Tem de tudo no Armazém Catelan. Em especial, amigos  - Diário de Santa Maria

Diário nos Bairros17/11/2016 | 10h00Atualizada em 17/11/2016 | 10h17

Tem de tudo no Armazém Catelan. Em especial, amigos 

Morador da Rua Duque de Caxias,Gelsor Catelan é mais do que o dono do boteco que leva seu nome no bairro Medianeira

Tem de tudo no Armazém Catelan. Em especial, amigos  Germano Rorato/Agencia RBS
Gelsor, 66 anos, cultiva uma estreita amizade com o bairro. Ao lado de Belinha, a gata preta, ele atende os vizinhos  Foto: Germano Rorato / Agencia RBS
Pâmela Rubin Matge
Pâmela Rubin Matge

pamela.matge@diariosm.com.br

Gelsor Catelan, 66 anos, vive na Rua Duque de Caxias, número 2.927, desde a época em que a rua era uma estrada de chão batido e que não se via nenhum dos altos prédios que hoje rodeiam a região.

Há quase 50 anos, Catelan cultiva uma estreita relação com o bairro Medianeira. Seja como amigo dos vizinhos, seja pela utilidade do Armazém Catelan, administrado por ele e pela mulher, Cleonice.

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No final de 1969, quando abriu o estabelecimento, aceitava até fiado. Vendia, sobretudo, mantimentos como farinha, arroz e açúcar. A cachaça produzida no município de Jaguari viajava quilômetros em cima de uma carroça até chegar a Santa Maria.

– Era tipo bolicho de campanha. Tudo mais difícil. O primeiro engradado de refrigerante que vendi, tive de buscar lá no Giacomini (distribuidora), na Avenida Medianeira, e voltar a pé, com o peso nas costas – recorda o comerciante.

Táxi dos vizinhos
Filho de uma família de quatro irmãos, Catalan é natural de Jaguari e chegou à cidade para trabalhar com outro irmão, também dono de um empreendimento com o mesmo nome: Armazém Catelan. Este, porém, no bairro Rosário.

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Com o passar dos anos, comprou um Corcel 1, carro que, além de facilitar as demandas do trabalho, ajudou muita gente. Muitas foram as vezes que acordou cedo para levar os vizinhos para "tirar ficha" para consulta com um médico no antigo INPS. As amizades e o negócio cresceram.

Hoje, ele é conhecido no bairro e, entre uma venda e outra, sempre na companhia da gata Belinha, que circula à vontade pelo armazém, compartilha mates e conversas com quem chega. 

Foto: Germano Rorato / Agencia RBS

O empreendimento ainda conserva o objetivo de vender um pouco de tudo: tem produtos alimentícios, pente, carrinho de mão. Materiais para pescaria são os mais procurados. Cheque e máquina de cartão não há. É tudo no ¿cash¿.

Reduto de ¿causos¿
Uma das paredes do estabelecimento serve de mural para "presente" de amigos e está cheia de objetos antigos e carcaças de animais, o que remete a caçadas e pescas. Ali, estão pendurados, por exemplo, patas e cascos de tatu e cabeças de peixe.

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A propósito, quando não está no trabalho, Catelan gosta de sair e lançar suas iscas à água. Antigamente, o passatempo era ainda mais frequente. As conservas de cachaça, principalmente, butiá e abacaxi, seguem sendo vendidas e servidas em copinhos tão antigos quanto a maioria dos fregueses que ficam até horas sentados à única mesinha no canto do estabelecimento ou no pátio, em uma mesa de pedra construída pelo próprio comerciante.

– Os "causos" aqui do Catelan poderiam virar novela, mas nem dá para contar – gritou um dos clientes, que, além de não querer dizer o nome, salientou que as histórias são "segredo".

Cleonice, mulher e também dona do armazém, prefere classificar como "histórias de pescador".


 
 

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