OPINIÃO: Em tempos de pós-verdade, cuidados e senso crítico - Diário de Santa Maria

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Artigo12/08/2017 | 15h00Atualizada em 12/08/2017 | 15h00

OPINIÃO: Em tempos de pós-verdade, cuidados e senso crítico

OPINIÃO: Em tempos de pós-verdade, cuidados e senso crítico Arte DSM/
Foto: Arte DSM
João Gilberto Lucas Coelho
João Gilberto Lucas Coelho

No fantástico e assustador terceiro milênio do calendário ocidental que estamos vivenciando, muita coisa surpreende, de bom ou ruim. Dentre elas, a explosão de informações, as possibilidades tão diversificadas de criar ou disseminar, a transparência de um lado e a enxurrada de outro, esta portadora de confusão e falsidade. 

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O indivíduo, atônito ante o volume de informações, notícias e opiniões, tem pouca chance de separar e consumir apenas o que alimente corretamente o seu pensar e o processo decisório pessoal.Surpreendo-me como pessoas com formação e que devem possuir algum nível de descortino deixam-se envolver pelas falsidades disseminadas nas redes sociais e ainda contribuem para levá-las adiante, repassando certas barbaridades. 

Em parte, no que se refere a personalidades ou à política, fazem isso movidas pela radicalização: se o boato trata de um adversário ou de posição oposta à sua, a intriga deve ser verdadeira e repassada adiante. E, nos demais casos, o que move as pessoas a darem curso a boato sem conferi-lo em outra fonte?Já vi centenas de postagens, obviamente, improcedentes. 

Exemplo: matar personalidades é muito comum. O grande arquiteto Oscar Niemeyer, que faleceu com mais de cem anos, foi ¿assassinado¿ umas 10 ou 15 vezes nos boatos de internet antes de seu verdadeiro óbito. Atores da televisão, ainda vivos, já foram anunciados mortos reiteradamente. 

Ora, basta conferir numa página da imprensa se houve o passamento do personagem. Surge sempre a suposição de que estariam escondendo a morte do Fulano, nem que inexista razão plausível para isso.Também li sobre leis e supostas decisões que não existem, sempre com a intenção de causar danos às pessoas que, desesperadas, repassam adiante e assustam outras. 

Mas, esta semana, deparo-me numa rede com a montagem ridícula expondo suposta concorrência pública para adquirir milhares de objetos de uso íntimo que somente são encontrados em lojas ditas ¿sex shop¿ e que seriam destinados à distribuição em escolas. 

Como alguém em sã consciência acredita nisso ou dá sequência, crendo ou não? Uma coisa é ser contra determinado governo, outra coisa é apelar para tal distorção! Em recentes grandes campanhas eleitorais, inclusive a norte-americana, a guerra com notícias falsas foi furiosa e teria influenciado resultados. 

 A tal da pós-verdade para cientistas sociais: na hora de criar e modelar a opinião pública, fatos objetivos têm menos influência que os apelos às emoções e crenças pessoais.Precisamos estar alertas e com senso crítico nas redes sociais. Elas são possibilidades maravilhosas de convívio e informação. 

Todavia, podem gerar graves injustiças – já ocorreu até linchamento de inocente por boato falso em rede. Ou causar pânico coletivo, como a disseminação num momento de tensão social de alarmes sobre arrastões em série que não estavam acontecendo. Pense bem e procure conferir a veracidade, antes de compartilhar ou repassar.

 

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