"Não tenho medo de manchar a minha história no Inter", diz Fernando Carvalho sobre retorno - Esportes - Diário de Santa Maria

De volta13/08/2016 | 06h11Atualizada em 14/08/2016 | 12h18

"Não tenho medo de manchar a minha história no Inter", diz Fernando Carvalho sobre retorno

Dirigente retornou ao comando do futebol nesta semana 

"Não tenho medo de manchar a minha história no Inter", diz Fernando Carvalho sobre retorno Félix Zucco/Agencia RBS
Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Fernando Carvalho é um homem com uma missão. O presidente mais vitorioso da história do Inter só aceitou retornar como vice de futebol por entender que sua ajuda é necessária para encerrar a crise que se instalou no Beira-Rio. A equipe, agora treinada por Celso Roth, passou a contar com uma SWAT, como ele gosta de dizer, no vestiário. A tropa de choque, também composta por Ibsen Pinheiro e Newton Drummond, é responsável por devolver a confiança ao grupo, abalada pelos 11 jogos sem vitórias. Nesta entrevista a ZH, ocorrida na manhã de sexta-feira, Carvalho, acomodado em um dos sofás de seu escritório no bairro Moinhos de Vento, conta os bastidores da chegada de Roth, fala sobre Ceará, D'Alessandro, Nico López e promete:

— Neste primeiro jogo (contra a Chapecoense, segunda-feira), a torcida notará um grupo com mais confiança, bem mais determinado.

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O que a torcida pode esperar da nova direção de futebol?
Muito foco, valorização do grupo e trabalho como um todo para sair desta situação. O Inter se aglutinou novamente. Uma das condições que eu me impus foi conseguir contar com a oposição e com a situação, como um todo. Somente com o envolvimento de todo mundo é que seria possível harmonizar o clube. O Roth é acostumado a lidar com situações deste tipo. É um treinador com muita vivência, duro. É necessária esta rigidez, colocar no vestiário uma palavra forte.

Quais problemas já foram identificados no vestiário?
Os jogadores estavam muito pressionados e abatidos, este era o principal problema. Estavam completamente sem confiança. A partir de agora, vejo que as coisas estão melhor. Na minha primeira manifestação, disse a todos que ninguém ganha sozinho. O grupo é que ganha. Quem vai resolver o problema são os jogadores, eles é que vão jogar. O Inter tem um bom grupo, com carências quantitativas. Mas não vamos suprir com qualquer contratação.

A defesa é o setor com mais carências no Inter?
Há carência quantitativa na zaga e na lateral direita. Em alguns setores, você precisa ter mais de uma suplência: volantes, zagueiros, laterais. Contratamos o Ceará, que vai demorar 15 dias para voltar. Ele supre a direita e a esquerda, pode ser improvisado ali. O Fabinho também pode ser usado na lateral, aí se traz mais um volante. É difícil encontrar alguém com condições emocionais de enfrentar o problema que vivemos. Precisa ter convivência com a crise, além da qualidade.

Ceará já assinou contrato? O Inter pagará R$ 1 milhão ao Coritiba por ele?
Assinou até o final do ano que vem, como havia sido acertado. Só estamos remodelando os números deste contrato. Vamos discutir este valor (com o Coritiba). O Ceará não se apresentou em condições na data prevista naquele documento.

Seu trabalho como consultor tem conflito de interesses com o cargo de vice de futebol do Inter?
A minha atividade tem, sim, conflito de interesses. Não tenho como fugir disso. Eu estava trabalhando com um grupo de investidores que têm um clube, chamado Cianorte, que investe em jogadores de futebol. Se eu fosse ter uma atividade permanente no Inter, teria conflito. Me afastei desta empresa, apenas vou participar das reuniões de diretoria. Não vou praticar nenhuma atividade, como eu fazia antes, de ser um consultor, aconselhar contratações de atletas.

O que o torcedor notará de novidades no Inter contra a Chapecoense?
Vai notar um grupo com mais confiança, bem mais determinado. Esta sucessão de derrotas não é para qualquer um. Suportar 11 jogos sem vencer, nem os mais experientes conseguem. O que estamos fazendo é dar tranquilidade aos jogadores. Isto é um processo, não se decreta uma vitória. O que vai trazer a vitória é uma sequência de trabalho que dê confiança aos jogadores. Neste primeiro jogo, não tenho dúvidas que a torcida verá um time com mais confiança.

