Hábito de roer as unhas pode ser sinal de transtorno de ansiedade e causar prejuízos à pele e aos dentes - Diário de Santa Maria

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Saúde12/08/2017 | 10h50Atualizada em 12/08/2017 | 10h50

Hábito de roer as unhas pode ser sinal de transtorno de ansiedade e causar prejuízos à pele e aos dentes

Problema afeta entre 20 % e 30% da população mundial. Os motivos para a prática variam  de pessoa para pessoa

Hábito de roer as unhas pode ser sinal de transtorno de ansiedade e causar prejuízos à pele e aos dentes Gabriel Haesbaert/Newco DSM
Foto: Gabriel Haesbaert / Newco DSM

Em alguma hora do dia, você já se deparou roendo as unhas? Os motivos para essa prática variam de pessoa para pessoa. Muitos associam ao nervosismo, ansiedade, tédio, fome, frustração e, até mesmo, como uma forma de relaxamento.  O ato é automático e pode se tornar um hábito comum entre crianças, adolescentes e adultos, especialmente quando a pessoa está envolvida em uma atividade mais tranquila, como ver televisão ou ler um livro. Por outro lado, há pessoas que roem as unhas de maneira intencional.

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O que muita gente não sabe é que o hábito de roer as unhas, chamado de onicofagia, pode estar relacionado com algum transtorno. A gestora ambiental Patricia Scheffer da Silveira, 25 anos, se considera uma pessoa ansiosa. Desde pequena, tem o costume de ficar com a mão na boca. Em função disso, começou a roer unha e, apesar de querer, não consegue mais parar.

– Percebi que roo a unha quando estou nervosa, mas, às vezes, não tem motivo. Do nada, eu estou assistindo a uma série e começo a roer. É um pouco de mania, misturado com ansiedade. Não tem hora nem lugar fazer isso, é como se eu estivesse liberando meu estresse – conta.

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Até no trabalho, ela não consegue se controlar. Patrícia diz que tem vontade de parar de roer as unhas, que já tentou diversas maneiras, mas que não foram eficientes. Esteticamente, é algo que incomoda, principalmente quando vai a algum evento especial.  

– Eu já desisti de tentar parar de roer a unha, já passei esmaltes que têm o gosto ruim, coloquei fita e unha postiça para deixar crescer, mas volto a roer. Consegui ficar duas semanas sem roer, mas, mesmo que eu pare, a unha já está fraca e não vai mais voltar ao normal. Ainda não pensei em procurar um especialista – comenta.

Roer unha é um hábito que também permanece na vida da administradora Caroline Ribeiro Pereira, 31 anos. A proprietária da loja em que trabalha lançou um desafio: se parasse de roer, daria um presente: ir a uma manicure. 

Foto: Gabriel Haesbaert / Newco DSM

– Consegui deixar crescer, fiz as unhas no salão. A minha chefe pagou, só que a unha quebrou e eu não consegui mais deixar grande. Com isso, voltei a roer – diz.

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Caroline notou que a unha está frágil, e isso a desmotiva. Ela começou com esse hábito aos cinco anos, quando ouviu a tia conversando com a avó e dizendo que não era para deixar roer unha. A partir daí, descobriu que dava para fazer isso, começou e nunca mais parou. A vontade é mais forte quando a unha está mole, quando ela mexe mais na água.

–Fico incomodada quando vejo alguém com as unhas bonitas ou quando eu tenho que ir a alguma festa. Olho e penso que a minha poderia ser assim também – salienta.

Problema afeta entre até 30% da população mundial
De acordo com o psicólogo André Assunção, a prática de roer as unhas está associada à ansiedade. Mas não é só isso. Muitas vezes, as pessoas roem a unha como um ato ou hábito que lhes causa prazer. Dados apontam que, no mundo, entre 20% e 30% da população rói unha, e é preciso ficar atento desde cedo com as crianças.

Foto: Gabriel Haesbaert / NewCO DSM

– Uma criança que vive em uma casa que tem muito conflito, briga de pais, disputa, filhos de pais separados, pode ficar ansiosa, com medo ou raiva, e começar a colocar a mão na boca, a se morder ou roer a unha. O problema é quando isso começa a progredir, podendo gerar uma automutilação maior, a tirar pedaços do dedo, aquele velho hábito de tirar só o "courinho", só o "cantinho". Quando percebe, abriu uma brecha no dedo e, daqui a pouco, isso não é o suficiente, e a pessoa passa para outras práticas – explica.

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Já nos adultos, o especialista ressalta que a onicofagia acontece junto com a depressão ou ansiedade. Isso pode fazer com que a pessoa roa a unha para descarregar o nervosismo. Dependendo da situação que ela está vivendo, pode iniciar qualquer tipo de patologia.

Especialistas ressaltam que é comum que surjam diversos problemas de saúde, como ferimentos que servem de entrada para o vírus HPV (causador de verrugas na pele) ou bactérias, causando infecções e inflamações.  Outras consequências são a ingestão de germes e a ocorrência de lesões em volta da pele, caracterizadas por inchaços, vermelhidão e aumento da sensibilidade. Além disso, altera o formato da lâmina da unha. A dermatologista Giana Paula Müller conta que, por mês, pelo menos 10 pessoas que vão ao consultório apresentando o "problema", mas têm vergonha de mostrar as mãos e de assumir a luta.

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– As pessoas que roem as unhas têm vergonha e, por isso, procuram um especialista por outro motivo. Na hora da consulta, eu acabo vendo e perguntando se o paciente quer fazer tratamento. A maioria é de adolescentes, que é a fase onde há maior incidência. Mas, normalmente, tem início na infância – reforça.

Sequelas
O vício também pode prejudicar a dentição de crianças, adolescentes ou adultos que roem as unhas. Eles podem fraturar, lascar ou desgastar os dentes por conta do estresse local causado por esse hábito. Risco ainda maior quando já se tem uma pressão derivada do uso de aparelhos ortodônticos. Nesses casos, os dentes podem sofrer uma pressão aumentada pela onicofagia e resultar em reabsorções das raízes dentárias, até a possível perda do dente. A cirurgiã-dentista Isabel Garcia Pötter explica que essa prática diária pode apresentar dores na face, cabeça, sensibilidade dentária e retração na gengiva. Outros riscos para a saúde bucal são feridas e lacerações (brechas) nos tecidos gengivais, que podem ser provocadas através das pontas cortantes das unhas.

Foto: Lucas Amorelli / New Co DSM

– As mãos, em consequência as unhas, são usadas para realização de diversas tarefas diárias, como escrever, trabalhar, pegar e carregar coisas. Com isso, acabam tendo contato com inúmeros tipos de bactérias e vírus ao longo do dia. Quando roemos as unhas, levamos todos esses microorganismos que estão presentes nas mãos e embaixo da superfície da unha até a boca. Sendo uma fácil porta de entrada para doenças, problemas respiratórios, gastrointestinais e até mesmo doenças mais graves –  enfatiza a dentista.

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Muitas vezes, quem rói a unha ou as cutículas, acaba engolindo um pedaço. Para o gastroenterologia Thomaz  Carneiro da Cunha, 84 anos, do ponto de vista digestivo isso não funciona como uma agressão porque os resíduos serão eliminados nas fezes.

Foto: Thays Cervi Ceretta / NewCo DSM

– É um problema relativamente frequente, mas que seguramente não é motivo para consulta médica. Na minha vida eu tenho visto mais adultos roedores de unhas do que crianças – ressalta.


 

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