Apenas 34 carroceiros foram cadastrados em Santa Maria - Diário de Santa Maria

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Série de reportagens19/05/2017 | 15h01Atualizada em 19/05/2017 | 15h01

Apenas 34 carroceiros foram cadastrados em Santa Maria

Visitas técnicas  recolhem dados sobre o trabalhador e o animal 

Apenas 34 carroceiros foram cadastrados em Santa Maria Charles Guerra/New Co
Foto: Charles Guerra / New Co
Pâmela Rubin Matge
Pâmela Rubin Matge

pamela.matge@diariosm.com.br

Mais de um mês se passou desde a criação da comissão especial da Câmara de Vereadores destinada a tratar dos carroceiros. Também passa de 30 dias, o anúncio do prefeito de Santa Maria, Jorge Pozzobom, sobre a formação de um Grupo de Trabalho (GT) que, entre outras ações, faria um levantamento de quantas e quem são as pessoas que utilizam carroças com tração animal para recolher resíduos recicláveis na cidade.

Após anos de trabalho forçado, aos cavalos, sobra o abandono e os maus-tratos

 O GT contaria com secretarias de Saúde, do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Social e da Educação e do Gabinete de Governança, além de buscar o apoio da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e de Organizações Não-Governamentais (ONGs) de proteção dos animais para cruzamento de informações. Em 11 de março, o Diário deu início a série de reportagens trazendo a problemática à tona.

Carroceiros ainda não têm direitos trabalhistas

Segundo o coordenador do Central de Bem-Estar Animal, alocado na Secretaria de Meio Ambiente, Alexandre Caetano, apenas 34 carroceiros foram cadastrados. O procedimento se dá por meio de visitas técnicas na casa de carroceiros-catadores onde são recolhidos dados como documentação do carroceiro, controle sanitário do animal, quilômetros percorridos por dia, entre outros. 

– Eu e os estagiários estamos indo nas casas ali próximo ao Largo do Cadena (Vila Oliveira e Brenner). Tenho que dar conta das campanhas de doação, encaminhar as ações de maus-tratos, encaminhar os cavalos ao ao Hospital Veterinário ou aos fiéis depositários.

Foto: Lucas Amorelli / New Co DSM

Caetano acrescenta que a pasta tem concentrado forças para que a proposta do Centro de Triagem e Compostagem seja transformada em projeto. Novos estagiários devem ser contratados, o que deve acelerar o serviço de cadastramento.

Ele ainda menciona que, acompanhado por três vereadores, percorreu oito municípios do Estado para conhecer projetos relacionados ao assunto.  O trabalho desenvolvido em Porto Alegre surpreendeu:

–  Queremos nos espelhar na Capital. Lá há um hospital (veterinário) maduro e uma boa estrutura.

Carroceiros: vidas invisíveis ditadas a trote de cavalos

De acordo com o prefeito Jorge Pozzobom, o veterinário foi nomeado para coordenar ações sobre o assunto e começou o trabalho ainda antes de 1º de maio, data anunciada para atuação do GT.  Nos próximos dias, a questão dos carroceiros deve voltar ao debate do Executivo:

– Estávamos nos dedicando às questões do aniversário da cidade. Na semana que vem, vamos nos reunir com o secretariado.

O prefeito adianta que já fez um pedido verbal à Associação Riograndense deTransporte Intermunicipal (RTI) para a doação de um ônibus que será adaptado e destinado ao castra-móvel. Outra novidade é que em breve será apresentado à população um reboque específico para o recolhimento de cavalos e  outros animais feridos e em condições de vulnerabilidade. O equipamento está sendo pleiteado por meio de uma parceria.

Situação dos cavalos segue precária
Conforme a presidente do Instituto Assistencial de Bem-Estar Animal (Iabea), Elyeth Viana Bueno, a entidade ainda não foi procurada pelo poder público:

– Não recebemos nenhum convite para realizar nenhuma atividade. E o que vemos é a situação dos cavalos da cidade a cada dia pior.

A boa notícia, segundo Elyeth, é que o instituto caminha para consolidação de um CNPJ. Desde o dia 3 de maio, foi reconhecido em cartório como pessoa jurídica. Isso viabiliza a captação de recursos para encaminhamentos de projetos e, inclusive, para ter uma sede própria. 

Nas rodovias ou no Centro, carroças são risco no trânsito de Santa Maria

A petição online organizada pelo projeto Cavalos Aposentados também segue ganhando novas assinaturas digitais. Até a noite de ontem eram 4.059 mil. O objetivo da entidade é protocolar na Câmara de Vereadores um projeto de lei que proiba o do uso de carroças de tração animal no município.

Um estudo do Iabea  apontou que, até janeiro de 2017, existiam entre 2,8 mil a 3 mil carroças circulando pela cidade e cerca de 2 mil cavalos em situação de vulnerabilidade. O que não se sabe, ao certo é o número de carroceiros, já que entre eles há quem só utilize o veículo de tração animal para passeio e transporte, os carroceiros-freteiros, os carroceiros-feirantes, carroceiros-leiteiros e carroceiros-catadores. De acordo com Alexandre Caetano, estima-se que na última categoria, tenha cerca de 350 trabalhadores, isto é, que dependem do cavalo, da carroça e da coleta de materiais sólidos para sobreviver.

MP vai investigar se há trabalho infantil nas carroças

A comissão do Legislativo
Instaurada em 13 de abril, a comissão especial da Câmara de Vereadores destinada a tratar de veículos de tração animal realizou cinco reuniões e até chamou especialistas para o debate. Segundo a vereadora que preside o grupo, Cida Brizola, na próxima quarta-feira, está marcada, ainda sem local definido, a primeira saída a campo, quando a comissão deve ouvir os carroceiros da Vila Oliveira. Porém, a audiência pública, prevista para ocorrer em maio, já demostra atraso e deve ser realizada somente em junho.

– Estamos trabalhando para apresentar dados e depois fazer nosso papel que o de é fiscalizar. O futuro é promissor se autoridade competentes darem encaminhamento à execução e junto com a comunidade – defende a vereadora Cida.

Ajude
Até a tarde de ontem, cerca de 20 cavalos que estavam internados no Hospital Veterinário necessitavam de doações. Segundo Alexandre Caetano, a necessidade por ração ou feno de alfafa é constante. Quem quiser ajudar, basta ligar para o telefone (55) 3921-7150, informando o endereço do estabelecimento, que a equipe buscará a doação. As doações também podem ser feitas direto no hospital (Av Roraima, prédio 97, número 1000 - Camobi). 


 
 

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