Conheça mais sobre o escotismo, estilo de vida seguido por 40 milhões de pessoas - Diário de Santa Maria

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Sempre alerta!17/12/2016 | 08h30Atualizada em 19/12/2016 | 12h17

Conheça mais sobre o escotismo, estilo de vida seguido por 40 milhões de pessoas

Irmandade é sinônimo de disposição, união, saúde e honestidade em todo o mundo

Conheça mais sobre o escotismo, estilo de vida seguido por 40 milhões de pessoas Maiara Bersch/Agencia RBS
Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS

¿Sempre alerta!¿ Sem dúvida, essa é a expressão mais conhecida do movimento escoteiro, criado pelo ex-general inglês Robert Baden-Powell em 1907, depois do lançamento do Guia para o Escotismo. Ele não sabia que o que idealizava enquanto valores e práticas, e que reuniu no guia, tornaria-se um fenômeno mundial.

Conhecido pelo grande público como um grupo rústico, dedicado a atividades ligadas à natureza, como acampamentos, o movimento é tratado como uma filosofia de vida por seus praticantes, que já somam 40 milhões de pessoas em 216 países e territórios. A prerrogativa para participar é sair da zona de conforto.

Na região central do Estado, há oito grupos escoteiros em quatro cidades – Itaara, Lavras do Sul, Caçapava do Sul e Santa Maria – somando 430 praticantes.Dias atrás, o Bem Viver! visitou três grupos de Santa Maria para conhecer de perto o chamado método escoteiro. 

Integrantes do Grupo Escoteiro do Ar Augusto Severo passaram sábado chuvoso construindo um avião. Atividades sempre envolvem aprendizado Foto: João Pedro Lamas / Agência RBS

Nosso cicerone pelo mundo do escotismo foi Marcos Machado Paulo, coordenador do 4º Distrito Escoteiro. Ele explicou que é possível ingressar no escotismo a partir dos 6 anos e meio. O iniciante recebe a alcunha de ¿lobinho¿, fase que vai até os 10 anos e meio, quando passa a ser chamado de escoteiro, sênior e, então, pioneiro. A partir dos 21, o jovem se torna escotista (que também pode ser chamado de chefe), com a possibilidade de propor atividades, e ser dirigente, responsável pela gestão do grupo.

Foi o caso de Gilmore Gündel, 52 anos, hoje chefe sênior no Grupo do Ar (cada grupo tem ligação com um elemento da natureza) Augusto Severo, que tem sua sede próxima da Base Aérea de Santa Maria (Basm). Ele recebeu a equipe de reportagem em um sábado chuvoso, mas, apesar do mau tempo, os mais novos se comportavam com o mesmo empenho que em um dia de sol na realização de uma atividade: a construção de um avião.

– Já perguntou para eles o motivo de eles estarem aqui, em um sábado de tarde, nesse tempo chuvoso, quando poderiam estar fazendo qualquer outra coisa? – questionou.

Para escoteiros, o grupo é uma segunda família. Encontros semanais são oportunidade para rever amigos  Foto: Grupo Escoteiro Melvin Jones / Divulgação

A resposta é que a relação entre os membros é de irmandade. ¿Irmãos de ideal¿, dizem eles. Muitos começam muito cedo na atividade e estreitam, ¿desde sempre¿, os laços de amizade. O grupo é como uma segunda família, e o dia de atividades, que ocorre geralmente aos sábados, não é visto como uma obrigação, mas como uma oportunidade de rever gente por quem se tem carinho e participar de algo que trará aprendizado

O movimento escoteiro tem como pano de fundo a educação. Toda a atividade tem um viés educativo (seja no grupo, como o caso do avião, como na rua, como no Dia do Abraço). Cada ramo escoteiro tem enfoque em um aspecto considerado fundamental na caminhada do jovem. Para o lobinho, é a socialização. No escoteiro, a vida em equipe. Enquanto sênior, é o desafio. Como pioneiro, o projeto de vida. Ao longo da vida, a ideia é trabalhar o psicológico, espiritual e físico dentro do método escoteiro.

