A inflação está de volta ou não? - Diário de Santa Maria

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Opinião16/02/2017 | 13h35Atualizada em 21/02/2017 | 11h44

A inflação está de volta ou não?

Colunista de Finanças, Fabio Nascimento traz indicadores que mostram que os dias de hoje não são tão assustadores como antigamente


Caro leitor,

Inicio uma nova jornada como colunista do Diário de Santa Maria online com a enorme satisfação de poder levar até vocês um pouco do mundo econômico, tanto local quanto mundial (micro e macro como nós economistas falamos).

Para nós, economistas, é um desafio traduzir assuntos relevantes do "economês" truncado para uma linguagem que todos entendam. Como já dizia um professor meu..."um dos problemas da economia é a falta de comunicação com a sociedade".

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Trarei assuntos diversos, às vezes, temas agradáveis, outras, nem tanto. Como é caso desse, onde falaremos um pouco sobre inflação (inflação refere-se ao aumento contínuo e generalizado dos preços de uma economia, do meio onde vivemos - ou sobrevivemos). 

Foto: Ronald Mendes / Agencia RBS

Em Santa Maria, temos um grupo de professores e alunos do curso de Economia do Centro Universitário Franciscano, do qual faço parte, que realiza o cálculo Índice do Custo de Vida de Santa Maria (ICVSM), que nada mais é do que a inflação da nossa cidade. Nesse índice, são levados em consideração em torno de 3 mil preços, divididos em grupos como alimentação, transporte, saúde, educação...

Pois bem, qual é a pergunta que não quer calar em relação a este tema? Todos os dias, os economistas são indagados nos meios de comunicação se a inflação está de volta ou não. A resposta vem de uma verdade absoluta que diz que "a voz do povo é a voz de Deus". Basta falar com as pessoas nas ruas que a resposta está na ponta da língua: os preços não param de subir. 

Tecnicamente, a inflação está estável a novos níveis se considerarmos que o ICVSM registrou as seguintes inflações para os últimos 6 anos: 

Ano                  Inflação (%)
2011                  7,59
2012                 5,66
2013                 5,14
2014                 6,71
2015                 10,51
2016                 8,52 

No período analisado, temos apenas um ano (2015) que a inflação está acima dos 10%. Os demais valores todos seguem uma tendência central (em torno de 6,72% ao ano). Esse pico de 2015 pode ser atribuído, em parte, a falta de estabilidade política interna, que afeta diretamente a credibilidade externa do país.

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Quando comparamos esses valores com o nosso passado recente (1989 teve inflação de 1.972,91%, 1990 registrou 1.620,96%* e, 1993, 2.447,15% - fonte IPCA), percebemos que, de certa forma, os novos patamares atuais são bem mais tranquilos de conviver. 

E digo tranquilos, também pela seguinte razão: imaginemos um país com inflação negativa, por exemplo de -10% ao mês. Isso indicaria que o que você comprar hoje, será no mês que vem 10% mais barato. Qual seria sua atitude em relação ao consumo? A resposta mais certa seria adiar o consumo para o período futuro, economizando nosso escasso dinheiro.

Pois bem. Agora imaginemos que isso se repita ao logo dos anos. Como ficaria o sistema produtivo nacional se ninguém comprasse esperando que os preços baixassem...parecido com o quadro de recessão atual?

O certo é que um pouco de inflação é saudável para a economia. Não digo valores como das década de 90 nem os atuais. Digo realmente "um pouco", quem sabe algo em torno de 1% ao ano. Eu não teria no momento a competência para arbitrar este valor, e acredito que quem o fizer deve estar copiando modelos econômicos de outro países (são inúmeras variáveis).

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Assim, nos resta aprender a conviver com o dragão (ou um filhote dele), talvez domesticá-lo e criar novos hábitos para novos patamares de reajustes de preços. Ou então, voltarmos ao que meu pai fazia quando eu era criança: no início do mês, ele enchia o armário de comida. Outra solução momentânea é pesquisar os preços antes de comprar, algo que voltou à moda. 


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