Eles ficam! Eles transam?, parte 2 - Diário de Santa Maria

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Coluna Vida e Saúde30/10/2017 | 11h37Atualizada em 30/10/2017 | 11h38

Eles ficam! Eles transam?, parte 2

Na coluna de hoje, um convidado especial faz um alerta sobre o crescimento das doenças sexualmente transmissíveis em Santa Maria. E um apelo

Na última coluna Eles ficam! Eles transam?, trouxe algumas das minhas preocupações e constatações em relação ao comportamento dos jovens de umas décadas para cá. A ausência de compromisso com o "ficar", que acabou desqualificando os vínculos afetivos e o sexo praticado sem os devidos cuidados, expondo-os as doenças sexualmente transmissíveis. 

Hoje, convido o médico Thiego Teixeira Cavalheiro, que trabalha com uma das especialidades que eu considero das mais importantes nos dias atuais, a infectologia, para trazer um pouco da sua experiência em consultório sobre essa temática. 

Foto: Arquivo pessoal

No artigo Refletindo sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), Thiego traz a realidade sobre casos de HIV e sífilis em Santa Maria e faz um apelo.


"Como infectologista, pergunto-me diariamente o que poderíamos fazer para não termos casos novos de infecção. Sempre falo que adoro tratar as infecções dos meus pacientes, mas preferiria que os mesmos não as tivessem. É nosso papel, como cuidador de saúde, orientar as pessoas da melhor forma possível para que possam se prevenir de novas doenças, especialmente quando falamos em doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

As DSTs sempre foram consideradas grandes tabus no cuidado de saúde, pois envolvem a intimidade sexual de quem as adquire. Pacientes temem, de uma forma geral, abordar o assunto com seus médicos. Muitos admitem fazer exames somente se são oferecidos e, mesmo assim, com medo. 

Frente a uma realidade de aumento expressivo de casos novos de sífilis, HIV, gonorréia, hepatite B, infecção por HPV, entre outras, entendo que é nossa obrigação abordar esse assunto de uma forma mais responsável. Mesmo que tenham ocorridos avanços no tratamento dessas doenças, e sua mortalidade tenha diminuído, elas ainda podem causar danos irreparáveis ao nosso organismo. Ainda, sem sombra de dúvidas, a melhor forma de enfrentá-las é promovendo e incentivando a prevenção primária, com o uso de preservativo e também orientando as pessoas, para que possa ser feito o diagnóstico mais  precocemente possível.

Enfatizo duas doenças que mais têm me preocupado ultimamente. A primeira, HIV. A segunda, sífilis. Seguidamente ouço que "HIV não mata mais". É verdade que houve avanços inquestionáveis no tratamento, mas lembro que é uma doença que não tem cura. Os antirretrovirais são medicamentos que deverão ser usados durante toda a vida e não são isentos de efeitos colaterais. O planejamento familiar deve ser ainda mais bem executado para que não haja infecção pelo vírus nos recém-nascidos de mães portadoras do vírus. Ainda sabemos que outras doenças relacionadas ao HIV, como câncer, infarto do miocárdio, demência, podem ocorrer com uma frequência mais alta em pacientes portadores do vírus HIV, mesmo com a doença controlada. 

Então, mesmo havendo redução da mortalidade, ainda e sempre será uma doença de grande morbidade. E o melhor é não tê-la. Quanto à sífilis, é unânime a opinião de quem trabalha com DSTs, que está ocorrendo um aumento expressivo de novos casos dessa doença milenar. No mundo, no Brasil e em Santa Maria, os relatos de casos novos são expressivos, refletindo o não uso de preservativos. A bactéria 'Treponema palidum' pode causar graves eventos no organismo como cegueira, inflamação no cérebro, coração e ossos, além de mal formações fetais, quando acometer gestantes. Trata-se de uma doença que deve ser prontamente diagnosticada e tratada da forma mais eficaz possível.

Concluo esta reflexão com alguns pedidos. Devemos, sim, ter medo de adquirir DSTs. Desejo que todos prefiram a prevenção ao invés da doença. Devemos incentivar a prática do sexo seguro, com o uso da camisinha sempre. Espero que possamos sensibilizar as pessoas para que este assunto seja discutido mais amplamente, de uma forma mais direta e respeitosa, e que diagnósticos sejam realizados. Procure o seu médico para revisar seu status de saúde sexual, da mesma forma que procura para revisar outras doenças. Para finalizar, transmito uma orientação da Organização Mundial de Saúde: 'Se algum dia você fez sexo sem uso de camisinha, procure seu médico para fazer triagem de DSTs'."


 

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