Veja o que muda com a reforma do Ensino Médio - Diário de Santa Maria

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Medida Provisória10/02/2017 | 08h37Atualizada em 10/02/2017 | 08h37

Veja o que muda com a reforma do Ensino Médio

Aprovada pelo Senado na quarta-feira, mudança gera dúvidas e divide opiniões

Veja o que muda com a reforma do Ensino Médio Germano Rorato/Agencia RBS
A proposta é que 60% seja de matérias comum a todos os alunos e 40% será de disciplinas escolhidas pelos estudantes Foto: Germano Rorato / Agencia RBS

A reforma do Ensino Médio foi aprovada no Senado, na noite dessa quarta-feira, mas ainda precisa da sanção do presidente Michel Temer (PMDB) para entrar em vigor. Mesmo sem homologação, a proposta causa dúvidas entre pais, professores e alunos.

A mudança foi editada em Medida Provisória (MP) e, depois de 567 emendas enviadas, foi aprovada com novas regras que, porém, mantém os eixos do texto original. Com a MP o conteúdo do Ensino Médio se divide em duas partes: 60% será de disciplinas comuns a todos, a serem definidas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e 40% com matérias escolhidas pelo aluno, para que possa se aprofundar em alguma área de interesse. Estão entre estas Linguagens, Matemática, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Ensino Profissional. A intenção inicial do governo federal, na MP, era manter esta divisão de 50% e 50%, mas a proposta não foi acatada no Senado.

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A reforma do Ensino Médio ainda define que Filosofia, Sociologia, Educação Física e Artes passam a ser matérias optativas. Assim, as escolas serão obrigadas a ofertar as disciplinas, mas os estudantes escolherão se vão cursar ou não estas matérias.

Outra proposta da MP é aumentar o turno integral de 800 horas para 1,4 mil horas anuais, mediante financiamento da União junto aos Estados e ao Distrito Federal durante dez anos.

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Maria Helena Guimarães, secretária executiva do Ministério da Educação (MEC), declarou, em novembro do ano passado, que a reforma entraria em vigor a partir da primeira turma a ingressar no Ensino Médio em 2018. Porém, no fim de janeiro, o ministro de Educação, Mendonça Filho, disse que não há um prazo para que todos os Estados se adaptem ao modelo, depois de sancionada a reforma.

O QUE DIZEM PROFESSORES E ESPECIALISTAS DA EDUCAÇÃO

O Diário conversou com pessoas que trabalham com educação em Santa Maria para saber o que eles pensam sobre a Medida Provisória do Ensino Médio

"Eu achei alguns pontos interessantes e outros não, mas a certeza é que uma reforma no ensino é necessária. O pior, ao meu ver, é que os maiores interessados não foram ouvidos: os alunos. Sobre a carga horária, já que não temos escola em período integral, vejo o aumento da carga horária em 30 minutos por dia, como um paliativo. Há também o fato que hoje os estudantes têm uma grade curricular de 13 matérias ao longo dos três anos, aumentar a carga horária e permitir a escolha das matérias pode deixar mais atrativo para o jovem. O problema é o que a Medida Provisória vê como matérias optativas, como filosofia e artes. Eu acredito que todos os professores, independe da matéria que lecionam, deveriam estudar filosofia e sociologia, mas do jeito que pagam os professores seria descabido exigir isso dos profissionais", Hugo Fontana, filósofo e doutor em História da Educação e em Filosofia da Educação.

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"A reforma é ampla, tem coisas que eram almejadas por nós há muitos anos e agora voltam. Como a necessidade de conhecimento dos alunos. Vejo como algo negativo o impacto da mudança e a dificuldade que vai ser para se adaptar a algo que não pode saber se dará certo ou não. O problema é que quem legisla a educação não faz parte da educação. Tudo o que for trabalhado com responsabilidade e comprometimento vai sempre dar certo. É que, às vezes, determinadas situações não são bem pensadas, então não há como prestar todo um suporte para a escola¿, Simone Beatriz Rizatto, coordenadora da 8ª CRE

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¿Estão desestruturando o Ensino Médio, voltando os alunos para o mercado de trabalho e criando mão de obra barata para o país. Nós que defendemos a educação, vemos um prejuízo enorme nisso. Queremos uma reforma no ensino, mas uma que atenda a demanda das escolas. As mudanças não foram discutidas com a sociedade, com a categoria. A Rede Municipal não tem Ensino Médio, mas a categoria, os professores atuam como um todo. Devemos nos unir agora, por que sei que logo eles deverão vir para cima do Ensino Fundamental. Outra coisa que me assusta nesta Medida Provisória é as insistentes propagandas tentando formar uma opinião positiva na população. Me remete ao Hitler e ao nazismo este monte de propaganda na TV, rádio e pela internet¿, Paulo Merten, coordenador de Formação Sindical e Comunicação do Sindicato dos Professores Municipais de Santa Maria.

 
 

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