Em sete dias, UFSM tem oito prédios ocupados em protesto contra a PEC 55 - Diário de Santa Maria

Ocupações16/11/2016 | 08h31Atualizada em 16/11/2016 | 08h31

Em sete dias, UFSM tem oito prédios ocupados em protesto contra a PEC 55

Especialistas avaliam mobilização como positiva

Em sete dias, UFSM tem oito prédios ocupados em protesto contra a PEC 55 Jean Pimentel/Agencia RBS
Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

O início das ocupações dos prédios da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) completou sete dias terça-feira. A iniciativa foi tomada pelo curso de Geografia, que ocupou o prédio 17, de Geociências. Os estudantes são contrários à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 (antiga PEC 241), que fixa o teto de gastos públicos e congela investimentos em Saúde e Educação por até 20 anos.

PF ouviu estudantes suspeitos de fazer ameaças a integrantes de ocupações

Este foi o estopim para que alunos de outros cursos também decidissem por tomar os prédios das suas áreas: foram ocupados prédios do Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH), Centro de Artes e Letras (CAL) e Centro de Educação (CE) até a quarta-feira da semana passada, quando houve a assembleia que reuniu milhares de pessoas e decidiu pela ocupação da UFSM. Após, foram ocupados prédios do Curso de Arquitetura e Urbanismo (CAU), da Antiga Reitoria, de Apoio Didático-Comunitário e, por último, o de Ciências Naturais e Exatas (CCNE).

DCE da UFSM questiona teor da assembleia realizada na quinta-feira

O Diário esteve, nesta terça-feira, em todos os prédios ocupados. A reportagem teve acesso, ainda que só à entrada, ao prédio do curso de Geociências, a favor das ocupações, e ao da Antiga Reitoria, que é contra. A entrada nos demais não foi permitida pelos manifestantes.

Milhares participam de assembleia para decidir se UFSM será ocupada pelos estudantes

Todas as decisões dos ocupantes são tomadas em assembleias, sem periodicidade certa, e o resultado é divulgado em páginas no Facebook, por meio de notas. A Ocupa UFSM reúne as páginas de cada uma das ocupações. Essa foi a resposta dada à reportagem quando tentou entrevistar os estudantes. Ninguém quis se identificar.

Estudantes ocupam outros três prédios da UFSM em protesto contra a PEC 55  

A decisão de não falar com a imprensa foi tomada em assembleia, segundo os estudantes, porque não há lideranças para o movimento, por questões de segurança e devido ao receio sobre como os fatos seriam noticiados. No CAU, por exemplo, logo na entrada, o visitante é informado por um cartaz sobre as regras: "acatar a decisão da maioria, respeito a todos, sem drogas lícitas e ilícitas, e nenhum registro é permitido, pois temos uma comissão de comunicação".

No prédio de Geociências, estudantes dormem, se alimentam e fazem a higiene no local há sete dias. Também são responsáveis pela limpeza. O grupo é quem viabiliza a comida, mas também recebe doações. Há uma caixa em frente ao prédio. Eles não entram em detalhes sobre o número de pessoas que permanecem no local e da logística para manter o prédio sempre ocupado.

O casal Carlos Jesus Moraes e Heide Moraes, os dois de 60 anos, passeava pelo campus e dava uma olhada nos cartazes da ocupação no CCSH quando foi abordado pela reportagem.

– Julgo legítimo, importante, desde que não haja exageros – diz o auditor fiscal.

No fim da semana passada, houve tensão entre grupos contrários. Houve relatos de ameaças e casos de pessoas armadas em fotos no Facebook. A Polícia Federal (PF) identificou sete suspeitos, que negaram ter a pretensão de cometer algum crime.

Ocupar para que não ocupem

Estudantes dos cursos de Ciências Contábeis tomaram a iniciativa de ocupar o prédio da Antiga Reitoria para impedir que os demais estudantes ocupassem. Motivo: queriam manter as aulas e os projetos de extensão. Eles dispuseram barracas e colchões pelo local.

– Aqui, há estudantes contra e a favor da PEC. Nós estamos juntos, pois queremos garantir o direito de ter aula. Manter os serviços prestados à comunidade por meio dos projetos de extensão – diz o acadêmico de Ciências Contábeis Nivaldo Zumba, 31 anos.

No prédio de Apoio Didático-Comunitário, onde ocorrem atendimentos de fonoaudiologia, os serviços não foram suspensos segundo manifestantes pró-ocupação.

Para esta quarta-feira, está prevista uma reunião entre professores coordenadores de cursos para definir onde ocorrerão as aulas, e se ocorrerão, de prédios ocupados. Os ocupantes da Antiga Reitoria dizem que está em andamento uma tratativa para que sejam disponibilizadas salas. Está marcada para quinta-feira uma assembleia dos professores para discutir o cenário da greve, cujo indicativo de paralisação foi aprovado.

Especialistas avaliam mobilização como positiva

Sem entrar na questão de se a PEC é positiva ou negativa, o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e cientista político Benedito Tadeu Cesar diz que a mobilização é "salutar".

– Todo o movimento de reunião de alunos em prol de um objetivo em comum, digno, é positivo. Esses jovens vão sair maiores dessa experiência de aprendizado coletivo, principalmente pela questão de prós e contras, que é o natural da democracia – diz Cesar.

O professor, jornalista e sociólogo Marcos Rolim concorda. Ele acredita que as mobilizações ajudem o estudante a se posicionar diante da vida. Segundo os especialistas, as mobilizações eclodem no país todo e em diversos casos deixaram de lado o partidarismo, o que é um aspecto positivo. Há receio, no entanto, de que o movimento, por ter sido espontâneo, peque na organização e desapareça.

Ainda, para os professores, não há urgência para que a PEC seja votada, pois o impacto não seria imediato.

– Não acredito que ela será aprovada neste momento – conclui Cesar.

 
 

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