Há 28 anos, seu Paraguai e sua borracharia fazem história na cidade - Diário de Santa Maria

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Bairro Lorenzi05/01/2017 | 10h29Atualizada em 05/01/2017 | 10h48

Há 28 anos, seu Paraguai e sua borracharia fazem história na cidade

Exemplo de persistência e profissionalismo, Adelino Albiero transmitiu o ofício aos filhos Adelar (foto) e Renato

Há 28 anos, seu Paraguai e sua borracharia fazem história na cidade Maiara Bersch/Agencia RBS
Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS
Pâmela Rubin Matge
Pâmela Rubin Matge

pamela.matge@diariosm.com.br

A borracharia é do Paraguai, mas o dono do negócio, Adelino Albiero, 70 anos, é nascido e criado em Santa Maria. Trocadilhos à parte, o estabelecimento que é conhecido pelo apelido que o dono ganhou ao morar no país vizinho.

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Na década de 1970, morou no Paraguai. Lá trabalhou como serviços-gerais na Hidrelétrica de Itaipu. Na volta para o Coração Rio Grande, recebeu a alcunha com o qual batizou o empreendimento: Borracharia do Paraguai. Hoje, uma das mais tradicionais casas do ramo na cidade está situada às margens da BR-392, no bairro Lorenzi e  soma 28 anos de atuação.

No espaço de cerca de 1,3 mil m² – que inclui oficina, escritório e três apartamentos – trabalham 12 funcionários. Por trás de tudo, uma história construída na resistência e no trabalho braçal de um homem.

– Comecei do nada. Era uma pecinha de madeira 4mx5m, com telhas fininhas. Quando a chuva estava lá em Uruguaiana, aqui, eu já estava molhado. Trabalhava 24 horas, dormindo em uma cama de tábua e tinha de escolher se almoçava ou jantava. Às vezes, deitava e não dava uma hora eu já tinha de levantar. Mas nunca deixei os clientes na mão – lembra seu Paraguai.

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A experiência profissional do borracheiro é tamanha que ele é capaz de reconhecer e consertar pneus até no escuro. É não é porque a atividade consiste em remendos que não é feita com capricho. Além disso, serviços de geometria e balanceamento também integram o raio de atuação da oficina. E se por um lado os anos de trabalho que enchem seu Paraguai de orgulho, por outro, também deixaram marcas irreparáveis. Na lida diária, já sofreu alguns acidentes que resultaram na perda total da visão de um dos olhos e em um problema de locomoção, após uma fratura em um dos pés.

Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS


Mas o trabalho de dia e de madrugada também rendeu muitos causos para contar. Já houve motoristas perdidos, e mesmo embriagados, que encontraram na Borracharia do Paraguai a solução para seus problemas. Por essas e por outras, há fiéis clientes da cidade e da região, além de uruguaios e argentinos que sempre voltam. A bicharada também teve espaço garantido na borracharia. Loro, um papagaio que viveu lá por quase uma década foi uma atração até seu desaparecimento. Com frequência, cães e gatos se aquerenciam no local.

Respeito pelo cliente
A honestidade e o respeito são imprescindíveis. São essas as primeiras coisas que Paraguai exige ao contratar alguém. Apesar disso, muitos foram os clientes que já saíram do estabelecimento sem pagar. O borracheiro, porém, diz confiar nas pessoas e "se perde um, ganha de outros cem".

Trabalhando entre pneus e rodas, hoje, opta por apenas sobre duas. Desloca-se de casa para a borracharia de bicicleta. Segue o caminho cumprimentando caminhoneiros que passam e parando para conversar com algum conhecido. Em quase três décadas, boa parte da freguesia se desdobrou em amizade.

De pai para filho
A tríade persistência, família e fé é, segundo seu Paraguai, o motivo de suas conquistas. Devoto de Nossa Senhora Aparecida, carrega a oração na carteira, e tem imagens da padroeira na oficina e em casa, onde assiste às missas diárias pela televisão. Foi assim que, junto da mulher, Ana, com quem teve quatro filhos (dois falecidos), teve forças para atravessar as fases mais difíceis fases da vida.

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 A vocação e o ofício de borracheiro foram transmitidos aos filhos Adelar, 46 anos, e Renato, 43. Seu Paraguai está aposentado, mas é raro o dia que não vai à borracharia para rever amigos, fazer serviços bancários e dar uma ¿conferida geral¿:

– É uma profissão sofrida, perigosa, mas não sei fazer outra coisa. Tomei gosto e me encontrei. Aqui dediquei minha vida e aprendi que com força de vontade nada é impossível.




 
 

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