"Se eu ficasse, mataria alguém ou seria morto", diz PM investigado por omissão em morte de colega - Diário de Santa Maria

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São Gabriel29/12/2016 | 19h03Atualizada em 29/12/2016 | 19h08

"Se eu ficasse, mataria alguém ou seria morto", diz PM investigado por omissão em morte de colega

Ele é visto em imagens de câmeras de segurança deixando o colega para trás

"Se eu ficasse, mataria alguém ou seria morto", diz PM investigado por omissão em morte de colega Reprodução / Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução / Reprodução

A Polícia Civil ouviu, na tarde desta quinta-feira, o depoimento do segundo policial militar (PM) investigado por suposta omissão no socorro ao soldado Bento Júnior Teixeira Borges, 36 anos, assassinado a facadas em um posto de combustíveis no último domingo em São Gabriel.

O soldado foi ouvido durante a tarde. Nas imagens registradas por câmeras no dia do crime, ele é visto aproximando-se de Bento, mas sai do local de carro, deixando o colega para trás.

PM diz em depoimento que temeu por sua segurança e por isso não ajudou colega morto em São Gabriel

– Ele disse que se ficasse ali, teria que matar alguém ou que seria morto. Ele não ligou para pedir socorro, mas pediu para que uma pessoa que estava no posto fizesse isso – diz o delegado José Bastos, titular da delegacia de polícia em São Gabriel e responsável pela investigação.

Conforme o delegado José Bastos, titular da delegacia de polícia em São Gabriel e responsável pela investigação, o sargento falou durante a manhã. Era ele que no dia do crime circulava pelo posto de carro enquanto a sua companheira filmava com o celular. Ele justificou não ter prestado a ajuda dizendo que não estava armado e temeu pela própria segurança e da companheira.

VÍDEO: Dois PMs são investigados por omissão em morte de colega em São Gabriel

– Ele disse que temeu pela sua segurança e da companheira, e que não estava armado, motivo pelo qual não ajudou o colega. Disse que o grupo estava em maior número e por isso não agiu – relata o delegado Bastos.

Para o delegado, há indícios de que pode ter ocorrido omissão. Se isso se confirmar, eles podem responder pelo crime de homicídio por omissão, pois "se furtaram ao dever de evitar o resultado, tendo em vista a condição de profissionais da segurança pública".

PM e adolescente morrem durante briga em São Gabriel

– Mas têm muitas circunstâncias que temos que avaliar para chegar a conclusão. O que é analisado é qual era possibilidade de ação de cada um e o que cada um fez e deixou de fazer. Nossa legislação vai até a expulsão – afirma Bastos.

Investigação


A investigação recaiu sobre os PMs depois da divulgação de imagens feitas com celular e que mostram que os dois estavam no posto Batovi, na BR-290, no momento em que Bento foi morto a golpes de facão. As cenas mostram o policial sendo agredido.

Há 16 investigados pela Polícia Civil – dois homens presos, sete adolescentes internados (entre eles, uma menina), quatro identificados e um ainda não identificado, além dos dois policiais. Os nomes não foram divulgados pela polícia.

Amigos e familiares de soldado morto protestam em São Gabriel

Os dois já prestaram depoimento à BM, que tem até 60 dias para concluir o Inquérito Policial Militar (IPM). Além disso, foi aberta uma sindicância especial para apurar a conduta do policial morto. Na prática, o resultado pode garantir ou não aposentadoria integral à mulher do PM, além de uma promoção póstuma para a vítima e uma condecoração por ato de bravura.

 
 

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