Lojistas de Santa Maria se unem para evitar furtos - Diário de Santa Maria

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Comércio local23/12/2016 | 20h30Atualizada em 23/12/2016 | 20h30

Lojistas de Santa Maria se unem para evitar furtos

Empresários e gerentes de estabelecimentos do Centro criaram grupo no WhatsApp para avisar sobre pessoas suspeitas

Lojistas de Santa Maria se unem para evitar furtos Maiara Bersch/Agencia RBS
Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS

Proprietários e gerentes de estabelecimentos comerciais do centro de Santa Maria resolveram dar um basta nos furtos cometidos dentro das lojas. Crime que aumenta exponencialmente neste período de Natal e Ano Novo. Para isso, eles estão utilizando a ferramenta mais popular de troca de mensagens por celular, o WhatsApp. A ideia é se proteger e inibir os crimes. Aos criminosos, os lojistas dão um recado: estamos de olho.

Sempre que um suspeito entra em uma loja, a informação é disparada para os integrantes do grupo, em geral, gerentes e donos de lojas, que tratam de avisar os funcionários. E é dessa forma, com a informação circulando, que eles garantem já terem inibido novos furtos. Os suspeitos são pessoas que têm histórico policial nesse tipo de crime ou que foram flagrados furtando por câmeras de monitoramento das lojas.

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Até a última segunda-feira, o grupo Lojas do Centro tinha 66 integrantes. A expectativa é de que o número aumente. O Diário conversou com quatro gerentes de estabelecimentos. Todos afirmaram que a troca de informações já deu resultados, como conta a gerente da Sibrama do Calçadão, Maria Amélia Leitemperguer:

– Na semana passada, vimos duas mulheres levando produtos da loja. Avisamos no grupo. A questão é de segurança. Sabemos das dificuldades da polícia. Então, vamos nos proteger da forma que conseguimos.

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Quando perguntada se queria participar do grupo, Eduarda de Senna, gerente da Dermapelle, que também fica no Calçadão, não hesitou:

– Achei bem interessante. Como já trabalho há bastante tempo no comércio, tem algumas figuras que já conhecemos. Um ajuda o outro. A gerente da Zana, Simone Winkelmann, entrou para o grupo há cerca de um mês.

– Nos ajuda bastante, porque ficamos sabendo na hora quando tem um suspeito circulando pelo Centro. Serve para ficarmos alertas – comenta.

A gerente conta que já aconteceu de entrarem na loja duas mulheres apontadas pelos lojistas no grupo de WhatsApp. Quando isso ocorre, em geral, os funcionários passam a monitorar o suspeito.

– A orientação é ficar por perto para inibir o furto – diz Simone.

Esse é o procedimento adotado em todas as lojas consultadas. O lojista que criou o grupo preferiu não se manifestar nesta reportagem.

Ajuda da comunidade

A iniciativa é semelhante à praticada no projeto Camobi Seguro, que reúne um grupo de empresários do bairro na Região Leste. A ação vem ao encontro do que propõem Polícia Civil, Brigada Militar e sociedade civil com o programa Santa Maria Segura. Lançado no último dia 15, o programa terá como agentes todos nós e começará a ser posto em prática a partir do primeiro semestre de 2017.

– Um dos projetos do Santa Maria Segura, que é o Comunidade Alerta, Comunidade Segura, tem essa ideia: do cidadão vigilante. Ou seja, os moradores ou segmentos se organizando e se comunicando em rede, como mecanismo de autoproteção – explica o comandante do Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO) Central, coronel Worney Mendonça.

O delegado regional da Polícia Civil, Sandro Meinerz, aprova a iniciativa dos lojistas, mas faz um alerta:

– Deve haver cuidado para que as fotos não sejam divulgadas. Pessoas que se sentirem lesadas podem processar o lojista.

Reclamação é quanto à impunidade em crimes desse tipo

A Polícia Civil e a Brigada Militar ressaltam que a ação ajuda muito na prevenção, mas não exime os lojistas de registrarem os furtos e roubos. Na prática, as vítimas acabam não registrando. Das lojas visitadas, apenas uma revelou que faz a ocorrência policial quando ocorre um furto. A justificativa da maioria é a impunidade.

– Já teve casos de pessoas presas, que tinham imagens das câmeras mostrando (o furto), e que, no dia seguinte, estavam soltas. Às vezes, eles (criminosos) saem da delegacia antes de nós – disse a gerente de uma loja.

Essa tese foi reforçada pela situação vivida por outro gerente.

– Já aconteceu de flagrarmos um rapaz furtando na loja. Levamos ele para a delegacia. Quando nosso funcionário saiu de lá, o bandido saiu também. Na mesma hora. Agora, quando flagramos alguém furtando, fazemos a pessoa devolver a mercadoria e mandamos embora – conta Rodrigo Figueiredo, gerente da Shopping 10.

Mas há quem defenda o registro policial.

– Acho que todos deveriam fazer o registro (na polícia), mesmo que a pessoa não seja presa, porque, se nos conformarmos com os furtos, a tendência é de que aumentem – disse a gerente da Zana, Simone Winkelmann.

Para o delegado regional Sandro Meinerz, fazer o registro da ocorrência é o primeiro passo para combater a impunidade:

– Sem o registro, não temos como responsabilizar ninguém. E o lojista, provavelmente, será vítima de novo.

 
 

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