Atleta olímpico, Gilvan Ribeiro deixa a seleção brasileira de canoagem: "Ciclo que se encerra" - Esportes - Diário de Santa Maria

Adeus25/02/2017 | 11h00Atualizada em 25/02/2017 | 11h00

Atleta olímpico, Gilvan Ribeiro deixa a seleção brasileira de canoagem: "Ciclo que se encerra"

Canoísta de Santa Maria comunicou seu desligamento à Confederação. Em entrevista ao Diário, ele revela os motivos 

Atleta olímpico, Gilvan Ribeiro deixa a seleção brasileira de canoagem: "Ciclo que se encerra" Fernanda Ramos/New Co DSM
Aos 27 anos, Gilvan decidiu não seguir na Seleção de canoagem Foto: Fernanda Ramos / New Co DSM

Ele chegou à lua a bordo do seu caiaque, levou Santa Maria junto e fez a cidade transbordar de orgulho daquele menino revelado em um projeto social. Aos 27 anos e com uma Olimpíada no currículo, Gilvan Ribeiro decidiu abandonar a seleção brasileira de canoagem. Em definitivo. Com isso, ele também abre mão de qualquer possibilidade de alcançar os Jogos de Tóquio em 2020. 

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Mas o guri do Bairro Campestre sai de cena com a cabeça erguida, mostrando que é possível, sim, uma criança humilde e sonhadora chegar a um objetivo que, há 15 anos, parecia utópico. Confira uma entrevista em que Gilvan revela os motivos pelos quais deixou a Seleção, o futuro dele longe do esporte e a perspectiva de formação de novos talentos na barragem do DNOS.

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Confira uma entrevista, em tópicos: 

ADEUS À SELEÇÃO
"Comuniquei à Confederação no final de janeiro. Foi uma decisão difícil. Mas já vinha pensando desde o término da Olimpíada. É um processo demorado, até de aceitação. São mais de 15 anos treinando e competindo e quase 13 anos pela seleção brasileira. Acabei indo para Curitiba (sede da Confederação Brasileira de Canoagem) nos últimos meses. Em dezembro, treinei 10 dias por lá. Em janeiro, mais três semanas para sentir o que eu queria de fato e para tomar essa decisão com a cabeça o mais tranquila possível. Claro que esse processo ainda está acontecendo. Estou me restabelecendo profissionalmente em Santa Maria. Mas está decidido. Em um primeiro momento, saio só da Seleção. Ainda vou pensar sobre os campeonatos nacionais. Sobre campeonatos internacionais, só se a proposta for muito boa."

FAMÍLIA E ESTUDOS
"Foram vários fatores que motivaram essa decisão. Primeiro, a motivação de querer estar em Santa Maria, mais próximo da família e terminar meus estudos. Isso foi o principal. O cansaço de estar na estrada e sempre deixar tudo em segundo plano por conta da canoagem. Agora, diariamente vendo a Clara (filha) crescer, e me reconhecendo como pai, e ela como minha filha, é um processo que tenho absoluta certeza que não queria ficar longe."

DEVER CUMPRIDO
"Saio superfeliz e satisfeito por tudo que fiz no esporte. Se eu não tivesse ido (para a Olimpíada), ia ficar um gostinho um pouco amargo. Por mais difícil que pudesse parecer na época, deu tudo certo. Posso olhar para trás e ver que tudo o que planejei no esporte, consegui fazer. Significa um ciclo que se encerra. Não fica nada pendente. Claro que poderia ter conquistado uma medalha olímpica, mas, se for pensar por esse lado, sempre vamos ter essa sensação insaciável por resultados."

QUATRO MESES SEM SALÁRIO
"A canoagem (da seleção brasileira) se mantém ainda com o patrocínio do BNDES, que garante alguma verba. Mas a gente chegou a ficar quatro meses sem salário no ano passado, inclusive, durante a Olimpíada. Foi um processo bem complicado. Estávamos a dois meses dos Jogos, com a vaga garantida, treinando em São Paulo, e isso foi algo que eu não quis abrir para a mídia na época para não perder o foco na Olimpíada."

CRÍTICAS À CONFEDERAÇÃO
"O BNDES não queria renovar o contrato com a Confederação. Passou a Olimpíada, e o contrato foi renovado em novembro, e ele está renovado até o meio deste ano. Então, a partir do segundo semestre, não tem nada garantido. Chega uma hora que cansa conviver com essa insegurança e depender disso para ter dignidade em, ao menos, pagar as contas. Das três gerações de atletas brasileiros na canoagem, apenas três canoístas seguiram depois dos 30 anos. Então, tem algum ponto a ser analisado aí. As cabeças que, hoje, estão à frente da Confederação são muito fechadas. Antes de entrarem os grandes patrocínios, faltavam recursos. Entrou recurso e, mesmo assim, eles não conseguiram se organizar de forma a buscar a excelência na parte administrativa."

DEDICAÇÃO À ASENA
"Faço cada vez mais parte da Asena. Quero colaborar da forma que for possível, seja na parte de comunicação, estrutural ou técnica para transformar essa equipe em uma das grandes do país. Hoje, batemos o recorde no número de participantes no projeto (Remar). Estamos com 30. Um dos objetivos deste ano é aumentar o número de alunos no projeto. A partir daí, formar novos atletas, sempre a passos curtos e seguros. É o lema da Asena. "

NOVOS GILVANS
"Mostramos que é possível. Quando começamos, era um caminho totalmente fechado. Não sabíamos como fazer. Hoje, essa gurizada chega com um amparo totalmente diferente. Desde a parte técnica, sabendo que, aqui, tem atletas que passaram pela Seleção. E da parte estrutural, também. Temos material de qualidade e de primeira geração. É pouco ainda, mas já é de alcance deles. A mensagem que posso passar para quem está começando é acreditar no sonho, mesmo que pareça impossível."

FUTURO JORNALISTA
"Como carreira profissional, o jornalismo é o que eu já vinha planejando quando ingressei na faculdade de Comunicação há cinco anos. Estou louco para me formar. Neste ano, já termino todas as matérias."

 
 

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