Tendência é que número de homicídios continue crescendo em Santa Maria - Diário de Santa Maria

Estatística19/11/2016 | 08h10Atualizada em 19/11/2016 | 08h11

Tendência é que número de homicídios continue crescendo em Santa Maria

Especialistas avaliam os números do crime na cidade e projetam acréscimo nos índices

Tendência é que número de homicídios continue crescendo em Santa Maria Pedro Pavan/Agência RBS
Foto: Pedro Pavan / Agência RBS

O ano ainda nem acabou, e o número de pessoas assassinadas em Santa Maria já é quase o mesmo de todo o ano passado. Até o final da tarde de sexta-feira, 53 pessoas haviam sido vítimas de homicídio na cidade. Em todo 2015, foram 56. Ainda há um caso de junho deste ano que segue sem definição, mas que provavelmente irá confirmar-se como mais um assassinato, já que a Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP) trata o caso como latrocínio. Djanir Félix da Silva, 84 anos, foi encontrado um mês depois de desaparecer na cidade. O corpo do idoso apresentava um ferimento na cabeça, mas que precisa ser confirmado pela perícia para constatar a causa da morte. Caso se confirme, já seriam 54 pessoas assassinadas no ano, duas a menos que em todo o ano passado.

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A questão é que ainda faltam cerca de 45 dias para o término de 2016. E o pior de tudo é que a projeção para esses próximos dias é que esse número aumente. Isso conforme análise do titular da DPHPP, delegado Gabriel Zanella. Para ele, vários elementos contribuem para o cometimento do crime nos últimos dias do ano. Saídas de muitos detentos das casas prisionais, que acabam buscando o acerto de contas, e o calor, que propicia o aumento do consumo de drogas, lícitas e ilícitas, e que acabam, muitas vezes, gerando discussões por motivos fúteis, que acabam da pior maneira.

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– Este é um período conturbado. Pode ter certeza que vai ter casos, seja de homicídios tentados e de consumados. Essa é a tendência tendo em vista os anos anteriores, em que o número de homicídios aumenta. Infelizmente, é um prognóstico ruim, mas é uma projeção que fazemos. É uma situação alheia à vontade da Polícia Civil. Temos trabalhado de forma efetiva, já foram 47 prisões, mas algumas circunstâncias como progressão de regime e saídas temporárias de presos que, no nosso entender não deveriam sair do sistema, acabam atrapalhando o nosso trabalho – analisa Zanella.

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Para o doutor em Sociologia e membro fundador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Marcos Rolim, o aumento do número total de homicídios é algo que preocupa, obviamente, mas está dentro da normalidade.

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– Pode ser que o número absoluto tenha crescido, mas a taxa (para cada 100 mil habitantes) pode ter diminuído, analisando um período maior de tempo. O homicídio é um dos crimes mais regulares, o que é incomum são aumentos ou quedas muito bruscas. Se nesse período houver, de fato, uma curva muito acentuada, pode-se dizer que está aumentando. O número é alto, mas não dá para apontar que há uma tendência de crescimento – explica Rolim.

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No entanto, para o especialista em segurança pública Eduardo Pazinato, o fato de ser o quarto ano consecutivo de aumento nos números precisa pautar políticas municipais de prevenção a violência letal.

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– Nos últimos três anos houve esse crescimento, corroborado também por este ano. É uma tendência que se consolida na cidade. Se comparar com cidades da Região Metropolitana, obviamente é menor. Mas não se pode naturalizar isso e reduzir sua importância, parecendo que não há um problema de segurança – contrapõe Pazinato.

Polícia Civil tem outros números

Idealizador da DPHPP, que entrou em funcionamento em fevereiro deste ano, o delegado regional da Polícia Civil, Sandro Meinerz, faz uma avaliação positiva da atuação da nova delegacia. Para ele, os inquéritos têm sido mais robustos e, principalmente, a elucidação também aumentou. Além disso, o delegado apresenta outros números. Para a Polícia Civil, são 45 homicídios. Não são contabilizados os cinco latrocínios, em que a intenção é roubar, e outras três pessoas que foram mortas pelos autores por legítima defesa.

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– Quando fica evidente que se trata de uma legítima defesa, não temos uma caso de homicídio, que, para nós, não é um crime. E o latrocínio, que é ainda mais grave, é quando alguém tem o objetivo de roubar alguém, e não tirar a sua vida. Temos enaltecido a taxa de elucidação, que é superior a 90%. Antes da delegacia, por exemplo, as tentativas estavam abaixo de 45% – defende Meinerz.

Taxa de Santa Maria é considerada baixa

Considerado por especialistas a melhor maneira de analisar a violência no Brasil, a taxa de homicídios a cada 100 mil habitantes é baixa, em relação à média nacional, estadual e também de outros municípios do mesmo porte. Conforme o último relatório do Mapa da Violência, divulgado em agosto deste ano e que leva em conta as mortes por arma de fogo em 2012, 2013 e 2014, a taxa de Santa Maria é de 11,8 homicídios a cada 100 mil pessoas.

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O número é menor que em cidades como Passo Fundo (18), Caxias do Sul (17), Pelotas (16,6), Rio Grande (14,5), Canoas (35) e Porto Alegre (35,4). A média brasileira é de 25,7 mortes a cada 100 mil habitantes e, no Estado, de 23,2.  No entanto, levando em conta a taxa de homicídios deste ano, duas cidades têm número menor. Enquanto Santa Maria aparece com 19,1, Rio Grande e Pelotas contabilizam 13,9 e 18, respectivamente.

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Para o membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública Daniel Cerqueira, pesquisador na área de homicídios, a questão econômica, que aumentou a taxa de desempregados, a crise financeira do Estado e a má gestão da segurança pública são alguns dos motivos que explicam o aumento dos assassinatos.

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– A cada 1% a mais na taxa de desempregos, a taxa de homicídio aumenta 2%. A questão da evasão escolar também tem um índice parecido. A crise do Estado também é fundamental, se não tem dinheiro, como vai investir em mais policiais? Nos últimos anos, a Brigada Militar perdeu mais de 3 mil homens – contextualiza Cerqueira.


 
 

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