Temos de dialogar sobre gênero - Diário de Santa Maria

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Coluna Vida e Saúde09/10/2017 | 16h17Atualizada em 09/10/2017 | 16h17

Temos de dialogar sobre gênero

Colunista propõe um debate sobre a questão "brinquedo de menina e brinquedo de menino" 

Assistindo ao programa Mundo S.A, da Globo News, lembro de um assunto que vira e mexe faz parte do nosso cotidiano. A realidade do mundo de hoje é que as pessoas estão escolhendo a que gênero pertencem, independentemente de terem nascido com sexo masculino ou feminino. De um lado, há quem defenda que é um modismo e tendência passageira. De outro, que é um novo momento, em que as pessoas assumem suas escolhas sem qualquer tipo de pré-conceito. É inegável que estamos num ambiente de revolução de gênero e temos questões culturais que vão nos manter mais abertos ou fechados para entender esse tema. Mas é fato que o assunto pode colocar pontos de interrogação na cabeça de mães e pais.

O programa tratou especificamento sobre o mercado sem gênero ou agênero. Para quem é mais antigo, falo de unissex, produtos que não são pensados sob o viés feminino ou masculino, mas para ambos. Agora, faço um recorte para a realidade infantil: quem tem "pinto" é menino, quem tem "perereca" é menina. Ou seja, quem nasce "XX" gosta de boneca e da cor rosa e quem nasce "XY" gosta de azul e de brincar de carrinho.

Tenho um casal de filhos em casa, uma menina de 7 anos e um menino de 3. Vejo uma troca constante de brinquedos que foram concebidos para meninos e meninas. Concluo que essa relação do brincar não influencia o gênero a que pertencem ou ao qual pertencerão.

Foto: Pixabay / Reprodução

Reporto ao caso da indústria de brinquedos Xalingo, que fica na quase cidade vizinha de Santa Cruz do Sul. Segundo o dirigente da empresa, até 2004, a concepção de seus brinquedos de madeira e de transformação em plástico tinha uma visão de mercado que considerava conservadora. A partir de então, introduziram "inovação" em seus produtos e começaram a mudar a embalagem de alguns produtos de forma natural, combinando na mesma embalagem imagens de menino e de menina. A Xalingo possue em torno de 65 produtos sem gênero e tende a aumentar a produção desse tipo de brinquedo. A visão da empresa é que os pais mantêm o estereótipo de gêneros. Quando os pequenos começaram a brincar sem gênero, com brinquedos que desenvolvem a parte cognitiva (como os de montar), não há tanta restrição por parte dos pais. 

Porém, com brinquedos com desenvolvimento afetivo, como carrinhos, bonecas e cozinha, a restrição é maior. Uma cozinha que aparece um menino e uma menina na embalagem, lançada em 2014, teve diferentes reações por parte do público consumidor. Conforme a empresa, 90% das reações negativas eram de pais que afirmavam: "não vou dar para o meu filho um brinquedo chamado top chef". Por outro lado, 90% das reações positivas eram das mães. São questões culturais. Uma criança não diferencia esse tipo de coisa, e o comportamento estereotipado geralmente é dos adultos.

Recordo que uma vez escrevi sobre o tema e um leitor me mandou um e-mail dizendo que eu estava tentando acabar com a família tradicional brasileira. São temas delicados que mexem com cultura, comportamento e, obviamente, trarão opiniões diversas. O que quero é fazer um convite aos pais para que reflitam sobre a questão de gêneros e que tenham cuidado para não perpetuar a generalização e intolerância. Por fim, é bom lembrar que, independentemente do gênero que pertencemos, somos todos seres humanos e, na função de pais, estamos ajudando a formar pessoas.

Ao final desta colula _ você deve estar escolhendo o presente do seu filho para o Dia da Criança _ deixo a recomendação de um texto bem bacana para abordar o tema em casa.Leia um texto bem boa sobre como abordar o tema em casa.

 

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