Foto: João Pedro Lamas / Agência RBS

No caso da construção do avião, são desenvolvidas a disciplina, o conhecimento de técnicas (corte do material e confecção dos nós, por exemplo) e o trabalho em equipe. Ao fim da atividade, cada um dos membros deve receber um distintivo, que é prova da progressão do jovem dentro do método escoteiro.

– Existe o espaço familiar, religioso, educativo. O grupo escoteiro é mais um espaço. Com o passar do tempo, o mundo foi mudando, e se percebeu uma carência desses aspectos nos jovens. Por isso, o método escoteiro tenta auxiliar nessas questões – conta Augusto Gündel, 22 anos, filho de Gilmore.

Escotismo no sangue

Moura, Tiago, Caio, o caçula Cauã e Karina atravessaram o Brasil seguindo os preceitos de Baden-Powell. Próximo destino é a Guiana Foto: João Pedro Lamas / Agência RBS

Em 1999, a professora acreana Karina, 37 anos, conheceu Tiago de Moura, 40, militar gaúcho que fora transferido para Rio Branco (AC). Tiago contou que era escoteiro e a essa informação entrou para o ¿curriculum¿ do novo casal. Tempos depois, nova transferência. Dessa vez, para Florianópolis (SC). Karina se sentiu muito sozinha na cidade grande. Foi então que decidiu entrar em um grupo escoteiro.

– Fui recebida como sendo da família. Hoje, o grupo escoteiro é a minha segunda família – afirma.

Como não poderia deixar de ser, o primeiro filho do casal, Tiago de Moura, 17 anos, foi iniciado no movimento aos 6. Há sete anos, Santa Maria se tornou o novo lar da família – que, aqui, foi ¿adotada¿ pelo grupo escoteiro Henrique Dias. Foi nele que o segundo filho do casal, Caio, hoje com 13 anos, foi iniciado. 

E, em três anos, o caçula Cauã, 3 anos e meio, aderirá ao movimento, com o qual já convive. Mas isso deve acontecer em outro país, a Guiana, país de destino da família. O contato com grupos escoteiros de lá já foi feito.

– Sou extremamente feliz por ter conhecido os escoteiros. Não sei como seria se não fosse o movimento. Com o meu caso, as pessoas podem ter ideia da razão de nos tratarmos como irmãos. Irmãos de ideal. É um aprendizado constante, para, então, poder fazer o bem – diz Karina.

Sinais e significados

José Barros Bento de Freitas, 11 anos e Júlia Dias, 12, do grupo escoteiro Melvin Jones, fazem o cumprimento ¿sempre alerta¿ Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS

São famosos os sinais e gestos usados pelos escoteiros. O mais conhecido deles é a saudação ¿sempre alerta¿– do inglês, be prepared, que, em tradução livre, é ¿esteja preparado¿. Ao sinalizar o lema, o integrante mostra os dedos indicador, médio e anelar. O que poucos sabem é a mensagem escondida no gesto. Cada dedo simboliza algo. No caso, Deus, pátria e o próximo. 

Já o dedo polegar sobre o mínimo significa ¿o mais forte protege o mais fraco¿ e ¿mesmo distante, sempre junto¿. 

O cumprimento é feito como que em um aperto de mãos habitual, mas com o dedo mínimo passando por entre os dedos médio e mínimo de quem se quer cumprimentar.

– Baden-Powell foi à África e conheceu a tribo Zulu, onde foi recebido por guerreiros, que carregavam lanças e escudos. Para cumprimentá-lo, um dos guerreiros baixou o escudo e apertou sua mão desse jeito. Virou um símbolo, significou confiança – explica Marco Daniel Vieira, 12 anos, do grupo Melvin Jones.

A Flor de Lis é o símbolo principal do movimento, pois era o utilizado Baden-Powell na época da fundação. Na cartografia, a flor ficava onde estaria o norte. E os integrantes interpretam que o escotismo seria o norte, o guia para o caminho certo.

 

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