.com/ruy.filho.3/posts/1528343240522207
https://www.facebook.com/ivana.bentes/posts/1656040731095957
https://www.facebook.com/sheila.c.ribeiro.1/posts/10214279161757039
https://www.facebook.com/lucio.agra/posts/1687351921299375
https://www.facebook.com/ivana.bentes/posts/1653851691314861
https://www.facebook.com/gustavo.muller.3517/posts/10203559805512794
https://www.facebook.com/odyr.bernardi/posts/1555977561153775
https://revistacult.uol.com.br/home/marcia-tiburi-imbecilizadores-profissionais/

Obra "Bichos", de Lygia ClarkFoto: Obra Bichos / Divulgação
"Bichos", de Lygia ClarkFoto: Obra Bichos / Divulgação


 









 

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