VÍDEO: há 50 anos Werner Weich conserta relógios e tem o tempo como principal companheiro - Diário de Santa Maria

Perpétuo Socorro01/12/2016 | 10h14Atualizada em 06/12/2016 | 13h47

VÍDEO: há 50 anos Werner Weich conserta relógios e tem o tempo como principal companheiro

Na garagem onde mora, sua rotina é embalada por tic-tacs e cucos

VÍDEO: há 50 anos Werner Weich conserta relógios e tem o tempo como principal companheiro Jean Pimentel/Agencia RBS
Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS
Pâmela Rubin Matge
Pâmela Rubin Matge

pamela.matge@diariosm.com.br

Todos os relógios da cidade marcam aproximadamente 9h30min até entrar na garagem de Werner Weich, na Rua Marechal Deodoro, bairro Perpétuo Socorro. No local, centenas de aparelhos parecem desobedecer as regras do tempo. Instalado na parede, os ponteiros marcam 11h45min. Dentro de um armário com vidros transparentes, um relógio de bolso aponta para as 17h. O silêncio é quebrado por vários tic-tacs dessincronizados e passarinhos barulhentos que saem de caixas de madeiras, os cucos.

Assista ao vídeo:

Com 65 anos, 50 deles dedicados ao conserto de relógios, é ali, junto da própria casa onde mora com a mulher Leci, que Weich organiza seu local de trabalho.Para fazer um relógio voltar a funcionar, Weich afirma que a paciência é o principal instrumento. Ele também conta com o auxílio de lupas, pinças e benzina, em processos delicados que envolvem limpeza, ajuste e precisão.

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Os modelos são diversos. Tem aparelho de fabricação americana, alemã e inglesa. Tem relógio de pulso, de mesa, de bolso, de parede, despertadores e até um enorme relógio-ponto com cerca de 1,5 metro.

Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS


Segundo o relojoeiro, alguns têm mais de 100 anos. A manipulação de ponteiros e engrenagens foram seu principal ofício de vida desde que veio a Santa Maria por convite de um tio também relojoeiro. Há décadas, seu trabalho é referência na cidade e região.

– Eu tinha uns 15 anos e vim para a "cidade grande" para aprender uma profissão. Aqui fiquei, casei, tive um filho (Anderson) e é com relógios que trabalho até hoje.

Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

Pelo telefone (55) 3217-7685 recebe ligações de gente de várias cidades que procuram por conserto ou pela compra de alguns modelos. Paradoxalmente, ele se justifica que se desfez dos relógios de coleção para que não ficassem esquecidos à mercê do tempo. Inclusive, quem visita o Brique da Vila Belga, vez ou outra, encontra Weich comercializando seus produtos.

Dono do próprio tempo
Há alguns anos, Weich abandou o hábito de usar relógio de pulso. Para ele, o tempo dos outros parece ser diferente do próprio tempo. Pudera. O menino cresceu no interior de Ajuricaba, região noroeste do Estado. Lá, contava as horas pela posição do sol ou no chamado da mãe que informava que já era hora do almoço ou de "se recolher".

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Atualmente critica o ritmo frenético da vida e é resistente a novas tecnologias. Em casa, não há internet:

– A rapidez lá fora e o uso do celular parecem ter mudado as relações, isso afasta as pessoas. Não se senta mais para contar mais uma história, não se olha no olho. Eu valorizo o tempo. Tudo na minha vida é feito sem pressa.

Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS




 
 

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