Há 30 anos, o freteiro Rizzi é figura querida nos bairros Bonfim e Fátima - Diário de Santa Maria

Bonfim/Fátima24/11/2016 | 10h02Atualizada em 25/11/2016 | 11h33

Há 30 anos, o freteiro Rizzi é figura querida nos bairros Bonfim e Fátima

O caminhão Ford-350, de 1962, e seu dono já testemunharam chegadas, partidas e reconciliações

Há 30 anos, o freteiro Rizzi é figura querida nos bairros Bonfim e Fátima Germano Rorato/Agencia RBS
Foto: Germano Rorato / Agencia RBS
Pâmela Rubin Matge
Pâmela Rubin Matge

pamela.matge@diariosm.com.br

No caminhão do seu Rizzi, muitas mudanças e histórias já foram levadas para os quatro cantos do Estado. Porém, em 30 anos e milhares quilômetros percorridos, muitas amizades foram seladas enquanto ele não estava em movimento.

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Foi entre um frete e outro, com o veículo estacionado nos bairros Fátima e Bonfim, que Ziloé José Rizzi, 76 anos, virou figura querida de muitos santa-marienses.

– Por aqui, sou mais conhecido que parteira de campanha – diz o motorista, orgulhoso.


Foto: Germano Rorato / Agencia RBS


Nascido em Santa Maria, o menino que sonhava em ser médico, mas que, por necessidade financeira acabou virando feirante, também lembra do dia, do mês e do ano em que encampou o serviço de fretes e mudanças.

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Desde 5 de outubro de 1985, tem feito muito mais que o transporte de móveis. Ele acompanha estudantes ou famílias em chegadas, partidas e até reconciliações. Com frequência, também intervém com uma palavra de apoio:

– Geralmente, são as mulheres que saem de casa e levam tudo. Uma fez toda mudança e deixou só a roupa do corpo do marido. Esses dramas fazem parte, sempre tento acalmar as pessoas.

E são nessas trocas, seja nas conversas com os vizinhos de bairro, seja com os clientes, que o freteiro afirma encontrar prazer no que faz. A única coisa que o incomoda nos últimos anos é "a tranqueira no trânsito", como costuma definir.

O vai e vem de carros com condutores estressados e a dificuldade de encontrar locais para estacionamento, inclusive, foram os motivos que fizeram o motorista sair do seu antigo "ponto", na Avenida Presidente Vargas, para as mediações da Praça dos Bombeiros.

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No interior do seu Ford-350 ano 1962, terços pendurados no retrovisor demonstram a fé de Rizzi – que é devoto, principalmente, de Santo Antônio. Ele credita ao santo o resgate de seu caminhão 43 dias depois de ele ser roubado, em 2000. Na ocasião, um homem se passou por cliente, o levou até um vilarejo no alto de um morro em Nova Petrópolis, na Serra.

Enquanto o freteiro conferia os pneus, o ladrão fugiu com o veículo. Após mais de um mês de incansáveis orações – dele e de vários amigos – além de viagens para diversas cidades, o veículo foi encontrado em Gravataí, na região metropolitana.

Pouco restou do caminhão original, mas o motorista pode voltar para casa com seu aliado de trabalho.

O plano é não parar

Quem cresceu no bairro Fátima, sobretudo, nas décadas de 80 e 90, alguma vez já deve ter subido na carroceria de Rizzi, à época, um atrativo das crianças da região.

Uma das boas lembranças que ele guarda da época, foi ter sido festeiro e colaborador da antiga Cidade dos Meninos. No trajeto de dois quilômetros entre o prédio da instituição e a rodovia, divertia a gurizada em cima do caminhão.Na carroceria que costumeiramente carrega armários, cadeiras e camas, também já foram carregadas vacas, ovelhas e até caixões. 

Foto: Germano Rorato / Agencia RBS


O motorista lembra que muitos foram os velórios em que transportou o morto e seus familiares.Debaixo de sol ou de chuva, o idoso garante que nunca se acidentou. A coluna e o estado de saúde também seguem bons, salvo uma dor no joelho esquerdo. Atualmente, ele evita carregar peso e conta com ajudantes para as mudanças. E o plano é continuar em atividade:

– Quando estou parado, gosto de conversar com todo mundo e alegrar os olhos com quem passa. Também gosto muito dessa coisa de servir as pessoas com zelo, carinho e segurança. Ainda vou uns anos trabalhando. Amo fazer isso, só ainda não fiquei rico – brinca o freteiro.


 
 

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