Casos de homicídios de catarinenses em Joinville e em Porto Rico têm histórias parecidas  - Diário de Santa Maria

Episódios semelhantes07/11/2016 | 07h15Atualizada em 07/11/2016 | 08h56

Casos de homicídios de catarinenses em Joinville e em Porto Rico têm histórias parecidas 

Em ambos os casos, o autor do crime matou três familiares, incluindo filhos, e depois tirou a própria vida

Em menos de uma semana, dois episódios de homicídios, em Ponce (Porto Rico) e Joinville, têm histórias parecidas. Em ambos os casos, o autor do crime matou familiares, incluindo filhos, e depois tirou a própria vida. Vizinhos e pessoas mais próximas às duas famílias dizem que nunca notaram nada de errado, deixando os casos ainda mais incompreensíveis. Porém, segundo especialistas, dificilmente situações assim acontecem sem o autor do crime deixar pistas.

— Isso (crime) é a ponta do iceberg. Nós, que trabalhamos com violência doméstica, percebemos que são inúmeras as denúncias. Normalmente não começou ali. O episódio foi o fim de um transtorno mental ou de personalidade, por exemplo — diz Janaína Cecconi, psiquiatra especialista em infância e adolescência.

O que é observado na prática médica, segundo a especialista, é que são situações que ocorrem há muito tempo e geralmente os autores dão pistas para a família. Ela não acompanhou especificamente os dois casos dos últimos dias, mas destaca que é comum haver negligência. Por isso indica que ao menor sinal de instabilidade — agressão ou irritabilidade a qualquer momento, por exemplo –, é preciso procurar ajuda.

— São situações em que muitas coisas falharam — acrescenta.

O psiquiatra Vicente Ganem compartilha do mesmo diagnóstico. Para ele, a pessoa deixa indícios de que vai cometer um ato violento:

— Alguém que agrediu a família deve ter tido outros rompantes.

O especialista acrescenta que muitos episódios de violência ocorrem por conta do transtorno de personalidade, que são alterações no desenvolvimento da pessoa e que geralmente começam na infância e adolescência. Por exemplo, a pessoa é agressiva e acha que é normal.

— A maioria dos pacientes não tem a percepção que fazem errado. Os transtornos de personalidade respondem à medicação, mas necessitam de psicoterapia. Você tem que fazer com que a pessoa perceba o que faz de errado.Ganem também cita outras questões que resultam nesses episódios de violência, como a banalização da violência. Muitas pessoas têm histórico de agressão na família, mas parentes não levam o caso para médicos ou polícia.

— Ficar com raiva às vezes é normal. Se você ficar com muita intensidade, é um problema. Isso é muito mais associado à estrutura da personalidade do que um transtorno mental (depressão, esquizofrenia). Muitas pessoas com transtorno de personalidade não sofrem com essas outras doenças.

O psiquiatra explica ainda que o transtorno de personalidade pode ser causado pela genética (tendência dos pais), nas relações em casa e em sociedade (violência sofrida na infância). 

O que perceber dentro da família

Mesmo cada caso sendo específico, a psiquiatra Janaína Cecconi destaca que é preciso que as famílias fiquem atentas às mudanças de comportamento repentino de um parente.

— Quando a pessoa fala que está no limite, dizendo que ¿vai acabar com tudo¿, por exemplo, é preciso cuidado. Tem que ficar em alerta quando uma pessoa que é tranquila começa a ficar com raiva facilmente.Além disso, segundo ela, brigas e abusos de drogas também são sinais de transtorno. Nesses casos, a melhor saída é procurar ajuda médica ou psicoterapia. 

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