Atuação de facções e intolerância são alguns dos motivos, apontam especialistas - Diário de Santa Maria

Versão mobile

Recorde de homicídios07/01/2017 | 06h34Atualizada em 07/01/2017 | 06h34

Atuação de facções e intolerância são alguns dos motivos, apontam especialistas

Para sociólogo e especialista em segurança, a "cultura do ódio" e a guerra entre grupos rivais crescem e impactam na estatística

Atuação de facções e intolerância são alguns dos motivos, apontam especialistas José Mário Perobelli / Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Último homicídios de 2016 foi registrado no dia 31 de dezembro Foto: José Mário Perobelli / Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Há alguns anos, já vem sendo constatado que o principal motivo para que ocorram tantos homicídios é o tráfico de drogas. O delegado Gabriel Zanella, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), reitera que, em 2016, essa motivação predominou novamente. Muitos assassinatos também foram originados por rixas e desavenças por futilidades, o que os especialistas chamam de "cultura do ódio". A crescente atuação de facções também é apontada como uma possível causadora do aumento dos homicídios.

Homem é assassinado a facadas no último dia do ano em Santa Maria

– A primeira leitura que ocorre é essa reorganização das facções. Elas são mais fortes em Porto Alegre, mas vêm impactando diretamente no interior do Estado. Além disso, estamos vivendo um momento de banalização da violência e cultura do ódio. Antes, em um jogo de futebol de várzea, tinha uma confusão, que passava para a discussão e agressão física. Hoje, já usam arma de fogo – exemplifica Eduardo Pazinato, especialista em segurança pública e professor do curso de Direito da Fadisma.

Vítima do último homicídio de 2016 em Santa Maria pode ter sido morta por discussão 

O doutorando e professor de Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Francis Moraes de Almeida vai na mesma linha para explicar algumas estatísticas quanto às idades da maioria das vítimas de homicídios e os dias em que mais se matou no ano de 2016 em Santa Maria (veja no quadro). Metade das pessoas assassinadas na cidade tinha entre 18 e 30 anos. E mais de 50% das mortes foram registradas em fins de semana.

– Essa faixa etária é justamente a que tem um comportamento de maior vulnerabilidade. Isso tem relação tanto com a faixa etária quanto aos dias. Como eles estão na rua, é mais provável que haja um confronto, porque dificilmente um vai no território do outro, e quem está marcado para morrer vai ser morto. Não é porque bebe que se mata ou que se morre, isso é uma falácia, mas a pessoa fica mais vulnerável – explica Francis.

O sociólogo também acrescenta que a crise financeira pode ser outro motivador. Para 2017, mesmo com o alto índice de resolução dos casos pela polícia, ele acredita que a tendência é que o número de assassinatos continue crescendo.

– É difícil pensarmos em políticas públicas com uma realidade de crise econômica, em que as oportunidades de trabalho são difíceis, e o crime acaba sendo atrativo, sobretudo entre jovens homens. Quanto às resoluções, para o sistema de Justiça criminal, é muito positivo, mas esses crimes não são de oportunidade, eles têm um sentido, um recado para a outra facção. É uma guerra, o que estamos vendo é a intensificação do combate. Apesar do empenho das polícias, as causas, que são as disputas, continuam, e a tendência é que 2017 não seja muito diferente.


 
 

Siga Diário SM no Twitter

  • diariosm

    diariosm

    DiárioSMVocê sabe como cuidar do seu pet no inverno? Veja dicas de especialistas https://t.co/EdZSfFk15C https://t.co/MI0SwAKIzRhá 1 diaRetweet
  • diariosm

    diariosm

    DiárioSMO que você vai almoçar neste domingo? Confira 6 opções de almoços em Santa Maria https://t.co/h765StDBXa https://t.co/gYmj2d6Kkxhá 1 diaRetweet

Veja também

Diário de Santa Maria
Busca
clicRBS
Nova busca - outros