BM propõe força-tarefa com outros órgãos para terminar com bailes funk ilegais em Santa Maria - Diário de Santa Maria

Combate18/10/2016 | 20h39Atualizada em 18/10/2016 | 20h39

BM propõe força-tarefa com outros órgãos para terminar com bailes funk ilegais em Santa Maria

Ação reuniria também Ministério Público, Polícia Civil e prefeitura

BM propõe força-tarefa com outros órgãos para terminar com bailes funk ilegais em Santa Maria Germano Rorato/Agencia RBS
Uma das boates funciona na Rua José Aita, onde um jovem foi baleado e morreu Foto: Germano Rorato / Agencia RBS

Só a união entre órgãos públicos será capaz de terminar com os bailes funk ilegais em Santa Maria. Brigada Militar, Polícia Civil e Ministério Público já haviam tratado do assunto na metade deste ano, quando duas boates ilegais foram descobertas. No entanto, depois que Leandro Peres de Moraes, 18 anos, foi baleado na saída de uma boate na Rua José Aita, bairro Menino Jesus, na última sexta-feira – ele morreu no sábado –, o assuntou voltou à tona. O dono da casa onde ocorrem os bailes está preso por estelionato, mas foi indiciado pela venda de bebida alcoólica para adolescentes naquele local e também por posse de drogas. Mesmo assim, as festas continuam.

Morre jovem baleado na chegada de baile funk em Santa Maria

– Depois que o dono da casa foi preso, deu uma acalmada, mas agora começou de novo. Há dois finais de semana, me prestei a contar. Passaram umas 80 crianças por ali. No final, de madrugada, eles ficam gritando, "Zona Norte" e não sei o que mais – desabafa um morador da Rua José Aita, que pede para não ser identificado.

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A delegada Luiza Sousa, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, sustenta que a situação é difícil, já que a pena para o crime de venda de bebida alcoólica para adolescentes é branda (no máximo, quatro anos de prisão), e é difícil controlar a realização das festas.

Donos de boates ilegais suspeitas de vender bebida alcoólica e drogas a adolescentes são indiciados

– Se não tiver lá (na José Aita), vai ter em outro lugar. A prefeitura já foi e lacrou, a Brigada já foi, e eles fazem novamente. A polícia vai conter o crime, que é a venda, mas a questão do local funcionar não cabe a nós – explica Luiza.

Dono de boate ilegal é preso por venda de bebida alcoólica para adolescentes em Santa Maria

A Brigada Militar foi quem descobriu os locais onde funcionam três bailes ilegais (veja abaixo) e faz o monitoramento. Para o comandante do 1º Regimento de Polícia Montada, tenente-coronel Erivelto Hernandes, só a união de todas as instituições pode dar uma resposta mais dura para os casos.

Boates ilegais suspeitas de vender bebida e droga para adolescentes são notificadas 

– A Promotoria da Infância e da Juventude tem que entrar nesse circuito. Já fizemos abordagens e verificação, mas isso não tem bastado. Precisamos de uma aproximação novamente, reavaliar ações futuras e criar uma força-tarefa entre prefeitura, MP, BM e PC para combater com mais força essa situação – propõe Hernandes.

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Pela assessoria de imprensa do MP, o promotor da Infância e Juventude Antônio Augusto Ramos de Morais disse que já houve uma reunião com a BM antes desse assassinato ocorrer, e foram traçadas ações para coibir a atividade.

VÍDEO: polícia investiga venda de bebida e droga para adolescentes em boate ilegal de Santa Maria

O superintendente de fiscalização da prefeitura, Tiago Candaten, explica que é difícil interditar os locais, já que as festas são realizadas nas próprias casas. O dono da casa da Rua José Aita já foi notificado uma vez. As multas para esses casos começam em R$ 149,50 e podem chegar a R$ 5,9 mil.

Dono de casa suspeita de ser boate ilegal é preso por estelionato em Santa Maria

– Primeiro, temos que comprovar a atividade econômica, como a venda de ingressos e bebidas. E, segundo, não temos como fechar uma casa. No máximo, podemos encerrar a festa, para que desliguem o som e parem de vender. Não temos nem como mandar as pessoas embora porque elas estão na casa de outra pessoa – explica Candaten.

OS BAILES ILEGAIS

Como funcionam

- As festas são realizadas, geralmente, às sextas-feiras, aos sábados e domingos

- Há cobrança de ingressos para entrada. O valor é de R$ 10 para homens e R$ 5 para mulheres

- Há segurança nos locais por conta dos organizadores

- Os locais também contam com copa, onde há venda de bebida alcoólica e chapelaria

A situação dos três bailes funk monitorados pela Polícia Civil

- Na Rua José Aita, no bairro Menino Jesus, região nordeste: O dono da casa foi preso, pois estava foragido de uma condenação de 2006 por estelionato. Ele foi indiciado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) por venda de bebida alcoólica para adolescentes e posse de droga

- Na Rua Alfredo Saccol, no bairro Tomazetti, região sul: O dono da casa foi indiciado por posse de droga, já que foram encontrados cigarros de maconha no chão. Como os adolescentes disseram não ter ingerido e não ter visto a comercialização de bebidas alcoólicas, o homem não foi indiciado pela venda para adolescentes. Ele foi preso em flagrante pela Brigada Militar pela posse da droga, pagou R$ 1,5 mil de fiança e foi liberado

- Na Rua Luiz Catagna, no bairro João Goulart, região nordeste: O local está sendo monitorado pela Polícia Civil, mas ninguém foi indiciado

 
 

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