Saúde, emprego e estabilidade são os desejos dos romeiros - Diário de Santa Maria

Procissão14/11/2016 | 07h31Atualizada em 14/11/2016 | 07h31

Saúde, emprego e estabilidade são os desejos dos romeiros

Cerca de 350 mil fiéis participaram da peregrinação. Agradecimentos também fizeram parte da caminhada de fé

Saúde, emprego e estabilidade são os desejos dos romeiros Maiara Bersch/Agencia RBS
Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS

Entre orações e cliques de celulares que registravam a 73ª Romaria da Medianeira, pedidos singelos e únicos. Mas ainda havia espaço para demandas recorrentes entre os romeiros: saúde e emprego, que despontavam na lista entre as pessoas ouvidas pelo Diário (leia abaixo).  

Histórias de pessoas que atribuem graças a Nossa Senhora Medianeira

No decorrer do trajeto e durante a missa campal, as orações – coletivas ou individuais – davam o tom de um momento de introspecção em que cada romeiro ou participante – ainda que não católicos – elevava as mãos e os pensamentos em busca de algum tipo de conforto ou, simplesmente, queriam agradecer.

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Em busca por conforto para amenizar dramas pessoais

Se a situação, para muitos, é de abalo no orçamento pessoal, há ainda quem busque forças para superar dramas pessoais. Foi o caso de Diego Zanin, 39 anos. Ele afirmou que foi por meio da busca da religiosidade que conseguiu superar a morte da mulher, há cinco meses.

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Reservado, ele diz que ¿a amada¿, como ele a chamava, ¿morreu de um câncer repentino¿. Quando viu o crachá do repórter, ele recuou. Primeiro, não quis mais falar. Mas, depois, retomou a conversa em tom de desabafo. O jovem, que é microempresário e natural de Bom Princípio, na Serra Gaúcha, fala que resolveu ¿dar um novo rumo¿ à própria vida:

– Vivo cada dia com serenidade e buscando relevar os outros e me acalmar. Ficarei meio ano viajando pelo país, ano que vem, quem sabe, o mundo me espere. A pequena empresa que tenho está sendo tocada por um amigo.

Ele sustenta que, desde então, planejamento é algo que fica só dentro da empresa dele. Na vida pessoal, busca a improvisação e o melhor para si ¿sem ser egoísta ou leviano¿ com os outros.

Resignação

Quando o assunto é renda, o tom é de desolação, ainda mais se for funcionário do Estado. O inspetor da Polícia Civil que falou com a reportagem, e pediu para não se identificar, resolveu pedir ajuda à Mãe Medianeira:

– O salário é parcelado, reflexo de uma crise que cedo ou tarde iria estourar. As contas seguem vindo, mas o dinheiro é a conta-gotas. Faço o que está ao meu alcance: empréstimos e diálogo com os credores. Mas tenho procurado me acalmar, porque tenho de me manter forte e com saúde.

Já alunos dos cursos da Economia e das Relações Internacionais da UFSM carregavam cartazes com dizeres como ¿PEC 241 não tem misericórdia¿, ¿Aceitamos doações¿ e ¿Estudantes contra a PEC 55, saudamos os romeiros¿.

Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS

O que os políticos e a população pediram durante a procissão

Junto ao cordão de isolamento, guardado por dezenas de brigadianos, que levava a imagem de Medianeira, políticos acompanharam o trajeto. Entre eles, estavam o prefeito da cidade José Haidar Farret (sem partido), o prefeito eleito Jorge Pozzobom (PSDB) e o ex-chefe do Executivo e, agora, secretário de Segurança Pública do Estado, Cezar Schirmer, além do prefeito eleito da Capital, Nelson Marchezan Jr. Confira abaixo o que eles e o povo pediram e agradeceram durante a procissão.

