Centro de Reabilitação Equina da UFSM já atendeu 60 cavalos abandonados desde 2015 - Diário de Santa Maria

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Animais07/01/2017 | 09h30Atualizada em 07/01/2017 | 09h30

Centro de Reabilitação Equina da UFSM já atendeu 60 cavalos abandonados desde 2015

Animais vítimas de abandono e maus tratos estão entre a maioria dos pacientes da unidade, que trabalha com veterinários e alunos voluntárias

Centro de Reabilitação Equina da UFSM já atendeu 60 cavalos abandonados desde 2015 Germano Rorato/Agencia RBS
Um dos orgulhos do grupo que trabalha na unidade é que apenas três dos cavalos atendidos não sobreviveram Foto: Germano Rorato / Agencia RBS

Um trabalho quase desconhecido por boa parte da população é desenvolvido, com zelo e amor, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). É lá, que desde março de 2015, funciona o Centro de Reabilitação Equina, situado no bloco 4 do Hospital Veterinário. Segundo o coordenador do projeto e chefe do departamento dos grande animais, Marcelo Soares, 54 anos, a iniciativa foi fruto de uma ¿indignação, de um anseio: ajudar e educar¿.

– Começou como uma insatisfação. Tínhamos uma limitação de equinos para uso nas aulas. Mas é muito grande o número desses animais abandonados em ruas e rodovias da cidade. Temos apoio da direção do hospital, todo o aparato a nossa disposição. O aluno que gosta de cavalo vem para cá, e, agora, tem essa possibilidade de conviver com a realidade da equinocultura – diz.

Soares ainda comenta que o centro conta com nove estagiários voluntários que cursam a partir do segundo semestre do curso de Medicina Veterinária. O trabalho dos estudantes é fazer o ¿tutorar¿, criar uma rotina de cuidados com animais recolhidos de ruas e rodovias, sempre amparados com professores e especialistas.

– Preparamos os alunos para as questões de urgência e de enfermagem, além de trabalharmos a questão emocional (dos futuros profissionais), como em casos de perdas de animais. Estamos conseguindo reunir todas as questões que envolvem a medicina de grandes animais – explica o coordenador.

Aluno de Medicina Veterinária, Felipe Peres é um dos nove voluntários que atuam sob a supervisão de professores, como  Marcelo Soares, coordenador do projeto Foto: Germano Rorato / Agencia RBS

O Centro de Reabilitação Equina oferece seus serviços a cavalos tanto de carroceiros quanto aos de latifundiários. Porém, os animais abandonados correspondem à maior parte da demanda. Geralmente, chegam ao hospital com problemas de pele, cortes, fraturas, desnutridos, inférteis, com fungos e ou múltiplas fraturas, em função de atropelamentos. Como o projeto não tem força de patrulha, não pode atuar fora dos domínios da UFSM. Ou seja: os animais recolhidos precisam ser levados até o Hospital Veterinário, que não faz serviço de busca. Mas um dos orgulhos dos integrantes do centro é terem salvo quase todos os cavalos que chegam. Dos 60 atendidos até a última quarta-feira, apenas três morreram – entre elas, uma égua resgatada na última segunda-feira, no loteamento Diácono João Luiz Pozzobon.

Unidade funciona junto do Hospital Veterinário da Universidade Federal de Santa Maria Foto: Germano Rorato / Agencia RBS

Os sobreviventes voltam para seus donos, já que a Guarda Municipal sempre busca os responsáveis pelos animais abandonados. Nesse caso, os proprietários precisam pagar pelos medicamentos administrados para a cura do cavalo, para devolver à farmácia do hospital. Não são cobradas alimentação nem hospedagem. Porém, houve casos em que carroceiros sem condição de pagar receberam ajuda gratuita. Em caso de o proprietário não ser encontrado, os animais são encaminhados para sistemas de adoção e aposentadorias.

O potro Guri (à esq.), filho da tordilha Boneca, que ainda está em tratamento, é um dos três animais que nasceram na unidade Foto: Germano Rorato / Agencia RBS

Hoje, o Centro de Reabilitação Equina conta com cinco animais, que foram recuperados e doados para a instituição. O xodó é o cavalo Estrela. Ele chegou no hospital com problemas as pernas em carne viva e problemas de locomoção. Atualmente, ele simboliza o sucesso do trabalho prestado pela equipe.

Outro motivo de comemoração entre veterinários e voluntários são os nascimentos. Em menos de dois anos, três potros tiveram o centro como berçário. O mais jovem é o Guri, filho da tordilha Boneca, que ainda recebe a atenção dos cuidadores.

Estudante de Medicina Veterinária da UFSM e voluntário desde o início do projeto, Felipe Perez, 25 anos, afirma que, no local, aprendeu questões que antes só via na teoria, como nutrição, comportamento e atendimento aos cavalos. Sem falar na recompensa diária de salvar a vida de animais:

– É muito bom poder ajudar. Fico triste pela situação que a gente encontra em Santa Maria, de descaso. Estamos fazendo nosso melhor, porque amamos os animais. É gratificante poder salvá-los. Só peço que as pessoas tratem os animais com respeito.

SAIBA MAIS

– O Centro de Reabilitação Equina conta com todo aporte do Hospital Veterinário: equipe de anestesia, enfermagem, cirurgia, medicamentos, espaço, alimentação, veterinários e especialistasPara o bem-estar do cavalo

– O dono que tiver interesse no serviço, deve procurar o Setor de Equinos do Hospital Veterinário da UFSM. O tratamento, com serviços de urgência, enfermagem, cirurgias e hospedagem é gratuito. Apenas é cobrado o medicamento (se o dono tiver recursos para ajudar)

Quero ajudar

– Para manter as atividades, os voluntários e veterinários buscam doações de alimentos (que variam conforme a estação do ano), medicamentos e maravalha (espécie de serragem). Quem quiser contribuir com a iniciativa, deve entrar em contato pela fanpage do Centro de Reabilitação Equina no Facebook ou pelo telefone (55) 3220-8818

 

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