Ciência da incerteza: prever os efeitos da reforma da previdência, da operação carne fraca... - Diário de Santa Maria

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Opinião30/03/2017 | 13h31Atualizada em 30/03/2017 | 13h31

Ciência da incerteza: prever os efeitos da reforma da previdência, da operação carne fraca...

Colunista fala sobre possíveis reflexos dos últimos acontecimentos nacionais para a nossa vida de cada dia

A semana que passou foi passível de vários adjetivos: agitada, conturbada, movimentada. Carne fraca de um lado, terceirização de outro. Sem falar no que estava no meio: Reforma da Previdência, Lava-Jato, delações brotando do meio do deserto. Todos sabemos que esses fatos têm relevância em nossa conjuntura econômica, mas o quanto eles podem gerar de impacto em nossas vidas ainda é uma incógnita.

Uma das disciplinas que trabalho é exatamente a de conjuntura econômica. E com as notícias que tivemos o que não faltaram foram perguntas em sala de aula. Aliás, a semana que passou está entre as que mais geraram debates entre os alunos. Uns acreditando em teorias da conspiração, outros preocupados com a aposentadoria, alguns arriscando que os número divulgados pelo governo em relação à previdência eram falsos.

Pois bem, como responder a tudo isso diante da incerteza econômica e política recorrente em nosso país? E foi exatamente com a palavra incerteza que tive que pautar minhas respostas aos alunos.

A REFORMA DA PREVIDÊNCIA
A Reforma da Previdência nos traz a incerteza se vamos nos aposentar ou não, pessoalmente creio que não, a não ser que a população comece a viver até os 80 anos. A expectativa média de vida no RS subiu de 72,4 anos, no ano 2000, para 77,5 anos, em 2015. Isso nos leva a acreditar que, se chegarmos aos 80 anos e nos aposentarmos aos 75 anos, poderemos usufruir da contribuição previdenciária de uma vida inteira por apenas 5 anos. 

É como digo sempre: economicamente o cenário pode piorar, pois tentem imaginar os trabalhadores do meio rural nesta situação. Não sou contra a reforma da previdência e tenho certeza que devemos realizá-la, porém, a palavra reformar me traz a ideia de "arrumar algo para que fique melhor", e não pior, como está sendo proposto.

CARNE FRACA
Sobre a carne, não temos mais certeza de sua qualidade. Ou melhor, "ou pior", não temos mais certeza se é carne. Alguns produtos industrializados derivados de carne têm sua origem cada vez mais questionada, pois não sabemos se vêm do pasto ou têm sua origem nas árvores.

O que não tenho dúvidas é em relação aos números. Após deflagrada a Operação Carne Fraca, o Brasil perdeu, em uma semana, US$ 130 milhões de dólares relativos a exportações de carne, sendo US$ 40 milhões de dólares relativos aos setores de aves e suínos. A fonte é da própria Associação Brasileira de Proteína Animal.

Segundo a ABPA, "tudo o que deixar de ser exportado não tem espaço para ser absorvido (internamente). Então, tem de diminuir produção e reduzir empregos, o que já começa a ocorrer." Novamente, a incerteza recai sobre os trabalhadores, que para se "aposentarem" um dia, teriam que trabalhar.

TERCEIRIZAÇÃO
A terceirização então, por si só, já é uma incerteza. Alguns dizem que ela veio para "flexibilizar" o mercado de trabalho, outros para desmontar as relações trabalhistas.

Um bom argumento a favor é que em países sérios e desenvolvidos ela tem dado certo, pois há comprometimento e reciprocidade entre patrões e empregados, o que constrói um cenário com alta produtividade e segurança jurídica. Por outro lado, temos a "dúvida" se o salário de funcionários terceirizados tenderão a ser menores.

Uma alteração importante da lei da terceirização é que ela determina a chamada responsabilidade subsidiária sobre todos os direitos trabalhistas, o que significa que a empresa contratante dos serviços da prestadora só pode ser responsabilizada pelo pagamento de déficits trabalhistas depois que esta deixar de pagar os valores a que foi condenada.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Às vezes, o termo "economia" é utilizado, para expressar a "situação econômica de uma nação" ou, então, o que denominamos de "conjuntura econômica". Também temos por definição clássica que a economia pode ser definida como a ciência da escassez.

Portanto, para concluir, arrisco-me a dizer que, no Brasil, a definição de economia e conjuntura econômica podem, por vezes, diferir um pouco das tradicionais, podendo adquirir uma nova denominação: "ciência de incerteza".


 
 

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