"Não faz isso comigo", disse Shelli no momento em que foi assaltada - Diário de Santa Maria

Depoimento27/08/2016 | 06h10Atualizada em 27/08/2016 | 13h18

"Não faz isso comigo", disse Shelli no momento em que foi assaltada

Em depoimento, adolescente detalhou como tudo aconteceu no dia em que relações públicas foi morta durante assalto no bairro Dores

"Não faz isso comigo", disse Shelli no momento em que foi assaltada Arquivo Pessoal/Reprodução / Facebook
Foto: Arquivo Pessoal / Reprodução / Facebook

Um mês depois da conclusão do inquérito que indiciou Bruno Laurindo Borges, 24 anos, pela morte da relações públicas Shelli Uilla da Rosa Vidoto, 27 anos, o Diário teve acesso às mais de 200 páginas com depoimentos de testemunhas que viram a vítima caída e presenciaram a fuga do indiciado e da adolescente de 16 anos, considerada peça-chave da investigação. O interrogatório da garota traz detalhes da ação ocorrida no dia 8 de julho. E pelo menos seis denúncias chegaram à 1ª Delegacia de Polícia, dando conta de que o indiciado era o autor do crime.

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O depoimento da adolescente foi prestado em 15 de julho, uma semana após o crime, no mesmo dia em que Bruno foi preso preventivamente. Ela falou acompanhada do promotor de Justiça Rodrigo de Oliveira Vieira, do advogado Valtezer Michels e dos delegados Laurence de Moraes Teixeira e Luiza Sousa. Entre outras declarações, disse que Bruno teria consumido muito crack naquele dia e que teria ameaçado-a de morte caso contasse sobre o crime. Revelou ainda que quando o acusado desferiu as facadas, Shelli teria dito ¿Não faz isso comigo¿.

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O delegado Laurence, que comandou a investigação, diz que o depoimento não deixa dúvidas quanto à dinâmica da ação: 

– Chegaram várias denúncias, e elas começaram a se repetir no sentido de apontar o Bruno. Começamos a diligenciar nas proximidades onde ele mora, tendo mais convicção. Logo em seguida, ouvimos a adolescente. É um depoimento claro, em detalhes, que foi colhido na presença de várias autoridades.

Em depoimento, policial diz que suspeito estava em casa após crime 

Um dos advogados de defesa do acusado, Wedner Lima, diz que irá confrontar o depoimento da adolescente com os de dois policiais militares que encontraram Bruno em casa:

– Eles afirmam que estiveram na casa do Bruno às 21h40min. Considerando a hora do fato, às 21h15min, não haveria esse tempo de deslocamento. Ela disse ainda que eles foram até uma casa abandonada, onde ficaram por um tempo. Entendemos que há um fato inverídico – destaca.

O DEPOIMENTO

Como tudo começou

A adolescente começa contando que, naquele dia 8, foi convidada por Bruno para dar uma volta. Foram até um estabelecimento, na esquina da Rua Venâncio Aires com a Rua Benjamim Constant, que estava fechado. Então, seguiram até um bar na Avenida Dores, onde ela comprou balas, e eles ficaram um tempo. Em seguida, saíram novamente e entraram na Rua Bento Gonçalves, onde aconteceu o crime. Ela diz que viu Shelli, mas ¿não deu bola¿. E logo que atravessaram a rua, Bruno já atacou e esfaqueou a vítima, que suplicou: ¿Não faz isso comigo¿.

A fuga

A adolescente disse que ficou apavorada porque não sabia que Bruno faria aquilo. Ela disse que, inclusive, tentou impedir que o acusado continuasse a ação, segurando-o. Sobre a fuga, há duas versões. No ofício do delegado Laurence à Justiça, pedindo a prisão preventiva do suspeito, ele diz que a adolescente relatou que acompanhou Bruno na fuga até a casa onde residem, no Beco dos Laurindos, que fica na Rua Ari Nunes Tagarra, no bairro Menino Jesus. Já no Termo de Declarações, ela relata que eles fugiram e ficaram em uma casa abandonada, onde conferiram o que havia na bolsa. Então, 40 minutos depois, foram para a casa onde moravam.

Para polícia, Shelli não tomou as facadas porque reagiu

No trajeto, Bruno teria ameaçado a adolescente de morte caso contasse a alguém. Ela disse que não sabe o que o suspeito fez com alguns dos pertences, e que na bolsa havia R$ 300.

Os dias seguintes

A adolescente relata que, nos dias seguintes, Bruno não mostrou nenhum arrependimento. Dois dias depois da morte de Shelli, o acusado mandou que a adolescente deixasse a bolsa em uma lixeira. A polícia encontrou a bolsa no dia seguinte, na Travessa Paissandu.

 

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