VÍDEO: crianças cruzam Arroio Cadena penduradas em tubos e por dentro da água  - Diário de Santa Maria

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Santa Maria23/03/2017 | 16h50Atualizada em 23/03/2017 | 19h14

VÍDEO: crianças cruzam Arroio Cadena penduradas em tubos e por dentro da água 

Conforme moradores do Vila Brenner, o fato ocorreu depois que a prefeitura retirou uma pinguela que servia de passagem

VÍDEO: crianças cruzam Arroio Cadena penduradas em tubos e por dentro da água  Reprodução/
Foto: Reprodução

Um vídeo caseiro gravado por moradores da Vila Brenner flagrou uma situação de perigo a qual crianças e adolescentes ficaram expostos na manhã desta quinta-feira, em Santa Maria.

As imagens (o vídeo foi editado pela Diário para preservar a identidade dos envolvidos) mostram as crianças cruzando por dentro do Arroio Cadena, que divide os bairros Caturrita e Divina Providência. Alguns cruzam de um lado para o outro agarradas em encanamentos da Corsan, a uma altura de aproximadamente 2 metros do chão sem qualquer proteção. A tubulação fica ao lado de onde havia a pinguela.

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Conforme os moradores que registraram as imagens, as crianças são moradoras da Vila Brenner e estudam em escolas localizadas no bairro Caturrita, separado pelo Arroio Cadena da vila. Elas teriam utilizado a passagem, contam os moradores, depois que a prefeitura demoliu, na manhã de hoje, uma pinguela de madeira que havia sobre o Cadena. 

Estrutura de madeira dava sustentação à pinguela de madeira, que ficava ao lado de uma tubulação da Corsan Foto: Gabriel Haesbaert / NewCo DSM

Por volta das 7h30min, funcionários da prefeitura chegaram ao local com máquinas e realizaram o serviço. Segundo os moradores do bairro, não houve aviso prévio, e a retirada da ponte causa transtornos para a vizinhança.

– Minha filha tem asma e não pode caminhar por trechos muito distantes. Hoje, por conta desse serviço, tive de pedir a um vizinho para que levasse minha filha à escola, que fica do outro lado do arroio. É uma falta de respeito com os moradores e ninguém nos deu satisfação – afirmou à equipe do Diário a mãe de uma aluna da Escola João Pedro Menna Barreto.

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A reclamação dos moradores é que, sem a pinguela, as crianças precisam andar por cerca de 30 minutos até chegar às escolas. Isso porque é necessário dar a volta no arroio, passando pela Avenida Borges de Medeiros, onde há bastante fluxo de veículos.

– A ponte estava meio ruim, mas dava para passar. Motocicletas, bicicletas... tudo passava por ali e nunca houve nenhum acidente. Já fizemos um abaixo-assinado para encaminhar à prefeitura com o pedido de construção de uma nova ponte, pois não há condições de ficarmos nessa situação. É um perigo para as crianças – comentou a doméstica Simone Silva.

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O Diário esteve no local no começo da tarde e constatou a mesma situação flagrada pela manhã: crianças cruzando o arroio agarradas ao encanamento. Outras, desceram o barranco e passaram pelo meio do Cadena. A minoria deu a volta no arroio para chegar ao outro lado. Não havia qualquer sinalização informando que a passagem no local é proibida.

 Margarete Storgatto, moradora da Vila Brenner há 32 anos, alega que a retirada da ponte dificultou a rotina de todo o bairro. A revolta dos moradores se dá por conta do serviço ter sido realizado sem o consentimento dos moradores:

– Há trabalhadores, alunos, professores, uma série de gente que usava a ponte para cruzar para o outro lado. E agora, como fica? Nós, moradores, não fomos consultados antes de retirarem tudo. Acordamos e, quando vimos, já não tinha mais nada. Ficou bem complicado, agora... – declarou a moradora.

O QUE DIZ A PREFEITURA
Conforme a Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos informou por e-mail ao jornal, a pinguela foi retirada por questões de segurança. Laudos técnicos de engenheiros constatarem que ela apresentava riscos aos usuários. 

A assessoria de imprensa da prefeitura informou que a Defesa Civil também já havia solicitado a retirada da estrutura por entender que a pinguela colocava em perigo a integridade física da população. 

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De acordo com a secretaria, nenhuma estrutura será reposta no local por haver um projeto do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para aquela região, no qual é prevista a continuidade da Rua José Barin e de outras vias da localidade.

A prefeitura disse, ainda, que entrará em contato com a Corsan para informar que a tubulação está sendo utilizada pelos moradores para fazer a travessia.

O QUE DIZ A CORSAN
José Epstein, superintendente da Corsan em Santa Maria explica que a tubulação é responsável pelo abastecimento de água na Vila Brenner e que não há como fazer de outra maneira. Ele garante que a Corsan deve instalar placas informativas, dizendo ser proibido passar pelo local. Além disso, a Corsan deve analisar se há uma forma de fazer uma barreira física, evitando a passagem, sem que essa instalação ofereça outro tipo de risco. 

DE QUEM É A RESPONSABILIDADE?
O Diário ouviu o Conselho Tutelar para entender as responsabilidades nesse fato, que envolve crianças em situação de risco. Conforme o Conselho Tutelar, a responsabilidade pelas crianças é tanto da prefeitura quanto dos responsáveis. Segundo o órgão, essa é uma situação atípica e, em caso de acidente, pode se enquadrar em uma investigação policial.

De acordo o Conselho Tutelar, o que pode ser feito, nesse caso, é um pedido à prefeitura para que restabeleça a passagem ou interdite o local. O órgão alerta para que, caso haja uma sinalização proibindo a passagem de pessoas, a responsabilidade de manter a segurança das crianças é dos pais e dos responsáveis.

– Essa é uma situação bem complicada, pois nunca tivemos um caso assim. Acredito que não se enquadra em um caso de negligência dos pais, mas não quer dizer que, ao deixarem os filhos correrem esse risco, não estejam sendo irresponsáveis – afirmou outra conselheiras, que não quis ser identificada.

 

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