OPINIÃO: A educação no limbo - Diário de Santa Maria

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Artigo13/09/2017 | 18h36Atualizada em 13/09/2017 | 18h37

OPINIÃO: A educação no limbo

Passa eleição, troca governo, muda partido, e a educação sempre é tratada como subproduto

Mateus Frozza
Mateus Frozza

Toda a vez que ministro aula e percebo jovens alunos desinteressados, confesso que perco, em parte, a esperança de um Brasil melhor. Entretanto, estariam esses jovens desinteressados, por que eles mesmos não acreditam mais na mudança? Para o economista e superintende executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, no momento em que o Brasil deveria aproveitar suas últimas décadas de população predominantemente jovem e preparar-se para os desafios tecnológicos e sociais do século XXI, está exterminado sua juventude em uma velocidade assustadora. 

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Foto: Arte DSM

Segundo estudo IPEA, denominado Atlas da Violência, entre 2005 e 2015, o Brasil teve 318 mil jovens assassinados, sendo que a cada 100 jovens, 71 eram negros. O jovem de hoje é o que sofre com as poucas oportunidades de trabalho. O jovem de hoje recorre a informalidade, “entra” no crime, nas drogas, por falta de oportunidade. Oportunidade que o Estado não fomenta e a iniciativa privada não se interessa, pelo simples motivo que não enxerga lucro neste público jovem, exceto as empresas que investem no chamado marketing social. Em nome do ajuste fiscal, do equilíbrio das contas públicas, os cortes governamentais atingiram em cheio as iniciativas de pesquisa no País. 

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As universidades públicas agonizam. Fazer cortes lineares na política fiscal, tanto na literatura quanto na evidência empírica, é um erro. Precisamos, sobretudo, ter uma leitura qualificada, modulada, e saber onde eu preservo e onde deve se fazer investimentos. Fazer economia “tudo por igual”, sem visão estratégica, é um erro estrutural de ajuste que não sinaliza qual é o projeto de transformação que o País tem. Na verdade, somos o País do “zera tudo e recomeça”, sendo que zera e recomeça a cada quatro anos. Passa eleição, troca governo, muda partido, e a educação sempre é tratada como subproduto pelos governantes. Sempre privilegiando o achismo em detrimento ao técnico, à pesquisa e ao acadêmico. A política, como um todo, trata a educação de forma irresponsável. Estamos diminuindo os recursos onde é possível acordos transformadores. 

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A educação, que poderia vir a ser a grande transformação e um novo posicionamento do Brasil como uma sociedade global, é desconsiderada e jogada para segundo plano. Hoje, pelo que percebo, existe indignação com a política vigente. A elite está indignada, perdendo dinheiro com suas aplicações e enfrentando filas. Os jovens da favela estão indignados, sem segurança e com cortes nos programas sociais. Os atores do meio rural estão indignados, com fraco desempenho das exportações e com a queda nos preços das comoditties. Parte relevante da classe média também está indignada, endividada, sem bolsa de estudo e sem renda. O curioso é que os movimentos de indignação não se reconhecem. Permanecem desarticulados, duelando nas redes sociais em vez de ir para rua, seja de verde e amarelo, ou de preto. Falta lembrar que o direito à educação é a principal porta. A educação é aquele direito que abre o caminho para outros direitos.


 

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