Ex-comandante da BM em Santa Maria diz que desafio é trabalhar com a defasagem de policiais - Diário de Santa Maria

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Entrevista25/02/2017 | 12h01Atualizada em 25/02/2017 | 12h01

Ex-comandante da BM em Santa Maria diz que desafio é trabalhar com a defasagem de policiais

Coronel Worney deixa o comando da corporação em Santa Maria depois de dois anos

Ex-comandante da BM em Santa Maria diz que desafio é trabalhar com a defasagem de policiais Gabriel Haesbaert/NewCo DSM
Foto: Gabriel Haesbaert / NewCo DSM

Na Brigada Militar desde os 17 anos, o agora coronel da reserva Worney Dellani Mendonça, 53 anos, natural de Tapes, mas radicado em Santa Maria, deixa o posto de comandante do Comando Regional de Polícia Ostensiva Central (CRPO Central). Ele tinha sob sua responsabilidade, ao total, 29 municípios. Mesmo depois de 35 anos de serviços prestados à corporação – o tempo máximo permitido, quando chega a hora da aposentadoria compulsória –, o antigo comandante diz que pretende ajudar o novo chefe do CRPO, tenente-coronel Ricardo Alex Hofmann. Além disso, continuará na área da segurança, principalmente, atuando como conselheiro no programa Santa Maria Segura, que foi, justamente, encabeçado por ele. Confira, a seguir, uma entrevista com Worney em que ele faz um balanço dos quase dois anos em que esteve à frente do CRPO Central.

Dificuldades

Worney foi comandante do CRPO Central de 25 de fevereiro de 2015 até o dia 18 de janeiro deste ano. Ao longo desse tempo, foram vários desafios e problemas que precisaram ser contornados. O coronel elenca dois como os principais: o déficit no efetivo e os parcelamentos de salários, que provocaram uma série de manifestações, começando em agosto de 2015, inclusive com o trancamento de quartéis por familiares dos policiais.

– Esse foi o maior desafio. Foi um marco na história da BM. Entramos naquele ano com um bom planejamento e a todo o vapor, com o máximo de policiais nas ruas. Mas, a partir da metade do ano, foi um balde de água fria. Houve uma pressão interna muito grande e foi preciso ter todo cuidado para conduzir isso. Todo aquele trabalho que avançamos no primeiro semestre, no segundo, paralisou, e isso refletiu na rua – analisa.

Déficit

Outro grande problema enfrentado, segundo Worney, foi o déficit no efetivo. Isso, ele elenca também como o maior desafio que será enfrentado pelo novo comandante. Quando assumiu, em 2015, os 29 municípios da região contavam, em média, com 31% a menos de policiais que o previsto. Em algumas cidades, o número chegava a 50%. No entanto, nesses dois anos, a defasagem só aumentou, passando para 40% na média e de 60% a 70% em alguns municípios. O coronel ainda lembra dos policiais de Santa Maria que precisaram ir a Porto Alegre para reforçar o policiamento na Capital.

– Em 2016, depois dos primeiros parcelamentos, tínhamos a expectativa de retomar todo aquele trabalho. Aí, tivemos a ida dos policiais para Porto Alegre. Então, aquela ideia de dar mais visibilidade ao planejamento foi dificultada. Perdemos 80 policiais, 10 viaturas, o que representa mais de 100 mil horas de trabalho. Mesmo assim, não tivemos grandes elevações nas ocorrências. E esse vai ser o maior desafio do Ricardo, já que a prioridade é a Capital e a Região Metropolitana – afirma.

 Projetos

Ao longo dos dois anos à frente do CRPO Central, Worney destaca a elaboração de projetos e a reorganização do comando. Ele destaca, especialmente, a criação de um Plano de Gestão Estratégica, com vários objetivos a serem cumpridos até 2019. Alguns já saíram do papel, como a criação do Centro Regional de Operações e Inteligência Policial (Croip), com o georreferenciamento das ocorrências atendidas pela BM. Isso possibilita que o policiamento seja direcionado de maneira mais efetiva, onde há mais crimes. Outros ainda estão em tramitação, como a Base Aeropolicial, que contaria com um helicóptero.

– O Plano de Gestão foi o principal legado. Mudamos um pouco a cultura do imediatismo do atendimento da ocorrência sem deixar de pensar no futuro. A Base é uma ambição de Santa Maria. Tínhamos muitas ambições, mas não tínhamos os projetos, e, hoje, tudo isso está documentado. Quando assumi, não tinha estatísticas da criminalidade nos meus 29 municípios. Hoje, é possível enxergar o crime de maneira diferente, e o nosso efetivo é direcionado para esses locais mais importantes. Mudou a nossa forma de trabalho, com um planejamento muito melhor – recorda.

Santa Maria Segura

O programa Santa Maria Segura, lançado em novembro do ano passado, foi uma iniciativa do próprio coronel. O projeto conta com o apoio de diversos outros órgãos, como Polícia Civil e Polícia Federal, e entidades como a Agência de Desenvolvimento de Santa Maria, à qual o programa está atrelado. O principal objetivo é uma aproximação ainda maior com a comunidade e a colaboração da população no combate à violência. Worney continuará como integrante do comitê gestor do projeto. Além disso, o ex-comandante ressalta a integração com a Polícia Civil, principalmente.

– Esse relacionamento com a comunidade, conseguimos fortalecer. Acredito que, neste ano, haja ações mais fortes do Santa Maria Segura. O principal é organizar as comunidades dentro do programa, com a União das Associações Comunitárias. Vamos chamar as lideranças dos bairros a participar para criarmos essa cultura do envolvimento. A comunidade conhece melhor os seus problemas do que ninguém – adianta.

Homicídios

O homicídio é um dos crimes que mais impactam na sensação de insegurança da população. Os assassinatos crescem há quatro anos em Santa Maria, sempre entre 10% e 15%. Apesar de reforçar que o homicídio é um crime difícil de prevenir, já que pode acontecer dentro da casa da vítima, em qualquer esquina ou outro lugar, Worney afirma que a redução do efetivo influencia nessa estatística.

– O aumento dos homicídio está diretamente ligado à redução do efetivo. São menos operações, menos abordagens. Apesar de Santa Maria ser um prato cheio para o tráfico, conseguimos contê-lo. Mas isso explica muito os homicídios. A pessoa que entra para o tráfico, em algum momento, vai entrar em uma disputa. É um comportamento de risco que te deixa vulnerável. Claro que essas pessoas não merecem morrer, mas você só cai de bicicleta se andar de bicicleta – reflete Worney.

 

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