Está difícil fazer pré-natal na rede pública em Santa Maria - Diário de Santa Maria

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Saúde01/03/2017 | 08h27Atualizada em 01/03/2017 | 08h27

Está difícil fazer pré-natal na rede pública em Santa Maria

Déficit de profissionais e período de de férias deixaram futura mamãe sem consulta

Está difícil fazer pré-natal na rede pública em Santa Maria Gabriel Haesbaert/NewCo DSM
Foto: Gabriel Haesbaert / NewCo DSM

Crissie Santiago Maciel, 24 anos, começou a fazer o pré-natal em outubro do ano passado. Logo depois de descobrir que estava grávida de seu primeiro filho, Vicente. Como recomenda a cartilha da boa mãe, ela procurou a Unidade de Saúde Floriano Rocha, na Cohab Santa Marta, no Bairro Juscelino Kubitschek, para fazer o acompanhamento da gestação porque é o posto mais perto da casa dela.

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A jovem fez as três primeiras consultas, uma a cada mês, como o indicado. Porém, no final de janeiro, quando saiu do consultório improvisado (desde junho de 2015, a unidade está funcionando em um ginásio emprestado à prefeitura), tentou agendar a próxima consulta, que deveria ser em fevereiro, mas não conseguiu.

De lá pra cá, foram duas novas idas à unidade e nada. Crissie não conseguiu o agendamento e teve o pré-natal interrompido.

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No final de janeiro, a atendente da unidade disse a Crissie que a agenda da ginecologista só seria aberta em 15 de fevereiro e pediu que a jovem voltasse naquele dia. Ela foi. Mas, ao chegar na unidade, descobriu que a agenda ainda não havia sido aberta, o que ocorreria em 23 de fevereiro, e foi orientada a retornar. Mais uma vez, a jovem voltou ao posto na data informada. Ela chegou ao local por volta das 8h, horário que consta em um cartaz, afixado no portão de acesso à unidade, como o de abertura do local. Porém, quando solicitou a consulta, foi informada de que não havia mais disponibilidade porque todas as vagas haviam sido preenchidas.

– Perguntei: ¿O que eu faço? Estamos no final de fevereiro. Vou ficar sem a consulta desse mês e voltar a ver a médica só final de março?¿ Aí, ela disse que eu teria que voltar dia 23 de março para tentar consulta para abril. Eu estava fazendo tudo certinho. Agora, estou desde o final de janeiro tentando marcar e não consigo – disse a gestante.

Diante do impasse e com medo de ficar sem os exames, Crissie e o noivo, Maurício Mendes, papais de primeira viagem vão pagar um médico particular.

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Exames
Outra dificuldade que o casal enfrenta é em relação aos exames. Na rede básica, ela só conseguia manter em dia As análises laboratoriais de urina e sangue. Mas os ultrassons teve que fazer na rede particular. A explicação que recebeu na unidade de saúde é que a demanda é muito grande e que rede pública não dá conta. Além disso, os servidores disseram a ela que poderia tentar, mas que teria que entrar em uma fila e que corria o risco de não conseguir o exame no tempo em que precisava fazer.

– É muito humilhante. Porque nós (ela e o marido) nos viramos e conseguimos pagar (pelos exames). Mas quantas gestantes não podem? E tem grávidas que estão na reta final que vão chegar no parto e não têm as últimas consultas. É revoltante – lamenta a jovem.

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Período de férias
O Diário foi ao local onde a unidade de saúde está funcionando, na segunda-feira e ontem, mas o prédio estava fechado. Um cartaz informava que o agendamento para clínico geral será feito amanhã, no número limitado de 16 fichas.

A secretária adjunta da Saúde, Ana Paula Seerig, disse que, além do déficit de profissionais da área (ginecologistas e obstetras) no quadro do município (ela não soube precisar quantos há), o período de férias dificultou fechamento de escala dos médicos. A previsão é de que o atendimento seja normalizado na segunda-feira, quando profissionais voltam das férias.

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– Em função do período de férias, em janeiro e fevereiro, tivemos que remanejar profissionais de algumas unidades para dar suporte a outras. No Floriano Rocha, a médica que ia três vezes na semana, passou a ir em um dia, para atender a outras unidades – explica Ana Paula.

Mãe Santa-Mariense é proposta a médio prazo para resolver o problema

Promessa de campanha do prefeito Jorge Pozzobom, o projeto Mãe Santa-Mariense, ainda sem data para começar a operar na cidade, seria a solução para casos como o de Crissie. A ideia é que o programa seja implementado até o final de 2020. De acordo com o prefeito, a proposta é que as gestantes tenham acompanhamento desde a fase da gestação, com o pré-natal, passando pelo nascimento do bebê e o pós-parto da mãe, até o fim do primeiro ano da criança em um mesmo local.

– O que temos hoje é que vários setores atendem, cada um, uma parte desse período, mas isso não está organizado – explica o prefeito.

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Segundo Pozzobom, as gestantes de alto risco que são atendidas no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) terão transporte garantido pelo poder público municipal. Já para as mulheres cuja gravidez não oferece risco, a prefeitura estuda centralizar o atendimento na Casa de Saúde, hospital que pertence ao município e cuja gestão é terceirizada à Associação Franciscana de Assistência à Saúde (Sefas) por meio de um convênio.

Aditivo no contrato
Para isso, seria preciso fazer um aditivo no contrato que a prefeitura mantém com a entidade. Atualmente, as gestantes vão ao hospital para o parto, mas só nos casos que não são considerados graves.

– Não descartamos outras medidas, mas isso depende de organização. Temos as unidades de saúde que fazem a atenção primária, o pré-natal. Mas está funcionando? Tenho uma convicção que não. A ideia é organizar o que já temos e criar o que falta – diz Pozzobom.

 
 

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