Pesquisador sobre traumas participa de evento na Saldanha Marinho hoje - Diário de Santa Maria

Versão mobile

4 anos da Kiss26/01/2017 | 21h07Atualizada em 27/01/2017 | 10h33

Pesquisador sobre traumas participa de evento na Saldanha Marinho hoje

Professor da Unicamp, Márcio Seligmann vem a Santa Maria para eventos que marcam a tragédia

Pesquisador sobre traumas participa de evento na Saldanha Marinho hoje Germano Rorato/Agencia RBS
Foto: Germano Rorato / Agencia RBS

O pesquisador e professor titular de Teoria Literária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Márcio Seligmann-Silva vai palestrar, nesta sexta-feira, em Santa Maria, sobre o tema Memória, Trauma e Reconstrução, às 19h30min, na Praça Saldanha Marinho. Confira abaixo a programação completa em homenagem às vítimas.

Vigília abre as homenagens às vítimas

O evento é organizado pela Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), Secretaria de Saúde de Santa Maria, TV OVO, UFSM e Unifra, com a proposta de debater os impactos da tragédia nos traumas da cidade, entre outros temas.

A Revista Arco, da UFSM, fez uma entrevista exclusiva com o pesquisador. Confira um trecho abaixo e, aqui, a íntegra da entrevista de Seligmann concedida para professora de Jornalismo da UFSM Laura Storch.

Revista Arco – A narrativa de uma tragédia pode ser compreendida a partir dos sobreviventes, ou daqueles que o senhor chama de testemunhas. Qual é o papel da testemunha na construção de narrativas sobre tragédias? Eles podem ser considerados formas de "resistência" coletiva ao esquecimento?

Após 4 anos, julgamento dos réus não tem data

Márcio Seligmann-Silva – A figura da testemunha se tornou central no século XX. Uma das acepções da noção latina de testemunha indica que quem testemunha é o "sobrevivente". Temos aqui a noção de um relato de quem atravessou ou foi atravessado pela morte. Essa pessoa, que porta a morte dentro de si, vem nos narrar o que aconteceu. Sua narrativa é abalada de várias maneiras: pela excepcionalidade da realidade que ela quer apresentar (sem lastro na linguagem cotidiana ou nas imagens que costumamos ver); pelo luto por aqueles que caíram a seu lado e pelo seu mundo que ruiu; pelo fato do sobrevivente ter que fazer o impossível, que é narrar em nome dos mortos também. Mas ele narra, antes de mais nada, a sua passagem pela morte. É esse contato com a morte que marca sua escrita, a torna diversa, e também transforma a testemunha em uma pessoa única. Mas a sociedade deve entender também que ninguém quer ou pode portar a morte 24 horas por dia. 

Cronistas do Diário: Janeiro 27 na praça, por Marcelo Canellas

A testemunha justamente precisa reconstruir a sua casa, tornar o mundo menos hostil e mais familiar. A narrativa é o tijolo com que ela constrói a sua casa. Mas sem o cimento da escuta, da acolhida, da abertura ao seu testemunho, a sua narrativa não se conclui, permanece uma "máquina quebrada".

A testemunha normalmente sente uma necessidade quase física de narrar a sua história. Mas esse processo narrativo, que envolve a população como um todo, que deve se abrir para a escuta, não deve descartar o fato de que a narrativa, o testemunho e a cultura da memória não devem criar novamente uma clausura na cena traumática. A testemunha enfrenta uma resistência interna e da parte da sociedade. Mas ela, quando consegue testemunhar, se transforma em portadora de uma verdade. Ela se torna alguém com a coragem de pronunciar aquilo que pode ferir certas pessoas, que prefeririam o silêncio.

Leia a continuação da entrevista aqui, no site da Revista Arco

A programação de 27 de janeiro em Santa Maria

–  9h: Roda de conversa com profissionais que atuaram ou atuam em atividades ligadas à tragédia, sobre ações e desafios em torno do acontecimento, no auditório da SUCV (Rua Venâncio Aires, 1.934)
–  15h: Apresentações musicais e teatrais
–  17h: Culto ecumênico na Praça Saldanha Marinho
–  18h: Toque dos sinos de igrejas da cidade
–  18h20min: Leitura de uma mensagem do presidente da AVTSM, na Praça Saldanha Marinho
–  18h40min: Soltura de 242 balões 
– 19h20min: Apresentação de um vídeo de homenagem, feito pela TV OVO, na Praça Saldanha Marinho
–  19h30min: Colóquio com o professor da Unicamp, tradutor e crítico literário Márcio Seligmann, a professora doutora Rosana Dorio Bohrer, psicóloga e especialista em Emergências e Desastres, Gestão de Crise e Programas de Family Assistance, além de uma sobrevivente da tragédia e um familiar de vítima. A atividade ocorre sob uma tenda na Praça Saldanha Marinho.

 
 

Siga Diário SM no Twitter

  • diariosm

    diariosm

    DiárioSMPrefeitura realiza recuperação de tubulação no bairro Menino Jesus https://t.co/dBuMMiwodT https://t.co/bE9X7OJc3Zhá 8 horas Retweet
  • diariosm

    diariosm

    DiárioSMHomem é preso por furto em motel de Santiago https://t.co/XtteQCOu0s https://t.co/CnKB0evk2thá 8 horas Retweet

Veja também

Diário de Santa Maria
Busca
clicRBS
Nova busca - outros