Este é o desafio mais complicado de sua carreira como dirigente?
Já tive vários desafios. Quando fui presidente, revigoramos as categorias de base do Inter que ninguém valorizava. Estou falando isso dentro de um contexto onde eu era um integrante. Sempre conto com a participação de todos, ninguém tem sucesso sozinho. O clube só conseguiu títulos e este crescimento mundial em termos de visão por ter muita gente coordenando este processo. É um grande desafio, e só por ser um grande desafio é que eu concordei em voltar.

O presidente Piffero pediu socorro ao senhor após a derrota para o Cruzeiro?
Na sexta-feira (dia após o jogo), ele falou comigo e disse 'tenho que resolver este problema, o clube está dividido'. No domingo, me procurou novamente, dizendo que ia fazer alteração na comissão técnica e queria mudar tudo. Ia alterar o treinador, que não tinha responsabilidade, ficou apenas 27 dias e entrou em um contexto difícil. Mas antes de aceitar, eu precisava me afastar da empresa, reaglutinar a oposição e convidar algumas pessoas para trabalhar comigo no futebol.

Você tem medo de manchar sua história no Inter em caso de insucesso?
Não tenho medo de manchar minha história no Inter. O mais importante para mim agora é resolver o problema. Não estou preocupado se vou me sair mal ou bem. Tem coisas que não se explica. E a minha relação com o Inter é uma delas.

A decisão de contratar o Roth foi exclusiva do presidente Piffero?
Foi de um colegiado. Uma vez definido quem trabalharia, a gente não tinha tempo a perder. Se a gente fosse buscar o Abel, que seria um grande nome, seria mais demorado. O Muricy também. Falo de treinadores com identificação com o clube. O Celso já está aqui, já é a quarta vez que trabalho com ele. Em duas vezes tivemos sucesso, em uma outra não deu por responsabilidade da direção: em 2002 tínhamos salário atrasado e um grupo desmobilizado. Ele saiu à época porque não demos condições. A responsabilidade do Mazembe também foi da diretoria. Permitimos o acesso da imprensa e da torcida ao seio da delegação, isso foi um erro e criou todo um clima. Não posso deixar em cima do Celso esta responsabilidade. Ele foi o primeiro nome que pensamos também por dar resposta rápida. O Tite, por exemplo, demora um pouco mais. Depois que encaixa o time, é o melhor de todos. Mas tem um tempo de maturação. Com o Celso, é bem mais rápido.

Quando vocês decidiram contratá-lo?
Foi na tarde de segunda-feira. O acerto com ele foi assim: 'Celso, vem'. Tanto que o salário eu disse quanto ia ser, não discutiu. Ligou para o Beto, disse que era até o final do ano. Falei com o Newton: 'vem'. Só peguei o telefone e disse para vir, que nem na SWAT. Quando conversei com o Ibsen, ele me incentivou a aceitar. E disse que pediria licença da Assembléia para vir comigo. Ele vai continuar lá, mas vai conciliar com o Inter.

Quais são os planos da direção para o meia Anderson?
Ele é um atleta do grupo, será usado e vai ajudar. Hoje temos 32 jogadores e todos, sem exceção, vão auxiliar. Ninguém ganha sozinho. Quem não está jogando tem de estar até melhor preparado dos que estão jogando. Ele pode jogar a qualquer momento e precisa estar de prontidão. Uma SWAT exige prontidão. Ele pode até estar um pouco sem ritmo, mas tem de trabalhar para conquistar a titularidade e obter seu melhor ritmo.

Quais foram os motivos para a saída do Nico López do time?
Foi feita uma avaliação física dos jogadores. O Nico vem de uma meia temporada, ainda não está na plenitude da forma. E este jogo (contra a Chapecoense) é para quem está em forma plena. O Nico é um grande jogador, o Inter acredita muito nele. Mas ele precisa estar em forma. Tanto ele quanto o Ariel, que se lesionou na quarta e voltou a treinar na quinta. Fisicamente, na avaliação do Celso, o Nico precisa estar mais pronto para dar uma resposta mais plena.

