Técnicos da UFSM estimam que alguns cães morreram há 10 meses - Diário de Santa Maria

Caso dos cachorros do sobrado15/09/2016 | 16h29Atualizada em 16/09/2016 | 12h26

Técnicos da UFSM estimam que alguns cães morreram há 10 meses

Polícia Civil já tem provas suficientes para indicar a responsabilidade

Técnicos da UFSM estimam que alguns cães morreram há 10 meses João Pedro Lamas/Agência RBS
À esquerda, como deveria ser o osso. À direita, como ficou. Animais podem ter se alimentado uns dos outros. Foto: João Pedro Lamas / Agência RBS

Técnicos em anatomia ligados ao Departamento de Morfologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) estiveram no sobrado onde um oficial de Justiça encontrou 25 cães mortos durante o cumprimento de uma ação de despejo, na quarta-feira.

Os profissionais da Federal não foram designados para fazer a perícia oficial do cadáveres dos animais, mas solicitaram à Polícia Civil permissão para separar as ossadas e estudá-las com objetivo científico.

Oficial de Justiça encontra 25 cães mortos ao cumprir ordem de desocupação em Santa Maria

Em uma análise preliminar, baseada no estado de decomposição dos animais, os técnicos, que têm formação em Medicina Veterinária, estimaram que alguns cachorros morreram há pelo menos 10 meses.

– É uma estimativa. Têm cadáveres em diferentes estados de decomposição. Alguns mumificados, onde estão conservados os tecidos e órgãos. Também os que sobraram apenas os ossos – explicou um dos técnicos, que preferiu não ser identificado por não se tratar de uma perícia oficial.

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Outro técnico explica que há um processo, feito em laboratório, onde o material é posto em determinadas condições para que haja uma decomposição mais veloz, para fins de estudo. Ainda que feito em situações ideais, esse processo pode levar meses.

– Aqui, a decomposição aconteceu no ambiente natural. Então, demora muito mais tempo. A gente estima 10 meses da morte de alguns animais, mas há outros que podem estar aqui há 14 meses. Talvez haja casos em que a morte aconteceu muito antes disso – relata.

Provável envenenamento
Conforme a investigação da Polícia Civil, só uma necropsia poderia constatar a causa da morte dos animais. No entanto, algumas hipóteses foram levantadas: os animais podem ter morrido de fome e sede (inanição), devido à falta de alimento podem ter matado uns aos outros para se alimentar dos cadáveres ou, ainda, de envenenamento. 

Conforme o delegado Jun Sukekava, a hipótese de envenenamento tem embasamento na forma da decomposição dos cadáveres. Além disso, havia veneno para rato no local e diversos deles estavam mortos.

Sukekava informou que, devido à materialidade das provas encontradas no local, não irá pedir uma perícia técnica. O levantamento feito pela Brigada Militar (BM) já será suficiente, segundo ele, para provar os maus-tratos aos animais.

O delegado irá intimar a locatária do imóvel, Elis Dal Forno de Freitas Parode, que integra a Gaspa Amigos Fiéis, entidade que atua em Santa Maria resgatando animais em situação de abandono, para dar esclarecimentos sobre os fatos. 

Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS

O caso

Os cadáveres dos cães foram encontrados na manhã da última quarta-feira depois que um oficial de Justiça e dois advogados de uma imobiliária foram até um sobrado, na Avenida Medianeira, para cumprir uma ação de despejo. Elis, locatária do imóvel, morou no local nos últimos dois anos, mas nunca pagou aluguel.

Segundo a própria Elis, que conversou com a reportagem do Diário na quarta-feira de manhã, ela não estava morando na casa há pelo menos três meses. Ela afirmou que não tinha ideia de como esses cães foram parar lá.

– Eu estou até um pouco em choque com essa notícia. Estou sem ir lá há três meses. Só estive lá para pegar as minhas coisas e trazer para cá. Tem pessoas que me ajudavam lá. Alguns animais eu deixei em lar temporário. Nós estávamos com uma média de 25 cães mais ou menos, nessa base, que estavam sendo cuidados. Então eu acabei não tendo mais nenhum envolvimento, mais nenhuma preocupação com isso. As minhas coisas, pessoais, estão lá, inclusive – explica.

Diário conversou com um dos advogados de Elis, Luiz Negrini, nesta quinta-feira, e ele disse que precisava conversar com sua cliente, em virtude das novas notícias, antes de poder dar uma resposta.

 

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