Missa em homenagem à neta do fundador da UFSM será hoje - Diário de Santa Maria

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Luto16/03/2017 | 09h10Atualizada em 16/03/2017 | 10h39

Missa em homenagem à neta do fundador da UFSM será hoje

Stefania Barrichello, 33 anos, morreu no último dia 10, em Londres

Missa em homenagem à neta do fundador da UFSM será hoje Patricio Orozco-Contreras/Arquivo Pessoal
Foto: Patricio Orozco-Contreras / Arquivo Pessoal
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Nesta quinta-feira, às 18h, será realizada uma missa em memória de Stefania Eugenia Francesca Margherita Mariano da Rocha Barichello, na Catedral Metropolitana de Santa Maria. Ela morreu no dia 10 de março, aos 33 anos de idade, em Londres, de causas naturais. 

Filha de Cesare Barichello e de Eugenia Maria Mariano da Rocha Barichello, Stefania dedicou a vida ao conhecimento e explorou o mundo por conta dos estudos. Fez mestrados na Itália e na Suécia e trabalhou na missão diplomática do Brasil em Genebra, na Suíça.

Neta do fundador da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), José Mariano da Rocha Filho, Stefania residia na Europa desde 2012, onde finalizava o doutorado em Direitos Humanos na Universidade de Londres. No dia 1° de dezembro de 2016, ela teve a oportunidade de receber a Rainha Elizabeth II da Inglaterra, como Representante dos Estudantes. 


UMA HOMENAGEM 

O Diário publica hoje um texto escrito por Stefania Barichello para o jornal. O relato sobre sua vida fora de Santa Maria havia sido solicitado alguns dias antes para publicação na seção "Daqui pelo Mundo".

Gentil e educada, Stefania, que nessa quarta-feira faria 34 anos, aceitou o convite e manifestou o interesse, inclusive, em seguir colaborando espontaneamente com o jornal, enviando artigos sobre suas "andanças" pelo mundo e também fotografias, uma de suas paixões.

Ela escreveu seu relato, mas não chegou a enviá-lo ao jornal. Sua família, contudo, recuperou o texto que Stefania havia deixado pronto e o enviou à Redação, autorizando a publicação.

O TEXTO

Stefania, de vermelho, quando recebeu a Rainha Elizabeth da Inglaterra, como representante dos estudantes Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Minha vida fora do Brasil

"Minha vida de estudos e trabalhos fora do Brasil teve início no ano de 2009, após finalizar o Mestrado em Integração Latino-Americana na UFSM, cuja dissertação tem o título de Direito Internacional dos Refugiados na América Latina: o Plano de Ação do México e o Vaticínio de Hannah Aredt, orientada pelo professor Luiz Ernani Bonesso de Araujo. Logo após o término do mestrado no Mila (UFSM), fui selecionada para a Missão Permanente nas Nações Unidas em Genebra, onde trabalhei por seis meses e de onde tenho excelentes lembranças. Foi lá que aprendi a ter maior amor ainda pelo tema da solidariedade para com os seres humanos.

O meu segundo mestrado foi realizado na Universita degli Studi di Udine, Itália, com período sanduíche na Universidad Nacional de Cuyo. O título da minha dissertação foi: Il Diritto Internazionale dei Rifugiati in America Latina e nell unione Europea: effetti e sfide per la protezione dei Rifugiati nei due contesti. Orientadores: Bruno Telli (Itália), Patrizia Tiber (Argentina). O meu terceiro mestrado foi o European MA in Human Rights and Democratisation, na European Inter-University Centre for Human Rights and Democratisation, EIUC, na Itália, com período sanduíche em Uppsala University (Orientador: Karin Ahman). Título: Towards a Common European Asylum System: refugee protection in the EU and the Need for a more comprehensive burden-sharing approach. Ano de Obtenção: 2011.  

Stefania ao lado do filósofo Zygmunt Bauman Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Como vocês podem ver, entre 2009 e 2011 eu fiz dois mestrados fora do Brasil, publiquei muito, e morei e trabalhei em Genebra (Suíça), Udine e Veneza (Itália) e Cuio (Argentina). Quando terminei o terceiro mestrado, a questão da responsabilidade para com os refugiados e a visão de sua proteção sob os princípios de solidariedade e responsabilidade já haviam tomado conta da minha mente e do meu coração.

Fui para Londres para participar de Grupos de Pesquisa e tentar o doutorado lá, em 2012. Atualmente, estou terminando o PhD in Refugee Law, em Londres, na School of Advanced Study – University of London, SAS, Grã-Bretanha. O título é Direito dos refugiados na América Latina: uma proposta de responsabilidade compartilhada e proteção complementar. Meu foco são os Vistos Humanitários como um paradigma que vai além do burden-sharing. Destaco o espírito solidário e a responsabilidade para com os outros países, que vem sendo desenvolvida pela América Latina, e consolidada pelo termo Espírito de Cartagena, que traduz as revisões regulares feitas nos Planos de Ação, desde 1984, que mostram a unicidade da América Latina no trato com os refugiados. 

Em Londres, encontrei um espaço fértil para os estudos na Universidade de Londres e um lugar para morar que é uma verdadeira comunidade, o Goodenough College, que me proporciona desenvolver a minha vontade de servir e ajudar.

Em 2014, tive o prazer de conhecer o grande sociólogo, pensador e escritor das Ciências Humanas, Zygmunt Bauman, em um curso na London School of Economics and Politics e receber um autógrafo em meu livro. Em 2015, reencontrei Antonio Manuel de Oliveira Gutierres, atual secretário geral das Nações Unidas, em Londres, que havia conhecido em Genebra. 

Na foto, numa missão da ONU Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

O fato de falar quatro idiomas (inglês, italiano, espanhol e português) faz com que me chamem também para representar o Brasil, a Comunidade Europeia e a Grã-Bretanha. Como hobby, tiro fotos, e há um ano fiz uma belíssima exposição, patrocinada pelo Goodenough College, onde fotografei todos os seus funcionários, desde o mais simples ao mais graduado em seus ofícios. E como fotógrafa, algumas poucas vezes fui convidada para realizar trabalhos como modelo fotográfico.

Com Antonio Guterres, secretário-geral da ONU, e Lilian Jubilut em 2016, em Londres. Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Em dezembro de 2016, fui designada líder da London House, e, nessa condição, fui escolhida para receber a Rainha Elizabeth II, em evento festivo no Goodenough College. Foi uma emoção indescritível apertar a mão daquela senhora de 90 anos, com um vibrante vestido amarelo e um sorriso lindo no rosto, que me perguntou com voz firme e doce: quais eram as minhas atribuições como Membro do Conselho.  

Ontem, recebi o aceite de mais dois capítulos de livros, o que me deixa muito feliz. Quero continuar destacando a atuação solidária e ímpar de nossa América Latina e de nosso querido Brasil como exemplos para a superação da atual crise mundial dos refugiados, com base na solidariedade e na responsabilidade compartilhada."

 

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