Municípios podem servir de exemplo para Santa Maria tratar da questão dos carroceiros - Diário de Santa Maria

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Polêmica18/03/2017 | 10h49Atualizada em 19/03/2017 | 18h41

Municípios podem servir de exemplo para Santa Maria tratar da questão dos carroceiros

Cidades iniciaram processo de mudança com a criação de cooperativas de recicladores

Municípios podem servir de exemplo para Santa Maria tratar da questão dos carroceiros Projeto Cavalo de Lata/Divulgação
Protótipo de carro elétrico, desenvolvido em Santa Cruz do Sul, foi usado no Estádio Beira-Rio durante a Copa do Mundo  Foto: Projeto Cavalo de Lata / Divulgação

No momento em que Santa Maria volta a discutir a problemática que envolve os carroceiros – questão social, sanitária, de bem-estar animal e de trânsito, entre outras – cidades do Estado e de fora podem ser bons exemplos a serem seguidos. 

O Diário falou com as prefeituras de três municípios: Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, Lages, em Santa Catarina, e Foz do Iguaçu, no Paraná. Todos ainda têm carroceiros circulando pelas ruas. Centenas deles. Mas já avançaram em relação ao Coração do Rio Grande. As três cidades têm cooperativas de catadores que, sozinhas ou em parceria com empresas, fazem a coleta dos resíduos sólidos, a reciclagem e a comercialização. Processo que, por aqui, ainda está sendo discutido.

Em Lages, lei para redução de carroceiros foi proposta por defensores dos animais

– Estamos dialogando sobre a criação de uma cooperativa de recicladores para, com todo o respeito à dignidade desses trabalhadores, ir retirando paulatinamente as carroças (de tração animal) que, além dos casos de maus-tratos, causam inúmeros outros problemas. Estamos pensando em ter pontos de concentração e de distribuição de materiais. Se colocarmos em uma balança, os malefícios se sobrepõem aos benefícios dessa atividade (de carroceiro). Temos que manter o trabalho dessas pessoas, que é de utilidade pública e de interesse social, mas conferir a elas uma salubridade maior e produzir um impacto menor na mobilidade urbana – disse o secretário de Meio Ambiente de Santa Maria, André Agne Domingues.

Santa Maria não tem controle nem dados sobre os carroceiros

É de Santa Cruz que vem protótipo de carrinho elétrico 

Foi em Santa Cruz do Sul que o ex-vereador santa-mariense, Cezar Gehm, foi buscar uma alternativa para o uso de carroças de tração animal. Ele foi ao município do Vale do Rio Pardo conhecer a iniciativa Cavalo de Lata e apresentou um projeto sugestão ao Executivo de Santa Maria (porque o Legislativo não pode aprovar projetos que gerem gastos ao município), em 2015. A proposta não prosperou.

O engenheiro de produção Jason Duani Vargas, idealizador do Cavalo de Lata, trabalha há quatro anos, em Santa Cruz, na fabricação de protótipos de veículos elétricos para coleta de resíduos. Um dos modelos foi apresentado em Santa Maria, durante uma Feira do Livro, tempos atrás. Mas existem modelos mais acessíveis, como a bicicleta com caixa coletora e um de tração humana.

Projetos de ex-vereador para melhorar situação dos carroceiros foram engavetados

Segundo a coordenadora do Departamento de Controle e Qualidade Ambiental de Santa Cruz, a biológa Daniela Silveira, o projeto Cavalo de Lata ainda não foi implementado na cidade por duas questões: a viabilidade financeira e a regulamentação junto ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran). É que o protótipo mais elaborado, de quatro rodas, movido à bateria, necessita de uma liberação para trafegar, assim como o condutor precisa ter Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Ele foi utilizado, no ano passado, no Estádio Beira Rio durante os jogos da Copa do Mundo, em parceria com cooperativa de catadores de Porto Alegre (Catapoa) e a Coca Cola.

– Esse modelo tentamos aprovar para rodar livremente mas barrou no Contran, que por ser elétrico e novo conceito criou uma série de barreiras. Inclusive queria que colocasse freios abs e air bag num carrinho que roda até 25 km/h – disse o engenheiro.

Prefeitura inicia estudo para solucionar problema das carroças em Santa Maria

No aspecto da legislação, Santa Cruz tem uma lei que prevê a redução gradativa da circulação de veículos de tração animal na zona urbana, em um prazo final de nove anos. A proposta foi apresentada pelo vereador Gerson Trevisan (PSDB) no ano passado e sancionada pelo prefeito reeleito Telmo Kirst no último trimestre de 2016. A lei estipula também que, em um prazo de quatro anos, o município faça o cadastro dos atuais carroceiros e elabore políticas públicas para garantir a colocação dessas pessoas no mercado de trabalho.

A inclusão dos catadores foi parcial na cidade, conforme a bióloga, na medida em que somente parte das famílias que sobrevivem da venda de materiais recicláveis foram inseridas no programa municipal de coleta seletiva. Nele, a prefeitura terceiriza a coleta desse tipo de resíduos por meio de um contrato com a cooperativa de catadores da cidade. A cooperativa tem entre 70 e 80 cooperados que usam carrinhos de tração humana numerados. A coleta é feita em nove dos 36 bairros da cidade. Mas ainda existem muitos carroceiros na cidade.

Santa Maria tem 3 mil carroças e uma problemática a resolver

– Vamos fazer um recadastramento e identificar quais as políticas públicas serão desenvolvidas a partir desse quantitativo. Até porque percebemos que com esse momento de crise econômica, muitos safristas e pessoas de outros setores acabaram migrando para a catação informal. Temos que ver em quais benefícios podemos inserir essas pessoas – disse a bióloga.

Os protótipos

O projeto Cavalo de Lata desenvolveu três tipos de veículos: as bicicletas, os truck (rebocadores elétricos) e os carrinhos elétricos manuais.

Truck elétrico
z De quatro rodas, autonomia de 60km com uma carga de bateria. Necessita de CNH
z Com capacidade de até uma tonelada
z Velocidade de 25km/h
z Preço a partir de R$ 58,5 mil

Bicicletas cargueiras
z Preço inicial de R$ 6,9 mil
z Capacidade estrutural de carga até 200kg 

Carrinhos elétricos manuais
z Valor de R$ 22,5 mil
z Capacidade de carga de até uma tonelada

 
 

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