Personagens e comidas de Silveira Martins - Diário de Santa Maria

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Coluna Gastrô e Viagem26/06/2017 | 10h13Atualizada em 26/06/2017 | 10h13

Personagens e comidas de Silveira Martins

Colunista relembra a receptividade e a gastronomia do povo da região de Vale Vêneto 

Durante os dois anos em que morei na cidade de Silveira Martins, tinha um pequeno restaurante que servia comida de Bistrot, sem cardápio fixo. Eram releituras de pratos e matéria primas da região. Sempre o negócio de restaurantes é bastante dispendioso, por conta de finanças, estoque, atendimento, etc.. Mas o melhor desta empreitada foi conhecer e conviver com os personagens desta cidade. Seria impossível falar de todas as figuras deste universo. 

Contudo, hoje vou lembrar o aniversário de uma querida amiga, que infelizmente já nos deixou. Uma senhora muito conhecida nesta localidade, a Dona Rosa, responsável pela rodoviária da cidade. Sempre recebia as pessoas com um sorriso e com as bochechas bem rosadas, com um sotaque típico da colonização Veneta Italiana. Um ícone, sem dúvidas!! 

Festival Internacional de Inverno Foto: Germano Rorato / Agencia RBS

Certo dia, ela me interpelou: hoje a noite haverá um jantar aqui, venha!! É o meu aniversário!! Eu prontamente confirmei presença e na mesma noite, pontualmente às 20h, estava lá. Era uma noite fria em um ambiente quente e muito familiar, uma demonstração típica da generosidade e receptividade dos "gringos" da Quarta Colônia. Nem bem entrei na casa e já fui convidado para uma taça de vinho. Era um bordô colonial, de características rudes, um vinho de mesa forte, com gosto de uva bem acentuado, um vinho ligeiro. Certamente não possuía o caráter de um vinho, para apreciadores mais exigentes, mas era perfeito para a ocasião. Logo depois do primeiro gole, fui convocado a apreciar uma agnoline com um brodo "caldo", quase amarelo, encorpado, feito com galinha caipira e carne de gado, simplesmente divino. A massa era recheada de salame. 

Estava em uma imersão, quando olho em frente, na mesa rústica de madeira em que estava acomodado, vejo um pão daqueles gigantes, feito com fermento de batata. Ele estava ali para absorver o caldo quando terminasse os agnolines, que mais pareciam origamis.Quase que cometi um disparate deslumbrando mais um prato, quando vi um imenso panaro "tábua de madeira", de polenta com queijo. Estes quadradinhos amarelos eram colocados sobre uma chapa de fogão e, após dourar até dar uma queimadinha, eram cobertos com uma fatia de queijo colonial. Sem pensar, fui direto para este quitute com mais uma taça de vinho. Entre risadas e "brustoladas" de polentas, já me sentia satisfeito, quando fui informado: "Vamos passar lá no fundo, os guris estão fazendo um galetinho e também um risoto". Respirei fundo e soltei o cinto. 

Entreguei a noite ao destino que me aguardava e, afinal de contas, quanto mais Deus chama, melhor é. Foi um festim!! Uma noite com muitas risadas, muita comida, embaladas por contos e por um acordeonista que tocava músicas de todos os gêneros. Agradeço muitíssimo a possibilidade de ter conhecido e convivido com essas pessoas. Aprendi e continuo aprendendo com estes vizinhos queridos, os moradores das cidades aqui ao lado. Quero agradecer, é claro, a Dona Rosa, por ter me levado a esta experiência. Sempre será uma recordação querida. Então, mais uma taça de vinho!!

 

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