No Dia do Professor, Diário mostra a jornada de professora que viaja para dar aulas - Diário de Santa Maria

Pé na estrada, pela educação14/10/2016 | 20h18Atualizada em 15/10/2016 | 11h24

No Dia do Professor, Diário mostra a jornada de professora que viaja para dar aulas

Três vezes por semana, a educadora especial Marilise Ferreira vai de Santa Maria a São Sepé para dar aulas. Inspiração vem das crianças e da mãe, que é alfabetizadora

No Dia do Professor, Diário mostra a jornada de professora que viaja para dar aulas Jean Pimentel/Agencia RBS
Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

Ser professor não é uma tarefa fácil, há quem diga que educar é um sacerdócio: função em tempo integral. Mas o dia a dia de alguns educadores torna prática essa afirmação. Ainda é madrugada, e muitos já estão em pé, preparando-se para pegar a estrada e ir para a escola. 

Essa é a rotina da professora e psicóloga Marilise Ferreira, 23 anos. Às segundas, terças e sextas-feiras, ela sai de casa às 4h30min para dar aulas em São Sepé.

Na sexta-feira, uma equipe do Diário acompanhou a jornada dessa jovem até seu local de trabalho, na localidade de Tupanci. E, nesta reportagem, a gente conta um pouco da sua rotina, como forma de celebrar o Dia do Professor, comemorado neste sábado.

O dia começa às 4h

Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

O dia de Marilise começa por volta das 4h. Deixar o material pronto e a roupa separada são algumas das artimanhas para diminuir a correria das manhãs. Tomar banho, vestir-se e tomar café da manhã em poucos minutos. 

Por volta das 4h50min, depois de ¿bicadas¿ num suco e em pão integral, ela pega carona com o pai, Ilson Ferreira, que a leva ao ponto de encontro com colegas de jornada.

Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

Nove coisas para fazer em Santa Maria neste fim de semana

O tempo que a jovem passa em casa é pequeno. Formada em Educação Especial em dezembro de 2014, ela disse que tinha o desejo de ¿começar logo a prática¿, de preferência, realizando ¿sonho de ser aprovada em concurso público¿. O sucesso veio em 2015, quando prestou concurso para a prefeitura de São Sepé, em primeiro lugar. Em paralelo, veio a aprovação no mestrado em Psicologia.

Começavam aí a rotina de caronas e as viagens, para ser professora, profissão que sonhou exercer desde a infância.

Trajeto com baldeação

Marilise e outros dois colegas viajam de carro até São Sepé. É a primeira parte da jornada da educadora especial Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

Os professores Renata Aita e Leandro Menezes são os parceiros de carona entre Santa Maria e São Sepé. O trajeto de cerca de 60km dura cerca de 50 minutos. 

No município, baldeação: às 6h30min, eles pegam o ônibus da Secretaria Municipal de Educação, que os leva para os respectivos destinos: no caso de Marilise e Leandro é Tupanci, distrito que fica a cerca de 30km do centro de São Sepé.O coletivo amarelo transporta, diariamente, aproximadamente 30 pessoas – 10  professores e 20 alunos. 

Em São Sepé, professores pegam ônibus escolar para chegar à escola da zona rural Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

A viagem de 60 minutos tem como paisagem vastos campos verdes, pintados pelo azul dos açudes e pelo vermelho da estrada estreita que castiga os viajantes com pedras, pó e buracos.O sol que atrapalha os agricultores, ajuda os educadores, pois, se chove não tem aula.

– Fica tudo intransitável – conta a diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental João Pessoa, Elisabete Haas.

A viagem até Tupanci dura pelo menos 60 minutos, feitos em estrada de chão Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

Entre uma propriedade e outra, mais crianças sobem no ônibus. Com a viagem longa, cerca de uma hora de trajeto, e poucas horas de sono pela noite, as poltronas se transformam cama.

Na escola, a realização

Com jogos e paciência, a educadora especial busca identificar causas dos problemas de aprendizagem dos alunos Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

A educadora chega ao seu destino, a Escola Municipal de Ensino Fundamental João Pessoa, por volta das 7h40min. Lá, atende a 10 alunos até as 16h. A escola rural tem um calendário de aulas diferenciado. Os alunos têm aulas em turno integral em três dias da semana. Isso reduziu a evasão escolar, que crescia a cada plantio ou colheita, quando os pequenos estudantes precisam ajudar os pais nas lavouras.

A professora Marilise Ferreira entre as  alunas e irmãs Camila da Costa, 15 anos (à esq.) e  Lisandra da Costa, 17 Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

Com jogos e paciência, a educadora especial busca na conversa com demais educadores identificar problemas dos alunos, na maioria das vezes associada a transtorno de déficit de atenção, casos de autismo ou dificuldades de aprendizado. O atendimento dirigido visa ajudar os pequenos a desenvolver potencialidades. Um dos alunos é Jonas Gonçalves, 12 anos, aluno do 7º ano que tem dificuldades motoras no lado esquerdo do corpo.

– A professora é muito boa. Com ela, aprendi a fazer continhas e a ler melhor. Ela tem paciência e é muito querida – elogia o menino.

Paixão pelo que faz

Escola João Pessoa é como um segundo lar para a educadora especial Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

Como nas terça-feiras, a educadora atende na Escola Infantil Dona Maria Liberata Fraga Prates, no centro da cidade, Marilise passa a noite na casa da diretora. Além das segundas e terças cheias nas instituições, às sextas-feiras, Marilise ainda atende em domicílio, na casa dos alunos que precisam de reforço.

Tamanho empenho não é só empolgação de juventude, garante a educadora. A mãe, Zenita Guerra, era alfabetizadora e, desde criança, a filha a acompanhava na escola. Ela conta que sempre se mostrava prestativa para formular novas atividades para as aulas da mãe e que, em algumas oportunidades, mãe e filha deram aula juntas. O exemplo materno e a vocação por ensinar têm sido, até aqui, lenitivos para o cansaço:

– Sou apaixonada por educar. Ver os olhinhos das crianças brilhando e participar do crescimento pessoal de cada são coisas que me emocionam. E dar orgulho aos meus pais é a maior recompensa.

(Colaborou Lorenzo Rodrigues)

 
 

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