"Eu vivo aqui há 48 anos e, agora, não tenho para onde ir", diz morador após ter a casa demolida - Diário de Santa Maria

Vila Bilibio08/09/2016 | 16h39Atualizada em 08/09/2016 | 16h40

"Eu vivo aqui há 48 anos e, agora, não tenho para onde ir", diz morador após ter a casa demolida

Famílias questionam legalidade da desocupação e demolição de cinco casas no bairro Km3 

"Eu vivo aqui há 48 anos e, agora, não tenho para onde ir", diz morador após ter a casa demolida João Pedro Lamas/Agência RBS
Lúcia Aparecida Alves, 55 anos, teve a casa demolida na manhã desta quinta Foto: João Pedro Lamas / Agência RBS

O aposentado Pedro Soares, 67 anos, morador desde os 19 anos da Vila Bilibio, em Santa Maria, diz que não sabe para onde vai, agora, que teve a casa demolida durante a desocupação de cinco residências durante cumprimento de mandados judiciais na manhã desta quinta-feira. As moradias estariam em áreas consideradas de risco.

– Eu vivo aqui há 48 anos, e agora não tenho para onde ir. A prefeitura nos notificou, mas não disse que eu ficaria sem um lugar para viver se eu não saísse daqui. Acreditei que poderia ficar pela minha conta e risco – relata Soares.

Casas em área de risco são demolidas em Santa Maria

Situação semelhante enfrenta Lúcia Aparecida Alves, 55. Ela ganhou uma casa no loteamento, mas os dois filhos dela, de 35 e 37 anos, viviam ainda no local. .

– Eu pago luz, água e todos os impostos. Investi dinheiro na construção desta casa. Não recebi a notificação e, agora, vão retirar meus filhos daqui? – questiona Lúcia.

Moradores da Vila Bilibio estão sendo notificados para deixarem casas em locais perigosos

Pedro Soares e o neto, Pablo, de 24: "não tenho para onde ir" Foto: João Pedro Lamas / Agência RBS

Conforme o oficial de justiça Argeu Sartori, a prefeitura é ré na ação civil que tem como autor o Ministério Público (MP). Todas as famílias já tinham sido notificadas diversas vezes sobre o que seria feito.

O secretário de Habitação e Regularização Fundiária, Wagner Bittencourt, diz que Soares havia sido avisado da ação e, assim como aconteceu com as demais famílias retiradas, uma casa foi oferecida a ele em um loteamento da cidade.

Como Soares recusou, não coube à prefeitura fazer mais nada além de cumprir o que determinava a ação judicial. O secretário coloca a prefeitura à disposição, no entanto, para discutir com o morador sobre o que pode ser feito a partir de agora.

Defesa Civil monitora condições do solo na Vila Bilibio em Santa Maria

Sobre o caso de Lúcia, Bittencourt afirma que uma casa popular foi cedida a moradora que resolveu, por vontade própria, doar a residência da Vila Bilibio a outros familiares.  De acordo com o secretário, ela sabia que a casa teria de ser desocupada para ser demolida.

 

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga Diário SM no Twitter

  • diariosm

    diariosm

    DiárioSMEspecialistas tentam ajudar eleitores indecisos https://t.co/vhmTxXQBT0 https://t.co/Cffojc1EUjhá 6 minutosRetweet
  • diariosm

    diariosm

    DiárioSMMulher que presenciou marido ser morto em Cacequi presta depoimento https://t.co/O5AvwkmMoy https://t.co/82AgtGVwhjhá 36 minutosRetweet

Veja também

Diário de Santa Maria
Busca
clicRBS
Nova busca - outros