Judô tem desempenho abaixo do esperado para brasileiros - Esportes - Diário de Santa Maria

Resultados12/08/2016 | 18h59Atualizada em 12/08/2016 | 19h28

Judô tem desempenho abaixo do esperado para brasileiros

País teve três medalhas no Rio, uma a menos do que Londres

Judô tem desempenho abaixo do esperado para brasileiros Montagem sobre fotos / Diego Vara/Agência RBS e divulgação/Diego Vara/Agência RBS e divulgação
Foto: Montagem sobre fotos / Diego Vara/Agência RBS e divulgação / Diego Vara/Agência RBS e divulgação
André Baibich - Enviado especial ao Rio
André Baibich - Enviado especial ao Rio

andre.baibich@zerohora.com.br

O sucesso é algo traiçoeiro. O judô deu ao Brasil três das quatro medalhas que o país conquistou nos Jogos Olímpicos até aqui, mas com o tanto que projetamos para nossos judocas, o desempenho foi abaixo do esperado. O ambicioso objetivo de superar as quatro medalhas de Londres – um ouro e três bronzes – não foi cumprido, mesmo com o bronze conquistado por Rafael Silva, o Baby, que encerrou a participação na modalidade nesta sexta-feira.

Ainda que a tendência seja procurar culpados quando o resultado da modalidade mais vencedora do Brasil na história olímpica (22 medalhas) não vem, a explicação para o resultado final de um ouro – com Rafaela Silva –, e dois bronzes – além de Baby, Mayra Aguiar foi terceira colocada – não é tão simples.

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– Existe um bloco de seis a oito atletas no feminino, que é ainda maior no masculino. Desse grupo, todos têm condições de medalhar. Você pode ser um atleta de ponta, ter um bom desempenho na competição e não chegar ao pódio – explica Antônio Carlos Pereira, o Kiko, técnico da Sogipa.

– Quando você chega às fases finais, todos os atletas têm medalhas em Mundiais e Jogos Olímpicos. Alguns desses não vão ir ao pódio. Vimos campeões olímpicos eliminados nas lutas iniciais aqui – completa Douglas Potrich, técnico da seleção brasileira de base que trabalhou fazendo estatísticas das lutas para a Federação Internacional na Olimpíada.

Alguns fatores externos podem ter ajudado a diminuir a conta brasileira. Países sem tanta tradição, como Kosovo, Israel, Emirados Árabes e Argentina, mostraram força na Olimpíada. O cenário mundial do judô se expandiu e, com isso, as competições tornaram-se mais difíceis. Prova é que outras potências também tiveram menos pódios no Rio, como Rússia e França. O Brasil, mesmo abaixo da meta que estabeleceu para os Jogos, termina no mesmo sexto lugar no quadro de medalhas do judô. Dos "grandes" do esporte, o único a dar um salto foi o Japão, que dominou com três ouros e 12 medalhas no total.

– Com certeza a preparação foi melhor do que o resultado conquistado. Mas temos de olhar para o cenário do judô. Nunca, em uma Olimpíada, 26 países tinham chegado ao pódio como nesses Jogos – ressaltou o gestor técnico da Confederação Brasileira de Judô, Ney Wilson.

Antes da Olimpíada, já se previa que a equipe feminina viria mais forte do que a masculina. O time de mulheres se manteve em relação a Londres, e havia esperança especial em um grupo de cinco judocas de destaque. Além de Rafaela e Mayra, Sarah Menezes, Érika Miranda e Maria Suelen Altheman figuravam como firmes candidatas ao pódio.

Dessas, Sarah teve um ciclo de altos e baixos, mas encontrou a regularidade no último ano, com excelentes resultados. Érika foi extremamente constante – pódio nos três Mundiais entre 2013 e 2015 – e seu desempenho no Rio não pode ser considerado decepcionante. Perder na disputa pelo bronze seria normal em qualquer competição do circuito mundial, considerando o cenário ultracompetitivo descrito por Kiko. Rafaela causou certa surpresa porque também oscilou nos últimos quatro anos, mas era vista como candidata a pódio por seu histórico – foi campeã mundial em 2013. A mais inesperada campanha foi a de Mariana Silva, sobre quem não havia tanta expectativa. Sua ida à semifinal foi comemorada.

O time masculino não era tão homogêneo. Rafael Silva, ainda que tenha sofrido com lesões, apresentava-se como o mais regular. Nomes como Charles Chibana e Rafael Buzacarini eram estreantes, enquanto o experiente Tiago Camilo já não tinha o vigor que o deu a prata em Sydney e o bronze em Pequim.

Há algum impacto do resultado do judô no objetivo do Brasil de estar entre os 10 países com mais medalhas na Olimpíada. Para ser top 10, o COB projetou, no início do ciclo, que 27 a 30 medalhas seriam necessárias – depois, o Comitê afirmou que a meta poderia ser cumprida com menos pódios. Ainda assim, será complicado chegar ao número desejado.

Sem tantas conquistas nos tatames, é possível que a conta só feche com contribuições inesperadas. A julgar por desempenhos surpreendentes que passaram perto da medalha, como os vistos na canoagem slalom, esgrima e marcha atlética de 20km, não é impossível. Outra alternativa seria um excelente resultado em um esporte tradicional do Brasil que distribui múltiplas medalhas, como a vela.

*ZHESPORTES

 

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