Sobre terremotos, tsunamis e explosões atômicas - Diário de Santa Maria

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Coluna Sociedade24/05/2017 | 13h30Atualizada em 24/05/2017 | 13h30

Sobre terremotos, tsunamis e explosões atômicas

Colunista relembra o Japão pós 2ª Guerra Mundial e nos convida a participarmos da reconstrução do nosso país


Ao final da Segunda Guerra Mundial (setembro/1945), após quase sete anos de luta, o Japão rendeu-se arrasado, com o saldo de duas cidades destruídas por bombas nucleares (Hiroshima e Nagazaki), fábricas incendiadas em decorrência de bombardeios, economia paralisada e escassez de alimentos.

Num cenário desolador, tal Fênix, o Japão reergue-se das cinzas graças ao alto grau de escolaridade da população, à tradição milenar, à garra e à obstinação do povo e ao apoio de planos econômicos externos. Setenta anos depois, o país do Sol Nascente está aí, reconhecido como uma grande potência mundial.

Foto: pixabay / pixabay

 A imagem do Japão reconstruído vem a minha mente, após sermos atingidos, na semana passada, por uma bomba, um terremoto, um tsunami avassaladores provocados pelas delações premiadas. À distância, tenho a impressão que, no meio político, não sobrou pedra, sobre pedra.

O sentimento expressado pelos brasileiros nas redes sociais foi de repugnância, raiva, frustração. Alguns se sentiram traídos, outros revoltados, reafirmando que haviam avisado, mas que não foram ouvidos. Estamos numa situação periclitante e o que menos devemos fazer é ficar lamentando ou buscando culpados. Até porque somos um povo pouco afeito a valores éticos e/ou morais. Nosso passado nos condena.

Lima Barreto, escritor que será homenageado na Festa Literária de Parati/2017, em Os Bruzundangas faz uma excelente crítica social dos nossos hábitos, no início do século XX.

Nos anos 1930, Noel Rosa na canção Onde está a Honestidade?, questiona esse valor aos políticos da época, perguntando se eles haviam enriquecido, após terem encontrado jóias na rua.

A banda musical Legião Urbana compôs Que País é Esse? (1987), o músico Gustavo Magno, Mãe Gentil (2007) e tantos outros abordam o tema corrupção, numa demonstração do quanto isso nos incomoda. 

Por outro lado, ao revisitarmos nossa História, constataremos que muitos de nossos heróis, que dão nomes a ruas, praças ou monumentos não passam de engodo, e nunca foram exemplos de dignidade, respeito ou honestidade. Concordamos com isso, reproduzimos na história oficial, e nos mantivemos omissos. Alguns de nós, para permanecermos em espaços de poder caluniamos, mentimos, roubamos, e ainda temos a desfaçatez de contabilizarmos na conta do ethos do povo brasileiro, justificando que é assim mesmo, que é o jeitinho brasileiro.

Pois bem, penso que chegamos ao limite. É preciso com urgência nos voltarmos a duas grandes campanhas:
_ Garantir educação de qualidade a todos os brasileiros (mas o governo está querendo obstar com a reforma na educação); 

_ Mergulharmos na busca da ética: da justiça, da liberdade, responsabilidade, verdade, honestidade e respeito.

Não adianta apontarmos para o outro, o momento é de olharmos no espelho e perguntar, como posso contribuir para que meu país saia dessa enrascada?

É hora de arregaçarmos as mangas e iniciarmos a reconstrução da grande Pátria brasileira, a partir de cada cidadão brasileiro.

 

 
 

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