Especialistas explicam fenômeno em cascata de Silveira Martins no domingo - Diário de Santa Maria

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Silveira Martins21/02/2017 | 10h01Atualizada em 21/02/2017 | 17h05

Especialistas explicam fenômeno em cascata de Silveira Martins no domingo

Inundação súbita decorreu da chuva intensa que atingiu a região e que provocou uma enxurrada

Especialistas explicam fenômeno em cascata de Silveira Martins no domingo Izabel Mello/Arquivo pessoal
Foto: Izabel Mello / Arquivo pessoal

O coordenador do Programa de Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Daniel Allasia, explica que o que aconteceu no domingo na Cascata do Mezzomo, na localidade de Val Feltrina, em Silveira Martins, foi um fenômeno chamado de 'flash food' ou inundação súbita.

O evento decorreu da chuva intensa que atingiu a região e que provocou uma enxurrada. Como o local onde as pessoas estavam é um vale, cercado de morros, a água da chuva não é absorvida e, sim, escoa rapidamente e gera um aumento repentino no nível de água. Por isso, as pessoas que morreram afogadas no local não tiveram tempo de reagir.

Três vítimas do afogamento em cascata de Silveira Martins eram da mesma família

O professor explica que, em regiões com estas características e que são frequentemente atingidas por este tipo de evento, os moradores geralmente sabem que não devem entrar na água quando o tempo está muito nublado. Mas, aqui no Estado, esses eventos não são costumeiros. Talvez, por este motivo, a população não esteja preparada para agir nessas situações.

– A fatalidade foi ter ocorrido (a inundação súbita) em um dia muito quente, em que as pessoas haviam buscado essa área de lazer para se refrescar – lamenta o professor.

O fenômeno tem relação direta com a época do ano, o verão. Nesse período, ocorrem as tempestades convectivas ou tormentas tropicais de verão, caracterizadas pela chuva intensa concentrada em uma pequena área. É o que explica, muitas vezes, chover em um bairro da cidade, e em outro, não. Em uma área plana, isso é visível, mas, em uma área montanhosa ou de serra, como o local onde ocorreram os afogamentos, não é possível ver o lugar em que está chovendo forte. E é aí que está o perigo.

– Essas tempestades são capazes de produzir grandes volumes de chuva em curto espaço de tempo. Um evento desse pode produzir chuva acima de 15 milímetros por hora, em determinado local. Uma chuva como a que ocorreu ontem (domingo) pode passar de 50 milímetros em um dia, quando a média de um mês inteiro gira em torno de 200 milímetros. Toda essa água pode ser descarregada em um bacia hidrográfica pequena. Então, se essa água toda for canalizada para um desses córregos que existem na serra, essa chuva vai produzir uma onda de cheia, que vai se propagar dentro do canal do riacho. E ela não precisa ocorrer no local em questão, mas a alguns quilômetros antes e acima. E, quando esse pico de cheia chega, já é tarde demais – explica Vagner Anabor, professor de Meteorologia da UFSM.

Encontrada a quarta vítima de afogamento na Cascata do Mezzomo

Ainda de acordo com o especialista, não é recomendado que as pessoas saiam para realizar atividades em cânions em dia nublado com possibilidade de chuva. Outra dica é observar o local onde se está. Se não houver vegetação nas margens da cascata ou do curso do rio, é sinal de que ali ocorre inundação rápida que devasta o entorno, deixando somente as rochas. Além disso, é preciso que as pessoas tenham em mente uma forma de sair rápido do local em uma situação de emergência.

Falta investimento
Outros estados como Santa Catarina e Rio de Janeiro têm sistemas de alerta que avisam sobre esses eventos.

– O Rio Grande do Sul, tendo duas escolas (cursos) de Meteorologia, não tem um organismo que faça essas previsões. A Secretaria de Meio Ambiente (Sema) do Estado tem suas previsões meteorológicas, mas, de uma forma mais geral, do Estado inteiro. É preciso aperfeiçoar isso, com radares e um sistema melhor – diz Allasia.

O professor se refere a uma tentativa de convênio entre a UFSM e a Sema. Já foram feitas algumas reuniões. A universidade apresentou um projeto inicial ao Estado, mas falta a consolidação deste acordo. O problema é a burocracia.

– Um sistema de alerta é extremamente necessário para o Rio Grande do Sul. Com algum investimento e um radar meteorológico, poderiam ser emitidos alertas. Mas, com a tecnologia que já existe na UFSM, poderíamos emitir avisos para o risco de chuvas intensas com até um dia de antecedência. Falta investimento para montar e manter uma equipe que trabalhe no sistema – fala Anabor.

Para evitar afogamentos*
Confira dicas para se refrescar nesses dias quentes e evitar acidentes

No mar, no rio e na piscina

– Procure locais que tenham salva-vidas e evite entrar na água fora de época
– Sempre fique atento à sinalização de praias, represas e rios. Mantenha distância de pedras e bocas de rios. O que parece muito atrativo também pode ter riscos
– Em barcos, caiaques ou lanchas, use equipamentos como colete salvavidas
– Evite mergulhar em águas desconhecidas e não tire os equipamentos de segurança. Opte pelo colete e evite materiais infláveis, como braceletes e boias, pois podem furar
– Nunca entre na água após as refeições. Quando estiver na praia ou rio, prefira alimentos leves, para evitar uma congestão ou a perda de equilíbrio. Espere pelo menos uma hora após comer para entrar na água
– Não deixe que as crianças brinquem sozinhas em locais próximos de rios, lagos ou piscinas. Piscinas devem ser sempre cercadas por portões

Nas cascatas


– Observe as margens: verifique se há vegetação às marges. Se não houver, é indício de que o local é constantemente inundado
– Ao chegar nas cascatas, não se atire na água – especialmente se você não sabe a profundidade do poço de água
– O ideal é que alguém com mais experiência no grupo faça um mergulho de reconhecimento e analise o fundo, conferindo se não há pedras pontiagudas, troncos e cercas, por exemplo, que podem ser carregados com a chuva
– Atenção a mergulhos, especialmente os de bico. O procedimento correto é evitar malabarismos, como mortais, e aproveitar a água apenas para o banho
– Espere o corpo esfriar antes de entrar na água
– O ideal é que o grupo leve colete salva-vidas, já que a profundidade dos poços costuma ser grande
– Caso não saiba nadar ou tenha pânico da água, é imprescindível que o visitante use coletes salva-vidas ou de objetos que flutuem, como boia, mochilas ou até mesmo um pedaço de madeira
– Leve kit de primeiros socorros
– Não ultrapasse seus limites
– Evite chegar no topo de uma cachoeira, mas, se fizer isso, nunca chegue em pé. Chegue deitado e permaneça nessa posição enquanto estiver no local. Só se levante quando estiver distante cerca de 1,5 metro da ponta
– Se houver pessoas fazendo rapel ou praticando outra atividade na cascata, evite ficar embaixo ou na linha da corda, já que há o risco de queda de rochas ou objetos
– Tenha em mente uma rota de fuga do local para casos de emergência
* 4º Comando Regional de Bombeiros, professor Vagner Anabor e Guilherme Lul da Rocha e Rafael Camilo, do Grupo Bandeirantes da Serra

 

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