Mulheres viajantes  - Diário de Santa Maria

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Coluna Sociedade05/04/2017 | 13h30Atualizada em 05/04/2017 | 13h30

Mulheres viajantes 

Colunista recorda o tempo em que sua mãe "viajava" pelos livros para falar sobre uma mudança de costume


Felizmente, os tempos continuam mudando para nós, mulheres. Não sem luta, é óbvio.

Foto: pixabay / pixabay

Assisti a minha mãe aguardando pacientemente as "férias grandes" para rever as filhas, filhos, netas e netos. Ela quase nunca viajava. Esperava. Ou melhor, viajava através dos livros, músicas e poesias. Conhecia muitos lugares pelos olhos do Jorge Amado, Graciliano Ramos, JM Simmel, Moacir Scliar, Érico Veríssimo, Clarice Lispector, Luis Fernando Veríssimo e tantos outros. Nas prateleiras da nossa casa, haviam muitas coleções com fotos e descrições de diferentes países. Os livros auxiliavam para que ela detalhasse Veneza ou Paris sem nunca ter colocado os pés lá. Poderia até mesmo narrar o cheiro desses territórios.

Meu pai, amante da boa música, colaborava ouvindo tango e fantasiando a Argentina, por exemplo. Posso dizer que eles não limitaram seu espaço dentro das paredes da casa. Rodaram o mundo na sua imaginação.

Dona Glaura vibrava quando as filhas e netas voltavam de alguma viagem, principalmente nas que foram sós. Ficava espantada com a "coragem e bravura" das meninas. No seu tempo, feminino era sinônimo de caseiro. Aliás, ficava muito emocionada com mais mulheres dirigindo, trabalhando, chefiando.

Ah! minha mãe. Como gostaria de poder te contar que na minha última andança vi muitas echarpes voando por aí. Algumas viajando, inclusive, em bandos. Não que não seja bom ter um companheiro para curtir o trajeto. Mas, viajar com mulheres, tem gosto de liberdade.

Queria tanto te mostrar as fotos e os vídeos dos aeroportos cheios de risadas femininas. Estamos percorrendo os lugares não apenas pelos livros, músicas ou poemas. Buscamos informações, escolhemos as regiões que queremos (e podemos) e partimos. Quase simples assim. Claro que é necessário muito planejamento e reserva de economias.

As mochilas levam o básico. As bagagens maiores carregam diferentes sapatos, bolsas, cremes. Malas grandes ou pequenas, de todas as cores se espalham pelos aeroportos. Com medo ou sem, vamos nós pelo mundo para sentir o sabor de experimentar novas experiências. Mas as mulheres que estão embarcando para viverem novas aventuras pouco se importam se o cabelo está alinhado ou se o permitido nos pertences são frascos de 50ml ou 100 ml.

O sorriso que carregam é muito mais bonito do que algum padrão de beleza imposto pela sociedade. Ansiamos mesmo é por um tênis confortável, que suporte tanta caminhada. Não queremos perder tempo nem mesmo na hora de passar na esteira de revisão de bagagens dos aeroportos. Temos pressa de curtir a vida!

Se o itinerário é de passeio, negócios, cursos ou congressos, não interessa. Queremos desbravar novos espaços e aproveitar todas as oportunidades.

Meus mais sinceros agradecimentos Wollstonecraft¿s, Woof¿s, Boucher¿s, Beauvoir¿s Frida¿s, Pagu¿s e tantas outras. Mulheres que direta ou indiretamente nos inspiram para sermos mais atrevidas, decididas, bem resolvidas.

Sobre algumas das mulheres citadas como inspiração

Mary Wollstonecraft (1759-1797)
"Que a mulher partilhe dos direitos dos homens e ela estimulará suas virtudes"
_ Defesa dos Direitos da Mulher, 1792

Virgínia Woof (1882-1941)
"As mulheres ficaram sentadas no interior de suas casas durante milhões de anos, embora, no presente, os próprios muros estejam impregnados de sua força criadora" _ "Um Quarto para Si"

Foto: Ver Descrição / Ver Descrição

Helène Boucher (1908-1934)
Rali Paris Saigon, 1929 _ Recorde Mundial de Velocidade, 08/08/1934

Simone de Beauvoir (1908-1986)
"Não se nasce mulher, nos tornamos mulher"
"A libertação das mulheres começa no ventre"
"O Segundo Sexo, 1949"

Foto: Curta 1 / Divulgação

Frida Kahlo (1907-1954)
Pintora Mexicana que exerceu grande liberdade. Em 1939 expõe em Paris na galeria Renón et Colle. A partir de 1943 dá aulas na escola La Esmeralda, no México. Em 1953 a Galeria de Arte Contemporânea desta mesma cidade organiza uma importante exposição em sua honra.

Foto: Ver Descrição / Ver Descrição

Patrícia Rehder Galvão – Pagu (1910-1962)
Escritora, poeta, diretora de teatro, tradutora, desenhista, cartunista, jornalista e militante política brasileira.
"Esse crime, o crime sagrado de ser divergente, nós o cometeremos sempre"


 

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