Após quatro afogamentos, acesso à Cascata do Mezzomo é interrompido - Diário de Santa Maria

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Silveira Martins01/03/2017 | 09h32Atualizada em 01/03/2017 | 11h53

Após quatro afogamentos, acesso à Cascata do Mezzomo é interrompido

Polícia abriu inquérito e não descarta homicídio culposo

Após quatro afogamentos, acesso à Cascata do Mezzomo é interrompido Gabriel Haesbaert/NewCo DSM
Foto: Gabriel Haesbaert / NewCo DSM
Pâmela Rubin Matge
Pâmela Rubin Matge

pamela.matge@diariosm.com.br

Nove dias se passaram desde que quatro pessoas morreram afogadas na Cascata do Mezzomo, na localidade de Val Feltrina, em Silveira Martins. As mortes aconteceram em 19 de fevereiro, minutos depois de uma chuva intensa que atingiu a região e que provocou um a inundação súbita.

Na tarde de domingo, o acesso ao local, antes marcado pelo intenso vai e vem de carros, sobretudo, nos finais de semana, registrava pouco movimento. A opção de muitos banhistas foi se refrescar em sangas dispostas às margens da Estrada de Val Feltrina. No caminho, placas do município orientavam como chegar até a cascata, mencionada como ponto turístico, conforme o site da prefeitura de Silveira Martins.

O Diário esteve no local e já na entrada da propriedade privada onde fica a queda d'agua deparou com a cerca fechada para carros e a placa: proibido entrar. A cerca de 200 metros da cascata, estavam o arrendatário da propriedade e o genro, que conversaram com a reportagem por cerca de meia hora.

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Sem querer se identificar à reportagem, eles disseram que estavam averiguando se havia gente no local. Os dois contaram que moram a quatro quilômetros da queda d'água e que o antigo dono da área, que também era vizinho e amigo deles, morreu há três anos. Quando vivo, o proprietário permitia que pessoas visitassem e se banhassem no local. Desde 27 de janeiro deste ano, o atual arrendatário, que trabalha como agricultor, teria feito um contrato com os herdeiros das terras, que moram em Porto Alegre. 

Foto: Gabriel Haesbaert / NewCo DSM


Segundo o arrendatário, ele pretendia plantar feijão e milho na área. Mas confirmou que pessoas procuravam o lugar para turismo e, a elas, era dada a opção de contribuírem ou não com algum valor em dinheiro. Inclusive, outro conhecido do arrendatário costumava acompanhar os visitantes e dar instruções sobre o local.

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Em 19 de fevereiro, quando os banhistas morreram afogados, ele teria ajudado no resgate.Entre as 16h e as 17h de ontem, dois carros foram até a propriedade, mas ao verem a placa, retornaram. Outro veículo estacionou, e duas mulheres, que não quiseram se identificar, ignoraram o aviso e desceram e seguiram a pé em direção à cachoeira. Elas vivem em Santa Maria e alegaram que queriam "só dar uma olhadinha". As duas falaram que sabiam das quatro mortes, mas não que haviam ocorrido ali.

Conforme o agricultor, a placa de interrupção foi instalada na última segunda-feira.

Polícia  não descarta homicídio culposo
Em 20 de fevereiro, um dia após os quatro afogamentos na Cascata do Mezzomo, a Polícia Cilvil de Silveira Martins abriu inquérito para apurar as mortes e se haverá ou não responsabilizações.

De acordo com o delegado responsável pela investigação, André Diefenbach, não está descartada a possibilidade de homicídio culposo:

– O arrendatário disse que pedia uma contribuição espontânea. Se for provado que (a visitação) envolvia exploração econômica, não é descartado configurar homicídio culposo.

Diefenbach informou ter ouvido o arrendatário, a filha e outras duas pessoas que trabalhavam no local. Ao longo da semana, familiares das vítimas também devem ser ouvidos.

O delegado informou que enviou um ofício à prefeitura de Silveira Martins para averiguar se a Cascata do Mezzomo tem algum alvará ou licença municipal. Contudo, até a tarde de domingo, ainda não havia recebido retorno do Executivo.

Foto: Gabriel Haesbaert / NewCo DSM


 
 

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