Como foi sua volta ao vestiário do Inter?
Fiz duas reuniões quando cheguei. Primeiro com os jogadores e comissão técnica. Manifestei como seria, como eu era, peguei Alex e o Sasha, que já trabalharam comigo, coloquei do meu lado para que nos apresentassem. A partir dali, era o dia a dia. O jogador não aguenta mais reuniões, temos que reduzir. Precisamos trabalhar. Mas precisamos ter contato. É o meu jeito de trabalhar, do Ibsen. Mas agora é pontual, cada dia falo com dois ou três. A primeira coisa que mudou foi o horário, de chegar mais cedo. Antes treinava 10h30min, passamos para 9h. Na viagem, também teremos novas regras. Temos uma linha a ser seguida.

O D'Alessandro voltará ao Inter no ano que vem?
Em outra entrevista, falei que, em alguns momentos no esporte, as pessoas têm prazo de validade. E eu achava que o prazo do D'Alessandro tinha terminado no Inter, assim como o meu já terminou. Eu estou aqui emergencialmente, para cumprir uma tarefa. Não vou voltar ao Inter, ser novamente presidente. Disse que o prazo do D'Alessandro terminou, não pela qualidade dele ou pelo que pode dar. Mas ele não pode mais ser responsável ou culpado pelo momento do clube. Até pelo passado e pelo o que ele já deu ao clube, não pode mais ter este ônus. Ele é o maior estrangeiro da história do Inter, poderia contribuir. Mas não seria justo com ele. A volta dele ao Inter será decidida somente pela próxima direção. Converso semanalmente com ele, foi olhando pelo lado dele que fiz este comentário.

Em dezembro, então você deixa de ser vice de futebol?
Este é o compromisso que tenho com todo mundo no Inter. Se não, teria que largar o que eu faço. Não tenho vontade de seguir depois. Agora, estou gostando. É aquela coisa, larga o pinto no lixo né. Mas eu assisto muito a jogos de futebol, Série B na sexta-feira, Série A no domingo e no sábado. Sou insuportável (risos). Assisto a mais de 30 jogos por semana, não tem coisa melhor que isso. Nem sei o que está acontecendo na Olimpíada, só assisto a futebol.

Você teme perder algum jogador do Inter nesta janela?
Não temo. O presidente Piffero não me passou a existência de qualquer proposta. Em princípio, segue todo mundo.

Aonde estava o problema deste time do Falcão?
Acima de tudo, era a falta de confiança. A sequência de derrotas também. O Falcão, dentro do vestiário, talvez precisasse de pessoas mais experientes junto com ele. É complicado avaliar de fora. Houve um abatimento muito grande, que gerou a perda de confiança. E isto gerou resultados negativos. Um círculo vicioso.

Este abatimento também prejudicou o Argel?
É complicado avaliar. Mas ele também entrou neste círculo vicioso. A crítica que faço ao Argel é que, no final, ele passou a alterar demais o time. Isso estou falando porque eu disse a ele. Acho ele um ótimo treinador. Assim como o Falcão, tem ótimas ideias. Mas acho que o Falcão precisa ter mais tempo. Pegar uma equipe no meio da temporada e fazer com que o time seja uma escola, de toque, evolução, é mais difícil. Teria que montar o grupo com a característica que ele queria. Mas pegou já montado, não contratou. Ele tentou buscar alternativas, mas não conseguiu encontrar. Ele precisava de mais tempo, sem cobranças.

Vocês vão aproveitar a lista de jogadores indicados pelo Falcão?
São todos excelentes indicações. Não é porque ele não está mais trabalhando no clube é que vamos relegar seus conceitos. Ele tem história, conhecimento, boas opiniões. Vamos falar neste jogador, o Eduardo. Ele é um ótimo jogador, conheço bem ele. Enfrentou o Inter aqui em 2014, time reserva do Atlético-MG, quando vencemos por 2 a 1 com gol do Fabrício no final. Ele foi o melhor em campo. Ele é um jogador muito bom. Essa indicação do Falcão é muito bem-vinda.

O Inter vai priorizar o Brasileirão ou a Copa do Brasil?
Nossa prioridade será sempre o próximo jogo. Não tenho como fazer projeção. Estamos em estado de emergência. Não estamos pensando em 45 pontos. Pensamos em três. Seja no Brasileirão ou na Copa do Brasil.

Especial lembra os 10 anos da primeira conquista histórica do Inter na Libertadores. Confira abaixo: 

Foto: Arte ZH

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*ZHESPORTES


 

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