Professor da região integra ONG que ganhou o Prêmio Nobel da Paz  - Diário de Santa Maria

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Reconhecimento mundial11/10/2017 | 09h31Atualizada em 11/10/2017 | 10h02

Professor da região integra ONG que ganhou o Prêmio Nobel da Paz 

Cristian Wittmann, 34 anos, mora em Santa Maria há 20 anos e leciona na Unipampa

Eram 6h da manhã da última sexta-feira quando o telefone de Cristian Wittmann, 34 anos, tocou. Do outro lado da linha, uma amiga avisou que a Organização Não Governamental (ONG) internacional Ican, da qual ele é membro do Comitê Internacional, tinha recebido o Prêmio Nobel da Paz de 2017

Desde então, o professor universitário de Ijuí e residente em Santa Maria20 anos, está dividindo seu tempo entre as felicitações de amigos, entrevistas e a atenção dada à família – principalmente ao primeiro filho, Henry, de apenas um ano e três meses, e à esposa Liana Bohrer Berni.

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A escolha no Nobel da Paz teve 318 candidaturas, sendo 217 individuais e 103 de organizações. Em entrevista ao Diário, Wittmann contou qual a sua participação no projeto.

– A Ican inciou em 2007, mas meu envolvimento começou em 2010, 2011, quando a gente começou a participar de alguns eventos depois de outras frentes bem-sucedidas, e cito especificamente a campanha contra as minas terrestres, que foi Prêmio Nobel da Paz em 2009, e a campanha contra as bombas cluster (termo em inglês para bombas de fragmentação) – disse.

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Os ativistas da Ican são, na maioria, voluntários assim como Wittmann. O ijuiense radicado em Santa Maria graduou-se em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), especializou-se em Gestão Pública e é professor na Universidade Federal do Pampa (Unipampa). 

Na sala de aula, ele dissemina, na prática, os conceitos da Ican. Em casa também, mas lá, a torcida é maior. 

– O orgulho não cabe no peito. Na maioria das vezes, eu acompanho só à distância ou no apoio com o pequeno (o filho), e agora ele faz muita mais falta em casa, mas ver esse resultado não tem preço – disse a esposa. Na entrevista ao lado, conheça mais o premiado ativista.

 Santa Maria , RS, Brasil, 08/10/2017.Cristian Wittmann, professor da Unipampa Livramento,  membro do comitê gestor de entidade ganhadora do Nobel da Paz.
Foto: Charles Guerra / New Co

ENTREVISTA 

DIÁRIO _ Você se considera um prodígio ou alguém muito esforçado?
Cristian _ Esforçado, sem dúvida. Acho que, em primeiro lugar, tenho curiosidade. Isso me toca em todos os aspectos, seja em tentar ter um jardim no quintal de casa, seja em cozinhar ou tirar uma simples fotografia, entender idiomas e assim por diante. Isso sempre me trouxe uma vontade de conhecer e interagir com o mundo. Portanto eu dedico todo esse sucesso, se é que pode se chamar assim, ao apoio da minha família.

DIÁRIO _ Você é professor, e seus pais também. Qual a relação disso com a conquista?
Cristian _ Uma coisa que sempre marcou a minha infância foi o fato do meu pai e minha mãe serem professores. Esse fato sempre foi uma coisa mágica pra mim. A minha mãe dava aula em séries iniciais e, muitas vezes, a minha mãe me levou para a escola. Enquanto ela dava aula, eu ficava desenhando, e isso me marcou muito porque a impressão que eu tinha é de que era uma grande família, uma família aumentada. Com meu pai também, mas ele era professor no Ensino Superior e super bem-quisto, então isso trazia essa impressão da família alargada.

DIÁRIO _ Como você se envolveu com a campanha contra as bombas nucleares?
Cristian _
Quando eu decidi cursar Direito, acabei me envolvendo, desde o segundo semestre, com pesquisa e extensão. Comecei minha faculdade em 2002 e, naquele ano, já estava vinculado a uma equipe de pesquisa. Em 2004, já estava em um projeto contra as minas terrestres. De 2004 a 2007, foi quando eu comecei a me envolver de fato na campanha contra as bombas clusters e, depois, entre 2010 e 2011, foi quando houve esse casamento com a campanha contra as bombas nucleares.

DIÁRIO _ Como você vislumbra o futuro do Brasil e do mundo na questão do armamento?
Cristian _ Embora algumas pessoas estejam em um contexto mais negativo, opressor e totalitarista, por assim dizer, eu tenho confiança que, como em um bom filme, o bem vai vencer o mal no final. Então eu não tenho receio nenhum em confiar em um futuro melhor do que nós estamos tendo hoje, mas obviamente a situação atual gera uma preocupação, quando vemos o avanço do totalitarismo e da perspectiva do armamento com nunca antes na história.


 

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