José Haidar Farret, prefeito de Santa Maria:
"Venho todo ano, sou um devoto da Mãe Medianeira. Renovo minha devoção a Ela, peço saúde para todos e venho rezar pelo povo de Santa Maria. E agradeço a oportunidade de estar fazendo tudo que está ao meu alcance pelo povo.¿

Jorge Pozzobom (PSDB), prefeito eleito de Santa Maria:

Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS

¿Me faço presente na Romaria desde que eu ainda estava na barriga da minha mãe. Recordo que, ano passado, fiz um pedido especial: para que a Mãe Medianeira me conduzisse de forma a vir a ser prefeito. Agradeço a Ela por ter me dado todo o amparo e essa responsabilidade de governar a cidade que amo, pois é uma bênção ser prefeito de Santa Maria. E orei bastante e pedi proteção a partir de 1º de janeiro.¿

Sergio Cechin (PP), vice-prefeito eleito de Santa Maria:
¿Quem é de Santa Maria sabe que a romaria é uma tradição e que, como tantas outras famílias, a minha faz parte. Sou devoto e não deixo um ano sequer de vir. Agradeço pelo voto de confiança dado pelo povo ao nosso projeto de governo e, inclusive, peço que a Mãe Medianeira nos ilumine nessa jornada a partir de 2017.¿

Cezar Schirmer, secretário de Segurança Pública do Estado:

Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS

¿Agradecer sempre. É o que tenho e fazer e é o que faço, até porque Deus me deu muito mais do que eu merecia. E venho pedir iluminação na construção de uma cultura da paz e da não violência, para uma sociedade mais segura e ordeira.¿

Nelson Marchezan Jr. (PSDB), prefeito eleito de Porto Alegre:
¿Meu pai (Nelson Marchezan) sempre vinha e eu sigo essa tradição da família. Fico feliz e revigorado ao estar aqui, há uma energia e um ambiente propício a isso. E tenho que agradecer ao fato de, nas eleições, eu ter tido a oportunidade de ter me cercado de pessoas boas. E é o que eu quero: que mais pessoas boas venham para o nosso lado e que possamos fazer uma gestão que Porto Alegre espera e merece.¿ 

Fabiano Pereira (PSB),ex-candidato a prefeito:
¿Só tenho a agradecer, seja pela vida e, principalmente, pedir saúde para a nossa gente.¿

Josy Coutinho, 19,estudante de Direito:
¿É fácil vir quando tudo está dando errado na tua vida, porque aí as pessoas lembram de Deus e de Nossa Senhora Medianeira. Difícil, penso, é estar aqui agradecendo, de pés descalços, enquanto poderia estar em casa fazendo churrasco ou bebendo.¿

Lucia Fraga Conceição, 73, dona de casa:
¿Agradeço por estar viva. E peço que a Mãe Medianeira não deixe de olhar por nós, uma cidade sofrida e atrasada. Uma cidade pobre em tudo.¿

Angelo Dagostin, 51, agricultor:
¿Não venho pedir, só agradecer por tudo que tenho que é o maior patrimônio que um homem pode ter: uma vida com saúde.¿

Lucio Antonio Nunes dos Santos, 29, ambulante:
¿Peço com que eu venda minhas mercadorias e que, se Deus quiser, eu possa voltar a trabalhar na construção civil.¿

Celso Fernandez, 41,gerente de loja:
¿A gente teve uma filha que, logo que nasceu, passou no hospital. Hoje, está bem. Ficou em casa com a mãe dela, mas eu sofri e achei que ela iria morrer. Pedi que Deus me levasse e deixasse minha menina, mas ela bem.¿

Adão Prestes da Fonseca,54, microempreendedor:
¿O momento é de pedir por uma cidade que cresça e que supere os problemas, principalmente os da saúde. Vou rezar para que o novo prefeito faça de Santa Maria um lugar melhor e torcer para que seja um bom prefeito.¿

Domingues Rossatto,67, militar da reserva:

¿Eu tenho um filho que teve problema com álcool. Ele se ajudou e deixou o vício. Eu pedi e chorei muito porque eu o via se destruindo. Graças a Deus, ele venceu.¿

