Eles ficam! Eles transam? - Diário de Santa Maria

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Coluna Vida & Saúde02/10/2017 | 14h01Atualizada em 02/10/2017 | 14h01

Eles ficam! Eles transam?

Colunistas traz a realidade constatada em seu consultório e faz um apelo aos pais

A demonstração de interesse por algo relacionado a sexo sempre assusta os pais de crianças e de adolescentes. Se, por um lado, os pais ainda estão travados em idéias e atitudes relacionadas à sexualidade, por outro lado, não é isso que se observa na prática com os adolescentes.

Quando os adolescentes resolvem que é a hora de transar, eles transam, independentemente do posicionamento de seus pais sobre o assunto. Para eles, não faz diferença se os pais concordam com isso ou não.

Esse momento, que parece ser um tanto quanto especial na vida dos adolescentes, torna obrigatório que pais e filhos tomem algumas providências. Essas providências são fruto de uma época em que a conduta sexual das pessoas precisa urgentemente resgatar valores como o respeito próprio.

O sexo não tem mais aquela conotação dos anos 40 e 50, em que tudo era feio e proibido. Mesmo assim, existe a necessidade de se ajustar o rumo do pensamento, que nas últimas décadas norteou as gerações, o qual minimizava e reprimia a importância do sexo. O sexo deve ser encarado como um produto final do encontro de intimidade entre duas pessoas, e não como o produto de uma atitude, às vezes precipitada, inconsequente, beirando a promiscuidade, fruto do acaso, da desinformação e do proibido que vira modismo.

Se é fato que os adolescentes começam a transar cada vez mais precocemente, não seria também a hora de os pais tirarem a venda dos olhos? De assumirem essa verdade, tratando de dar aos filhos condições para que, se assim quiserem, o façam sem prejuízo para si e, consequentemente, para os próprios pais?

"Ficar" se tornou quase uma norma entre os adolescentes e é, cada vez mais aceito também entre os adultos. Enquanto, no passado, principalmente, as jovens curtiam platonicamente a possibilidade de aproximarem-se dos seus alvos de interesse, no presente o "ficar" permite um tira-teima da realidade. A ausência de compromisso, podendo ir do beijo à relação sexual vai depender da vontade e das oportunidades que se propiciam.

Se, por um lado, a mudança é positiva, por outro, o "ficar" também ajudou a desqualificar e superficializar a relação afetiva entre os adolescentes. E quer saber? Eles não estão nem aí. No "ficar", a atração física ocupa o papel principal, deixando a afetividade como coadjuvante na maior parte das vezes.

"Ficar" com um hoje, com outro amanhã, com um, dois, três no mesmo dia, numa permanente sucessão de bocas e corpos, expõe os adolescentes também a riscos como a AIDS. Nesse troca-troca quando pinta uma transa ou várias e os cuidados não são tomados, intensificam-se as probabilidades dos jovens se contaminarem através do vírus da AIDS, ou de outras doenças sexualmente transmissíveis.

Imagem meramente ilustrativaFoto: Pixabay / Pixabay

Uma das explicações que encontro para esse comportamento é que a liberação sexual, iniciada a partir da década de 60, que trouxe benefícios e, consequentemente, mudanças nas atitudes das pessoas em relação à sexualidade, trouxe também a confusão e a dificuldade de perceberem os limites no uso da sua liberdade.

Enquanto, com o bom uso da liberdade, você conquista espaços e se torna independente de algumas regras e determinações sociais e familiares, preservando a integridade do seu eu, a atitude libertina conduz ao caminho da irresponsabilidade, da inconsequência, em que o eu sofre um profundo desrespeito.

Existe a urgência e a necessidade crescente de repensar as relações de maneira geral, principalmente em relação à sexualidade, para que, as próximas gerações exercitem seu livre arbítrio com mais harmonia e de forma mais saudável do que atualmente.

 

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