Justiça determina saída de 31 famílias de área da UFSM - Diário de Santa Maria

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Reintegração de posse06/03/2017 | 09h52Atualizada em 06/03/2017 | 09h52

Justiça determina saída de 31 famílias de área da UFSM

Moradores do local há mais de 50 anos, precisam sair até 21 de março

Justiça determina saída de 31 famílias de área da UFSM Lucas Amorelli/New Co DSM
Na segunda-feira da semana passada, seis casas já estavam abandonadas e parcialmente destruídas Foto: Lucas Amorelli / New Co DSM

Há 34 anos, a dona de casa Luciane Pereira Machado mora no campus de Camobi da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em uma ocupação nos fundos do Centro de Educação Física e Desportos.

Porém, ela e outras 31 famílias, que somam em média 120 pessoas, foram notificadas pela Justiça de que, até 21 de março, todos devem sair do local. O advogado que representa as famílias, Lauro Bastos, recorreu da decisão, o que pode aumentar o prazo de permanência no local.

Luciane diz que se criou ali, pois seu avô, o aposentado Agemiro Pereira, 84 anos, foi o primeiro morador da localidade e vive há 53 anos na mesma casa. Depois, os pais dela também construíram no local. Ela seguiu os passos da família e vive na área com o marido, o auxiliar de manutenção Volmar Machado, 44 anos, e os dois filhos, Davi, 8, e Samuel, 4 meses.

A dona de casa conta que o avô construiu a casa no local para ficar mais perto do trabalho em uma olaria, que também fica na UFSM, em frente às residências. O estabelecimento era da instituição de ensino há cerca de 50 anos, de acordo com o reitor da instituição Paulo Burmann.

Outra pessoa que também foi morar no local para trabalhar na olaria é o aposentado Amauri Severo de Sousa, 72 anos. Ele conta que trabalhou no estabelecimento por sete anos e, depois, se tornou vigilante em outro local da cidade, mas continuou morando na UFSM.

Seu Amauri e a irmã Eva moram no local, em casa separadas, há 40 anos. Agora não sabem para onde ir quando prazo acabar Foto: Lucas Amorelli / New Co DSM

Amauri mora com uma filha, que tem necessidades especiais. A irmã dele, Eva de Sousa Salles, 81 anos, é vizinha e divide a casa com outros dois irmãos. Eles não sabem para onde vão quando o prazo da Justiça encerrar.

– São 40 anos que a gente mora aqui. Todo este tempo construindo as nossas casas. Agora, não temos para onde ir, e nem como levar nossas coisas. Vamos tentar tirar o máximo que conseguirmos das casas, algo vai ter que ser reutilizado, o telhado, as janelas – diz Amauri.

ATÉ UM ANO

A moradora Luciane diz que o prazo estipulado para saída é muito pequeno para que as famílias consigam se organizar. Mesmo que a prefeitura tenha cedido lotes para as 31 famílias na Nova Santa Marta.

– Tinha que ser um ano, assim, a gente conseguiria construir casa neste outro lugar e deixar tudo pronto – comenta.

O QUE DIZ A UFSM

O reitor diz que aumentar o prazo de permanência das famílias no local não depende da universidade, pois a questão, agora, é exclusivamente judicial.

Na segunda-feira da semana passada, quando o Diário visitou a área, seis casas já estavam abandonadas e parcialmente desmontadas. As pessoas deixaram as paredes erguidas e alguns eletrodomésticos.

Luciane mora no local desde que nasceu. O avô dela, Agemiro Pereira, foi o primeiro morador da região, 53 anos atrás Foto: Lucas Amorelli / New Co DSM

TERRENOS PREPARADOS PARA RECEBER MORADORES

O superintendente de Habitação, Wagner Bitencourt, diz que a gestão anterior da prefeitura cedeu lotes para as 31 famílias no Bairro Nova Santa Marta e se prontificou a abrir ruas na área onde estão os terrenos. A atual gestão, segundo Wagner, prestará ajuda às famílias desde que não gere despesas ao Executivo. 

Ele diz que a prefeitura já resolveu a questão de água e saneamento para o local, com a Corsan, e agora tenta resolver a questão da rede elétrica com a RGE Sul, empresa responsável por fornecimento de energia em Santa Maria.

O advogado que representa as famílias, Lauro Bastos, conta que, na sexta-feira, reuniu-se com o superintende de Habitação e recebeu a informação que a RGE Sul solicitou à prefeitura documentos que comprovassem o projeto de moradia no local cedido.

– Até a RGE elaborar o projeto, fazer a fixação dos postes e da rede elétrica, já terão se passado seis meses. Como as famílias vão se mudar sem o mínimo de estrutura? – questiona o advogado.

Bastos diz que aguarda o julgado da suspensão da reintegração de posse para que seja possível a permanência das famílias até que os lotes estejam prontos. Além disso, o advogado acredita que este tempo permitirá que as famílias se organizem financeiramente para construir as casas.

UFSM DE MÃOS ATADAS

O reitor da UFSM, Paulo Burmann, diz que a questão se arrasta há, pelo menos, 15 anos. Ele menciona que o primeiro pedido de reintegração de posse foi feito em 2012 e, desde então, os prazos para a saída das famílias se estendeu diversas vezes. Burmann diz que a área em que as famílias moram será usada para expansão da universidade, assim como espaço hoje ocupado pela olaria, que, conforme o reitor, também é debatido na Justiça para reintegração de posse.

Famílias que já deixaram o local abandonaram móveis e eletrodomésticos. Janelas, telhados e portas foram arrancadas das estruturas das casas Foto: Lucas Amorelli / New Co DSM

Com tanto tempo em discussão judicial, Burmann diz que a UFSM não pode fazer mais nada, além de esperar. Contudo, o reitor diz que ajudará com o que estiver ao alcance dele, desde que isso não vá contra as decisões da Justiça.

– Lamentavelmente, aquele espaço é um patrimônio público como qualquer outro – afirma o reitor.

 
 

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