Branco Cantarelli Silvestre,41, funcionário público:

¿A gente tem mania de só pedir, aqui é um momento de refletir e de orar por aqueles que amamos e pela cidade. Santa Maria precisa sair desse marasmo e criar oportunidades.¿

Arturio Gaspari Diniz, 32, tecnólogo em logística:
¿Saúde, eu tenho, emprego, não. Chato, né? Quero trabalhar e sou capacitado, mas não tem vaga no mercado. Nunca fui de frequentar nada ou de rezar, mas chegou o momento. Se eu voltar a trabalhar, ano que vem, estarei aqui, pode ter certeza.¿

Gabrieli Marques,25, enfermeira:

¿Eu agradeço por tudo que tenho e por quem sou. E peço que tenhamos mais tolerância uns para com os outros. Vivemos num mundo perigoso.¿

Diego Zanin, 39, microempresário:
¿Quando se perde alguém que se ama muito, a gente morre junto. Eu sofri muito e ainda sofro com a morte da minha mulher. Mas não posso seguir assim. São em momentos de fraqueza e de desespero que a gente vê a grandeza de Deus.¿

Raquel Platini, 23, estudante de Administração:
¿Venho para defender a vida e a construção de uma sociedade com jovens engajados na obra de Deus. Hoje tudo é muito dissimulado e muito falso, os jovens abusam das drogas e banalizaram os relacionamentos. A família é a instância maior da sociedade, quem não está dentro dela, nada tem.¿

Ruy Cardozo Schuster, 43, bancário:
¿Agradecer por ter emprego e saúde. E pedir com que nossos governantes sejam competentes e trabalhem para tirar o Estado e o país do atoleiro econômico.¿

Pedro Castelo Berger, 50, aposentado:

¿Pior do que pedir é reclamar. Não quero fazer nem um nem outro. Só venho agradecer por ter um lar em que as pessoas se amam e se respeitam.¿

Uma grande procissão de ambulantes e desempregados

A reportagem do Diário contabilizou, ao menos, 110 barracas e espaços de comercialização dos mais variados produtos – relógios, óculos, brinquedos, recordações religiosas e lanches. Não é nenhuma novidade o fato de ambulantes tomarem a quadra em frente e no entorno da Basílica da Medianeira, mas dois tinham histórias pitorescas.

Com 33 anos, sendo oito deles dedicado ao setor automobilístico, Arturio Gaspari Diniz, 32, tecnólogo em logística, é um dos gaúchos que avolumam as filas de desempregados. Frente à nova realidade, que ¿nunca imaginou¿ que enfrentaria, ele ¿apelou aos céus¿. Ainda ¿sobrevivendo¿ com o dinheiro da rescisão, ele avalia que o momento, político-econômico do país, é ¿estarrecedor¿:

– Trabalhei fora do país, estagiei e trabalhei minha vida toda. Aí, um dia, decidem te mandar embora. O pior é tu ir numa empresa ou deixar o currículo e ouvir coisas do tipo ¿queria te contratar, mas não tem como¿. Isso arrebenta o cara. E quando o calo do cara aperta, um ateu se agarra a tudo (risos).

A poucos metros da entrada para o Parque da Medianeira, um efusivo vendedor gritava ¿na compra de três peças, a quarta é de graça¿. Ao lado dele, um jovem negro, que disse ser haitiano, ia organizando o estoque de produtos – relógios e pulseiras.

Carregando um isopor, sob um sol de escaldante 28°C, com sanduíches devidamente embalados e garrafas PET com água e suco, o ambulante Erisson Azevedo, 55, projetava fazer R$ 500 até as 19h de domingo.

– O sanduíche daqui é igual ao da padaria, só que o meu é mais barato – afirmava.

 Em três horas de romaria, o Diário falou com, pelo menos, 10 pessoas sem emprego ou que trabalham sem a carteira assinada e que pediam em suas preces por uma chance no mercado de trabalho.

 
 

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