Brasileiro y Regional - Diário de Santa Maria

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Coluna Cultura07/04/2017 | 13h37Atualizada em 07/04/2017 | 13h37

Brasileiro y Regional

Colunista conta como conheceu um dos personagens mais conhecidos do cenário cultural de Santa Maria



Em Canta Maria¿ (um dia eu vim morar)... 

Numa noite de outubro de 2006, "convidado" por um P.A* que soprava (bem equalizado) um samba de raiz bonito e bem tocado, me aproximei para ver do que se tratava. 

Enxerguei um "loco" de boina cantando Bezerra da Silva, Lupicínio Rodrigues, Moreira da Silva, João Nogueira, Beth Carvalho e outros(as) sambistas referenciais.

Assisti a todo show, surpreso por aquela musicalidade, certamente porque não tinha Google naquela época: morava na divisa com o Uruguai, conhecia cumbias, boleros, uns tangos e várias regionais gaúchas, inclusive as de baile; tinha pouco acesso à música brasileira, ela quase nem chegava nas cidadezinhas da "linha fria do horizonte"!

Naquele dia não pude abraçá-lo, pois ele "apeou" do palco, montou no cavalo e se foi¿

Antes disso, havia acontecido uma roda de capoeira em frente ao palco, da qual ele também participou, tocando berimbau e esquivando uns "martelos", de bombacha e pé no chão¿

Fui para outro setor do evento, assistir às provas campeiras (antigamente chamavam de campereadas; hoje são chamadas de rodeio). Novamente enxergo o cantor e capoeirista cantarolando, ainda a cavalo, à capella, inaugurando outra festa!

Mais tarde descobri que aquela mesma figura pró-ativa e disposta já havia animado diversas gerações pelas noites de Santa Maria com as bandas Lady Laura, Gorda Ilíada**, Pedrada, Feijão Maravilha¿

 
Hoje, felizmente podemos ouvir suas obras autorais ganhando registros atemporais em CDs, links e até mesmo na memória de poucos privilegiados(as) que frequentam as rodas de fogo que ele mesmo acende.

Segue em Frente, Pedro Ribas, que teu canto transcenda os convívios e Sararaus do coletivo EntreAutores, encontros taipeiros, rodas da Associação Santa Maria de Capoeira (Grupo Oxóssi), e participações agregadoras no #ClubedaEsquila¿

A ti, minha estima e a singela intenção de umas rimas.

Foto: Marcelo Barcelos Brum / Divulgação


Du Rima!

O meu mestre tem diploma
Que é o exemplo de um capoeira
Corda branca, voz que ecoa
Toda sapiência campeira

Acende o fogo e olha pra cima
Mira a lua y as tres marias
Respira fundo e nos inspira
A sempre dar a volta por Riba

As rodas que ele frequenta
São rituais de ladainhas
Leva um balaio de rimas
A evocar buenos dias

Reponta um sol - brasa mora -
Amarelando o testemunho
Que seu canto vai mundo afora
Pela Pachamama dos sonhos

 

O álbum "Ladainha Campeira" foi lançado em setembro de 2016 no Theatro Treze de Maio, captado em outono de 2015 no Arenal...

Ah, Santa Maria!! Que lugar capaz de abrigar tantos encontros, desencontros e histórias, umas até difíceis de acreditar.

E os artistas, o que têm a ver com isso? São os "locos" que relacionam, relatam ou causam reflexões (sejam profundas ou superficiais) sobre tudo que acontece durante a fusão de culturas oriundas de lugares distintos e causam grandes transformações (pelo menos na nossa cabeça).

Normalmente eles(as) são denominados como vanguardistas, mas este termo é um tanto militarizado para o nobre ofício, prefiro chamar de artistas mesmo; pois eles também enxergam primeiro e vão para linha de frente em defesa de seus ideais, mas com palavras, textos, poemas que até nos sangram, mas ensinam e libertam... Acreditem!


*P.A - Public Audition ou Public Amplification, é de forma geral o conjunto de caixas direcionadas à audição direta da platéia (frontline).

** Nota da editora da coluna
Peço licença, Gadea, mas não poderia deixar passar em branco... 

Meu caro, se na tua memória não há registros da Gorda Ilíada, porque aqui não morava na época em que a banda mais engraçada de Santa Maria fez sucesso, te conto que os guris (Pedro, Antônio, Tatá...)  arrastavam multidões aos palcos do Eventual e do Café Brasil. Conheci os três nos corredores da Faculdade de Comunicação da UFSM, onde o Pedro não estudava. Mas ele sempre foi assim, transitava em todos os prédios, cursos, rodas... com a simplicidade de quem faz amigos de forma fácil.
Sobrinho da minha profe, Eunice Olmedo, o Pedro era vocalista da banda. Te conto, Gadea, que recordo como se fosse hoje do moço vestido de Sidney Magal, carregando uma rosa nos dentes ao cantar "Sandra Rosa Madalena". 
Quem viveu em Santa Maria nos anos 90 certamente lembra com saudade da Gorda, do figurino e das festas animadas por eles. 
Naquela época, não se fazia vídeo em qualquer lugar, como se faz hoje. Mas, achei, esse áudio com uma foto da banda, no Eventual, para você ouvir um pouquinho.


 
 

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