VÍDEO: Há quatro décadas, seu Nêne afia o amor à profissão no feitio e reparo de facas em Santa Maria - Diário de Santa Maria

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Bairro Uglione04/03/2017 | 16h00Atualizada em 06/03/2017 | 10h35

VÍDEO: Há quatro décadas, seu Nêne afia o amor à profissão no feitio e reparo de facas em Santa Maria

Cuteleiro Elizeu Nicoloso, 61 anos, só trabalha sob encomenda

VÍDEO: Há quatro décadas, seu Nêne afia o amor à profissão no feitio e reparo de facas em Santa Maria Lucas Amorelli/New Co Dsm
Foto: Lucas Amorelli / New Co Dsm
Pâmela Rubin Matge
Pâmela Rubin Matge

pamela.matge@diariosm.com.br

Uma antiga arte manual também virou a profissão de Elizeu Nicoloso, 61 anos. Ele é cuteleiro e, há cerca de quatro décadas, não vê as horas do dia passarem enquanto confecciona e restaura facas.

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São cerca de seis peças por dia e clientes de todos os cantos do Estado, que a todo instante procuram pelo "Seu Nêne", como é popularmente conhecido. Eventualmente também faz adagas e chairas. 

Assista ao vídeo:

O preço dos materiais varia de R$ 50 a R$ 200. Tudo depende do tamanho, do cabo (madeira ou chifre) e do próprio acabamento.Somente no atual endereço, na Avenida Hélvio Basso, 1.397, no Bairro Uglione, já são quase 20 anos. Na oficina onde trabalha, nos fundos da própria casa, não há nem placa. E nem é preciso, pois serviço não falta. Ele conta orgulhoso que tirou do aço o sustento dos dois filhos.

– Não estudei e foi isso que aprendi e gosto de fazer. Meu trabalho é artesanal mesmo, vou me entretendo e não tenho horário para parar. Às vezes, tem que vir me chamar porque nem vejo que já é noite. Não dou vencimento aos pedidos – conta o cuteleiro apontando para uma bancada cheia de encomendas.

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Casado e natural de Santa Maria, conta que a prática vem de família. O pai e um tio já exerciam a mesma atividade. Em Santa Maria, chegou a trabalhar na extinta fábrica de facas Palmeira, mas, há anos, atua de forma independente e tem a própria marca: Sul Facas. 

Foto: Lucas Amorelli / New Co Dsm


Segundo ele, é para identificar a procedência, caso contrário, a faca fica ¿orelhana¿, expressão típica destes pagos que indica um instrumento "liso", sem dono e sem referência.

Qualidade como diferencial
De discos de aço saem afiadas facas. O processo denominado têmpera, que, segundo seu Nêne, garante a "dureza" do acessório, envolve a queima da lâmina na labareda, alguns minutos de mergulho na graxa, batidas e batidas com uma bigorna e, por fim, o resfriamento na água.

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Depois, o acabamento passa por afiação, lixamento e, claro, toda habilidade e paciência do profissional. As facas são comercializadas por encomenda e muito procuradas por colecionadores. Há também quem compre para campereada, para cozinha ou para presentear alguém. A propósito, o cuteleiro refuta aquela lenda de que "não se dá faca para amigo porque corta a amizade":

– Se isso fosse verdade, eu estaria rodeado de inimigos de tanta faca que já dei de presente. Mas que eu saiba, não tenho nenhum – brinca seu Nêne, que não dá trégua ao trabalho, nem enquanto conversa.

Foto: Lucas Amorelli / New Co Dsm


 
 

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