Provas testemunhais sobrepõem-se a bafômetro negativo 10 horas depois - Diário de Santa Maria

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Investigação21/02/2017 | 09h32Atualizada em 21/02/2017 | 12h55

Provas testemunhais sobrepõem-se a bafômetro negativo 10 horas depois

Autoridades dizem que teste realizado em suspeito de dirigir carro que matou adolescente que estava na calçada não tem importância

Provas testemunhais sobrepõem-se a bafômetro negativo 10 horas depois Dion Ribeiro/Divulgação
Foto: Dion Ribeiro / Divulgação

Foi instaurado formalmente nesta segunda-feira, pelo delegado Gabriel Zanella, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o inquérito que vai apurar a responsabilidade do empresário Anderson Vinicios Branco Lutzer, 25 anos, na morte de Milena Umpierre Alves, 16 anos.

A adolescente morreu após ser atropelada na calçada da Rua Serafim Valandro pela caminhonete Captiva que, segundo testemunhas, era conduzida por Lutzer, que ficou preso até a madrugada desta terça-feira na Penitenciária Estadual de Santa Maria (Pesm). Lutzer ganhou direito à liberdade provisória por volta das 2h.

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O empresário foi detido em flagrante pela Brigada Militar e conduzido à Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA), onde foi lavrado o flagrante. Na delegacia, Lutzer e um amigo, que estava junto no carro, o estudante Pablo Silveira Machado dos Santos, 23 anos, prestaram depoimento, acompanhados da advogada Rafaelle Taísa de Assis Fernandes.

A advogada disse ao Diário, no domingo à tarde, que era Santos quem conduzia o veículo no momento do acidente, que aconteceu por volta das 3h de domingo. Além disso, a defensora requisitou que fosse realizado o teste do bafômetro por volta das 13h de domingo, que acabou dando negativo para ingestão de álcool.

Testemunhas são fundamentais

No entanto, tanto para o delegado Zanella quanto para o promotor de Justiça Rodrigo de Oliveira Vieira, da vara do Júri, a prova testemunhal é mais importante do que o teste que foi realizado 10 horas depois do acidente.

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– Segundo o entendimento do delegado plantonista, e nós concordamos com ele, havia farta e consistente prova testemunhal em relação à embriaguez. Então, a prova testemunhal, associada a um auto que a BM faz por escrito da alteração psicomotora do indivíduo, foi o suficiente para comprovar a embriaguez – afirma o delegado.

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– Tem de considerar que, nesse transcurso de tempo, naturalmente pode ter tido alguma influência no sentido de fazer desaparecer os vestígios de álcool no sangue dele. Conheço o caso superficialmente, não posso afirmar nem repelir se o sujeito estava ou não alcoolizado. Mas isso será analisado diante de todo o contexto, das testemunhas que podem dizer se perceberam sinais da embriaguez. É um direito do sujeito recusar o teste, está na Constituição, mas 10h depois a defesa requerer e não dar nada, vai ser analisado com o contexto – reforça o promotor.

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Um policial militar que acompanhou o atendimento da ocorrência e que pediu para não ser identificado diz que eram claros os sinais de embriaguez. Além disso, ele confirmou que era Lutzer o motorista. Fato também confirmado pelo delegado Zanella, segundo o que testemunhas relataram.

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– Quando foi oferecido o bafômetro, ele (Lutzer) não quis. Mas dava para perceber a embriaguez, porque ele já estava naquele estágio de sonolência, dificuldade em articular as palavras, caminhando devagar. E todos que estavam ali apontaram ele como condutor – relata o policial.

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Conforme Zanella, o flagrante foi lavrado por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) na direção de veículo, lesão corporal na direção de veículo (já que o namorado da adolescente morta ficou ferido) e embriaguez ao volante. No entanto, Lutzer poderá ser indiciado por homicídio com dolo eventual – quando não há a intenção de matar, mas assume-se o risco.

O delegado acrescenta ainda que imagens de câmeras de segurança da redondeza estão sendo analisadas. Pela embriaguez ao volante, Lutzer terá de pagar multa de quase R$ 3 mil e terá o direito de dirigir suspenso por um ano.

O Diário tentou contato com advogada Rafaelle e deixou mensagem, mas ela não atendeu e não retornou as ligações. Foram feitas 10 ligações telefônicas entre 16h52min e 17h52min desta segunda.

 
 

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