Familiares e amigos fazem vigília em frente a boate Kiss - Diário de Santa Maria

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4 anos da tragédia26/01/2017 | 23h25Atualizada em 27/01/2017 | 10h30

Familiares e amigos fazem vigília em frente a boate Kiss

Orações, lágrimas saudade e solidariedade marcam o início das homenagens às vítimas

Familiares e amigos fazem vigília em frente a boate Kiss fernanda ramos/especial
Foto: fernanda ramos / especial

Cerca de 50 familiares e amigos de vítimas da tragédia Kiss participaram da vigília em frente ao prédio da casa noturna, na Rua dos Andradas no centro de Santa Maria. O momento é realizado desde 2013, como forma de homenagear as 242 pessoas que morreram após inalar fumaça tóxica no incêndio da boate, na madrugada de 27 de janeiro de 2013. Mais de 600 pessoas ficaram feridas.

O ato – acompanhado por profissionais da imprensa , programa Acolhe Saúde, Cruz Vermelha, Instituto Juntos, Secretaria Municipal de Saúde e demais entidades – começou às 21h, na chamada Tenda da Vigília, espaço  onde se reúnem a Associação dos Familiares das Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), na Praça Saldanha Marinho e do Movimento Santa Maria do Luto à Luta.

Foto: fernanda ramos / especial

Por volta das 22h15min, os presentes, reuniram-se para orações. Com a palavra, a professora e palestrante espírita Maria das Graças Py distribuiu palavras de carinho e consolo.

– Só o tempo é capaz de compreender o tempo, mas, quando juntos temos mais paz e mais esperança. Que esse ato de persistência e esperança seja uma recordação educativa – disse.

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De mãos dadas, todos rezaram o Pai Nosso. Em seguida, virando-se para um painel com a foto dos jovens que morreram no incêndio, entoaram uma Ave Maria. Depois da prece, palmas.

Dores compartilhadas

Foto: fernanda ramos / especial

A empresária catarinense Fabiana Funk, 35 anos, participou do ato. Sócia da Chapecoense, ela perdeu 18 amigos no desastre aéreo que vitimou jogadores, equipe técnica, direção do clube e jornalistas, em novembro do ano passado. Aos presentes, ela disse que veio retribuir o carinho recebido de Santa Maria.

– Em nome da Chapecoense, quero abraçar o maior número de famílias, para retribuir 1% do que os profissionais do Acolhe Saúde e que Santa Maria fizeram por nós – disse, elogiando a equipe multidisciplinar de profissionais formada após a tragédia da Kiss e que prestou atendimento à população de Chapecó. 

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Sérgio da Silva, presidente da AVTSM também se pronunciou:

– É muito triste ser presidente de uma associação que se formou a partir da dor. Mas nós, pais, temos o dever e a obrigação de pedir uma resposta e combater os que tratam a vida como banalidade. Quanto vale uma vida? Quanto vale um filho?

A pergunta foi respondida pelo comerciante Ildo Toniolo, que perdeu uma filha no incêndio. Abraçando Silva, ele disse:

– Trocaríamos qualquer valor bilionário pela vida dos nossos filhos.

Caminhada silenciosa

Foto: fernanda ramos / especial

O grupo seguiu em caminhada silenciosa para a frente da boate. Muitos, de mãos dadas. Uma mãe se sentiu mal e precisou foi atendida pelos socorristas que acompanhavam o ato. 

Foto: Fernanda Ramos/Especial

Nesse ínterim, duas crianças e dois adolescentes com uma lata de tinta pintaram, com as mãos, uma mensagem no asfalto da Rua dos Andradas, bem em frente à boate: "Ninguém esquece".

– Vi a tinta ali e a peguei. Fiz porque não quero que seja esquecido – comentou o estudante Luciano Becher, 16 anos, um dos autores da ação.

Na fachada do prédio, à esquerda da porta, uma pintura estampava a simulação de um juri. À direita, um a réplica da ilustração do chargista Latuff e ao lado a imagem de Pietà. As duas últimas pintadas nesta quinta-feira por estudantes do curso de Artes Visuais da UFSM. 

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Homenagens durante a madrugada

Por volta da meia-noite, um grupo da Igreja Missão foi até a frente da boate, cantou músicas religiosas e distribuiu balões em forma de coração e com mensagens de solidariedade aos presentes.

A partir das 2h, a TV OVO exibiu em uma tela depoimentos de solidariedade de pessoas que não estavam em Santa Maria. Entre elas, amigos e familiares fora do Brasil, uma mãe da tragédia de Cromañón , na Argentina, além dos filósofos Márcia Tiburi e Mario Sergio Cortella. Fotos de vítimas da tragédia também foram mostradas por 242 segundos.

Foto: fernanda ramos / especial

Entre as 21h e as 3h, a Rua dos Andradas, no trecho compreendido entre a Rua André Marques e Avenida Rio Branco foi interrompido. A Guarda Municipal e a Brigada Militar (BM) acompanharam as homenagens.

A vigília se estendeu até as 2h30min, hora em que, estima-se, começou o pior pesadelo que Santa Maria já viveu. No mesmo horário, uma oração, uma salva de palmas e muitos abraços encerraram as homenagens em frente à boate.

 
 

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